Mastercard deve elevar as transações do Banricompras

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O registro das operações dos cartões de crédito e débito da bandeira Mastercard elevará em 35% o valor das transações anuais do Banricompras, que totalizaram R$ 4,8 bilhões em 2010. O mesmo salto deve ocorrer no volume de transações, que somaram 70 milhões no ano passado. A previsão foi feita ontem pelo presidente em exercício do Banrisul, Rubens Bordini, ao abrir oficialmente a recepção do plástico nos terminais do Banricompras espalhados em quase 100 mil estabelecimentos no Estado e em Santa Catarina.
As empresas só terão de atualizar o contrato com o banco para habilitar as mesmas maquininhas a receber os plásticos das marcas Mastercard, Maestro, Cirrus e Redeshop. A boa notícia, garantiu Bordini, é que os pontos de venda não terão mais custos com mensalidades ou taxas de uso dos equipamentos e poderão participar do programa de pontos Surpreenda lançado pela empresa de cartões voltada à pessoa jurídica. O programa permite troca de pontos com fornecedores de insumos para o negócio.
O vice-presidente de desenvolvimento de comércio para o Brasil e Conesul da Mastercard, Horst Muller, informou que a parceria com o Banrisul estreará a modalidade na operação brasileira. Nos próximos meses, a iniciativa chegará a outras regiões. O Surpreenda estava disponível apenas para consumidores com cartões da bandeira. Os lojistas e demais tipos de comércio e serviços também passarão a receber recarga de celulares, outro nicho apetitoso.
A associação do banco e da empresa de cartões, segunda do segmento no País, havia sido anunciada em agosto do ano passado e dependia da integração de sistema de informação para começar a funcionar. Segundo o banco, o desenvolvimento da solução, junto com a CSU, que realiza os registros da Mastercard, ocorreu em tempo recorde. Às 8h36min de segunda-feira, as equipes do Banrisul e da CSU fizeram o teste final para executar as transações. Quando o sistema estiver pleno, a previsão é de aumento de 40% a 50% no fluxo diário de operações.
Para Horst, a operação com o Banrisul oferece um mercado inexplorado: estima-se que mais de 40 mil dos quase cem mil estabelecimentos com a maquininha do Banricompras não aceitem ainda nenhum tipo de plástico, apenas o do banco. "Vamos abrir um novo mercado para popularizar o uso do cartão. Nossa guerra é contra o cheque e o dinheiro", ressaltou. O mercado de transações com plásticos cresceu 20% em 2010 no País. "O Banrisul também se firma como forte competidor entre credenciadores", valoriza o vice-presidente.
Bordini reforça a projeção do parceiro e confirma que o banco gaúcho entrou na briga pelo filão. A expectativa é que outras bandeiras possam repetir a parceria. Desde a metade de 2010, o mercado de registro de transações passa por mudança e abertura. Caiu a exclusividade de apenas as maquininhas da Cielo (ex-Visanet) receber pagamentos da bandeira Visa, líder do setor. O Banricompras será a quarta credenciadora a processar cartões da Mastercard, que já era opera em POS (Point of Sale) da Cielo, Redecard e do Santander (que ingressou no mercado depois de associação com a gaúcha Getnet).
O banco estadual também está de olho no aumento de clientes com cartão de crédito, que hoje somam pouco mais de 300 mil. Da bandeira Mastercard, são 112 mil, número que dobrou nos últimos seis meses, na carona do anúncio da parceria. A meta é de alcançar 1 milhão até dezembro. Já a bandeira de débito Banricompras está na mão de 1,2 milhão dos quase 3 milhões de correntistas.