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Petrobras investirá US$ 224 bi até 2014
A Petrobras anunciou um aumento de cerca de 28% em seu plano de investimentos, que atingirá US$ 224 bilhões entre 2010 e 2014. Um dos pilares para a definição do valor da capitalização da companhia, o plano surpreendeu o mercado, que criticou a elevação dos gastos nos próximos anos. As ações da companhia fecharam em baixa ontem na Bolsa de Valores de São Paulo.
A área de Exploração e Produção vai ficar com US$ 118,8 bilhões (53%), a área de Abastecimento com US$ 73,6 bilhões (33%), Gás e Energia terá US$ 17,8 bilhões (8%), Petroquímica ficará com US$ 6,1 bilhões (2%), Distribuição terá US$ 2,5 bilhões (1%), Biocombustíveis US$ 3,5 bilhões (2%) e Corporativo US$ 2,8 bilhões (1%).
O pré-sal, entre 2010 e 2014, terá investimentos de US$ 33 bilhões, dos quais 78% (US$ 27,8 bilhões) no desenvolvimento da produção, 13% na Exploração (US$ 4,3 bilhões) e 2% na infraestrutura e suporte (US$ 800 milhões). No pós-sal serão US$ 75,2 bilhões, dos quais 67% em desenvolvimento da produção, 18% na exploração e 15% na infraestrutura e suporte.
Para analistas, trata-se de um gasto muito alto em projetos com retorno baixo. "O grande foco da Petrobras no refino é difícil de entender", resumiu o analista de petróleo do Credit Suisse, Emerson Leite, em relatório enviado a clientes. A empresa prevê ampliar a capacidade de refino dos atuais 1,818 milhão para 3,205 milhões de barris por dia em 2020.
A companhia projeta uma produção de petróleo na casa dos 3,9 milhões de barris em 2020. Em 2014, será de 2,98 milhões de barris por dia. "Nosso foco é chegar entre as cinco maiores produtoras de petróleo do mundo", disse o presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli. O pré-sal ainda terá participação pequena em 2014, de 241 mil barris por dia, subindo para 1,078 milhão de barris no fim da década.
A divulgação do plano era esperada pelo mercado, que queria pistas do tamanho da capitalização da companhia, prevista para ser realizada até o fim de julho. A companhia informou apenas que vai precisar buscar no mercado US$ 58 bilhões nos próximos quatro anos, mas não detalhou quanto desse valor virá via capitalização e quanto via empréstimos. O mercado espera uma entrada de US$ 25 bilhões com a venda de novas ações aos minoritários.
A empresa também não deu detalhes da valorização dos barris do pré-sal que serão usados na cessão onerosa, que não foi incluída no plano 2010-2014. "Contamos apenas com as concessões que já temos. Depois de assinada a cessão onerosa, poderemos incluir as reservas na nova revisão do plano", disse o diretor financeiro, Almir Barbassa.
Hoje a Petrobras realiza assembleia de acionistas para aprovar o aumento de capital. Gabrielli não quis falar sobre cronograma, mas espera-se que a companhia apresente prospecto da operação à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), já com a avaliação do valor dos barris da cessão onerosa. A última palavra sobre os valores, porém, será da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que está contratando consultoria para esse fim.