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Cúpula deste domingo vai adiar uma solução para a crise

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Sem a possibilidade de resolver definitivamente a complexa crise de dívida soberana, a União Europeia tem de entregar um plano capaz de apagar o incêndio atual e estancar a onda de turbulência que já ameaça a economia global. Essa é a expectativa de analistas para a aguardada reunião de cúpula da UE, marcada para domingo, em Bruxelas.
Não se avista uma solução final no curto prazo para os problemas do bloco, o que ainda depende de um longo período de ajustes. Como sobram dificuldades e falta munição, resta aos governos definir o que é mais urgente: ampliar os recursos à disposição dos países em dificuldades, recapitalizar os bancos ou reduzir a dívida da Grécia.
"A realidade é que os políticos europeus não têm uma bazuca", diz David Mackie, analista do JP Morgan. "Ao invés de contarem com uma única e definitiva arma, terão de usar cuidadosamente os limitados recursos em vários fronts."
Os mercados construíram a visão de que haverá um plano firme o suficiente para aplacar a turbulência. Essa foi também a impressão deixada pelas autoridades durante o encontro preparatório do G-20, no fim da semana passada, em Paris. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que saiu mais confiante de uma reunião com o ministro francês de Finanças, François Baroin, na qual foram apresentados os planos para a zona do euro.
A chanceler alemã, Angela Merkel, tratou de baixar as expectativas ao apontar a impossibilidade de resolver todos os problemas na cúpula deste domingo. Prevendo "um longo e árduo caminho", ela considera que os erros da Europa "não podem ser desfeitos por um passe de mágica".
"Os mercados estão com boa vontade e dando o benefício da dúvida aos políticos, mas não estamos totalmente otimistas", disse Alessandro Mercuri, estrategista de renda fixa do Lloyds Bank. "Os europeus irão comprar tempo para limitar o risco de contágio, não há como arrumar uma solução final agora." O ex-presidente da Confederação da Indústria Britânica, Richard Lambert, acredita que a reunião de cúpula precisa terminar com um plano plausível. "Eles devem entregar o necessário, mas ainda haverá grandes questões a serem resolvidas", disse.
A situação é intrincada porque a Europa enfrenta um desafio duplo: reduzir a dívida dos governos e criar crescimento. A necessidade de adotar medidas de austeridade fiscal traz o risco de retorno da recessão e deixa o bloco em uma encruzilhada, daí a avaliação de que a crise não desaparecerá facilmente. "No final das contas, se o crescimento econômico não for criado, os países mergulharão de novo na recessão em uma crise sistêmica ainda pior", afirma Ivo Pezzuto, professor do Swiss Management Center University, de Zurique.

Grécia aprova plano de austeridade em meio a violentos protestos

Nuvens de gás lacrimogêneo sufocaram as ruas centrais de Atenas quando grupos rivais de manifestantes entraram em confronto, atirando pedras e bombas incendiárias do lado de fora do Parlamento nesta quinta-feira.
Um homem morreu e dezenas de pessoas ficaram feridas. No interior da casa legislativa, os deputados aprovaram, por 154 votos a favor e 144 contra, a legislação que decreta novas medidas de austeridade que o governo deve tomar a fim de receber a próxima parcela de auxílio-financeiro dos credores internacionais para evitar um default.
Desde maio do ano passado, a Grécia vem dependendo de empréstimos de resgate do Fundo Monetário Internacional (FMI) e de outros países da zona do euro. Os credores exigiam que a Grécia aprovasse novas medidas de austeridade antes de liberar mais uma parcela do empréstimo de € 8 bilhões (US$ 11 bilhões).
No segundo dia da greve geral que paralisou o país e levou mais de 50 mil pessoas para as ruas, os manifestantes marcharam pela praça Syntagma, em frente ao Parlamento, para protestar contra o pacote de austeridade que inclui o corte de postos de trabalho e de salários no funcionalismo público, além do congelamento das aposentadorias e elevação dos impostos para todos os gregos. Cerca de 30 mil servidores públicos terão seus salários reduzidos e os direitos de negociação coletiva serão suspensos.
Ministros de finanças da zona do euro se reunirão na sexta-feira, dois dias antes da cúpula da União Europeia, para decidir se vão liberar mais uma parcela de ajuda para a Grécia. Uma das condições para a liberação era a aprovação do novo pacote de austeridade. Sem o dinheiro dos credores, a Grécia poderá ficar sem recursos em meados de novembro.

Perspectiva para grandes bancos italianos se deteriorou

A agência de classificação de risco Fitch publicou relatório afirmando que suas previsões para os bancos da Itália são negativas. As projeções para os cinco maiores bancos italianos se deterioraram significativamente nos últimos meses.
Além disso, com as incertezas sobre a resolução da crise na zona do euro, aumentam as pressões sobre essas instituições, cujos custos de financiamentos estão ligados aos spreads sobre as dívidas do governo.
Os bancos considerados no relatório da Fitch são Banco Popolare, UniCredit, Intensa Sanpaolo, Banca Monte dei Paschi di Siena e Unione di Banche Italiane (UBI Banca). Segundo a Fitch, um fator essencial para que as perspectivas para os bancos sejam elevadas para estável é uma melhora significativa na rentabilidade operacional. Na opinião da agência, isso exigira uma normalização dos custos de financiamento para níveis sustentáveis e melhorias no desempenho da economia doméstica.
A agência também reiterou o rating de longo prazo da Bélgica, atualmente em AA+ com perspectiva negativa, após uma revisão decorrente da reestruturação do Dexia, banco que precisou ser auxiliado pelos governos belga e francês.
Segundo a Fitch, a Bélgica comprará uma das unidades do Dexia por € 4 bilhões - ou 1,1% de seu Produto Interno Bruto (PIB) - e oferecerá ao banco um total de € 54,5 bilhões em garantias contra potenciais perdas com ativos considerados tóxicos.

Comissão Europeia apresenta proposta para a reforma do setor financeiro

O comissário de Mercados Internos da UE, Michel Barnier, afirmou nesta quinta-feira que uma reforma na regulação financeira do bloco é necessária para restringir a negociação de derivativos e aumentar a fiscalização sobre estratégias de alta frequência.
A proposta é parte de um esforço global para dar mais transparência a mercados obscuros, conforme o compromisso assumido pelos países do G-20 adotado em 2009. "As propostas ajudarão a avançar para mercados financeiros melhores, mais seguros e abertos", comentou Barnier.
As mudanças exigirão que corretoras (exceto as de câmbio) cumpram as mesmas exigências das grandes bolsas de valores, divulgando informações integrais sobre as operações feitas por meio das dark pools - plataformas eletrônicas onde é possível trocar ações sem divulgar detalhes.