Genética da raça Angus ganha sotaque mineiro

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Desde os 10 anos de idade, o pecuarista mineiro Paulo de Castro Marques se dedica ao ofício da criação de gado. Começou acompanhando o pai na lida com o rebanho leiteiro, atividade que desenvolveu durante anos junto aos irmãos. Há 12 anos, Marques resolveu seguir carreira solo e iniciou o projeto Casa Branca Agropastorial, ao estabelecer sua cabanha no município mineiro de Fama. A partir de então, o pecuarista passou a trabalhar com genética da raça Angus, investindo em sêmen e touros selecionados. A partir de 2011, o produtor terá um novo desafio: assumir a presidência da Associação Brasileira de Angus (ABA), que pela primeira vez não será liderada por um gaúcho. À frente da entidade no biênio 2011/2012, Marques pretende lançar um programa para estimular o consumo de carnes de qualidade, difundir a genética Angus pelo Brasil e aumentar o número de associados. O criador esteve na semana passada em Porto Alegre, participando da inauguração da nova sede da ABA na Capital.
Jornal do Comércio – Quais serão os seus principais desafios e metas à frente da Associação Brasileira de Angus (ABA)?
Paulo de Castro Marques - Hoje a associação tem, sem dúvida alguma, o melhor programa de certificação de carne do Brasil, muito bem montado e o mais completo e melhor auditado. Desde o surgimento da associação, trabalhamos com uma empresa certificadora australiana e contamos hoje com 11 plantas frigoríficas parceiras certificadas no Brasil. Para o ano que vem devemos ter um aumento significativo do número de frigoríficos. Nesse quesito estamos bem. A maior preocupação é realizar um trabalho voltado para a demanda, ajudando o consumidor a diferenciar a carne de qualidade. Por incrível que pareça tem muita gente que não sabe o que é o marmoreio em uma picanha. Já perguntei para as pessoas e muitas delas não têm a menor ideia do que se trata. Outros não sabem diferenciar maciez e suculência. O aumento da demanda é importante também para pressionar os frigoríficos a buscar esses animais de melhor qualidade.
JC – O senhor citou a importância de incentivar o consumo, no entanto há algum tempo se reclama sobre a falta de oferta de matéria-prima. Esse impasse deve persistir?
Marques - O grande problema que nós vivemos hoje de falta de oferta se deve à redução de plantel por parte dos produtores – pelo baixo retorno que eles estavam obtendo em virtude dos preços achatados pagos pelos frigoríficos. Hoje estamos vivendo um momento de preços muito bons e rentabilidade significativa, mas ainda vai levar de dois a três anos para que haja um equilíbrio nessa balança. Na verdade, a baixa oferta não é a nossa maior preocupação e sim o fato de os produtores venderem a carne Angus para frigoríficos que não são parceiros. Tenho muitos amigos que fazem cruzamento industrial em Mato Grosso, que usam muito material genético do Angus para tal, mas que jamais venderam uma cabeça para o Marfrig, que é um de nossos parceiros. Quando esses produtores têm animais prontos para serem abatidos, os outros frigoríficos acabam cobrindo a oferta pela qualidade que estão oferecendo, só que esses frigoríficos não são parceiros e vendem sem a certificação.
JC – Fale um pouco sobre a sua atividade como pecuarista. Por que optou pela criação de Angus e que tipo de atividades são desenvolvidas na sua cabanha?
Marques – Resolvi sair do leite em função de um acordo estabelecido com meus irmãos e também por perceber a vocação que o País tinha para crescer na criação de gado de corte. Quando fiz a transição, vivíamos em um momento em que o Brasil começava a se voltar para a seleção genética. Não sou terminador, meu principal objetivo é fornecer genética pela venda de sêmen de touros comerciais. Quando começamos a trabalhar nesse projeto, o Brasil sinalizava que a médio ou curto prazos chegaria a ser o principal exportador de carne pela redução dos embarques da Europa por causa dos casos de vaca louca, e também dos Estados Unidos e do Canadá. Então, com certeza em curto espaço de tempo, ganharíamos muito mercado. Mas conseguir ser o maior não ia ser muito difícil, a dificuldade seria se tornar o melhor. Foi aí que resolvemos fazer um trabalho fornecendo material para quem quisesse investir no cruzamento industrial. Saímos a campo pesquisando quais seriam as raças mais interessantes para isso e chegamos no Angus. Quem busca carne de qualidade e alto valor agregado tem que escolher o Angus.
JC – Quais as principais diferenças entre os rebanhos do Rio Grande do Sul e os de São Paulo e Minas Gerais?
Marques - O confinamento é basicamente para o meio-sangue. O pessoal que trabalha com animais puros no Sudeste utiliza quase sempre regime extensivo. Às vezes, os animais que vão para exposições são tratados em cocheiras. Quando começamos a criar, tínhamos alguns pontos que nos diferenciavam dos criadores do Sul. Por estarmos em região de clima mais quente, com outro tipo de vegetação, buscávamos animais de menos pelo, estatura mais elevada para poder cobrir as vacas Nelore. Mas isso foi há 12 anos. Hoje, já está ocorrendo um equilíbrio muito maior. Estamos com um rebanho mais parecido com o que o Sul já fazia. E o Sul, por sua vez, busca animais mais próximo daquilo que nós fazíamos.

Exportação de cortes suínos para Coreia do Sul pode começar no segundo semestre de 2011

O Brasil pode iniciar as exportações de carne suína para a Coreia do Sul no segundo semestre de 2011, desde que todos os questionamentos e requisitos apresentados pelo governo coreano sejam atendidos. Essa é a expectativa do diretor do Serviço Veterinário Nacional de Pesquisa e Quarentena (NVRQS, sigla em inglês) da Coreia, Jong Min Jeon.
O secretário de Relações Internacionais do Ministério de Agricultura, Célio Porto, já tinha adiantado que uma missão coreana viria ao País no primeiro trimestre de 2011 para visitar unidades frigoríficas de Santa Catarina, único estado brasileiro livre de febre aftosa sem vacinação. O diretor coreano e outros técnicos do país se reuniram em São Paulo, ontem e hoje, com uma equipe do Ministério da Agricultura brasileiro para tratar da questão.
De acordo com o diretor coreano, o prazo de seis a nove meses para a abertura da Coreia do Sul à carne suína catarinense é o tempo necessário para a conclusão da análise de risco do produto brasileiro e para a visita de uma missão da Coreia do Sul ao Brasil. Os técnicos coreanos virão ao País para aprovar o Sistema de Saúde Pública Veterinária e habilitar frigoríficos para exportação de carne suína. O mesmo prazo foi estimado para o início do comércio de carne bovina termoprocessada, igualmente de Santa Catarina.
Japão, Coreia, Estados Unidos e União Europeia são os principais mercados com que o Brasil negocia a abertura dos embarques de carne suína de Santa Catarina. No mês passado, o governo norte-americano reconheceu o estado como zona livre de febre aftosa sem vacinação, peste suína clássica, peste suína africana e doença vesicular dos suínos.