Aliança lança novo navio para aproveitar hidrovia do Mercosul
A concretização da hidrovia do Mercosul abrirá uma nova possibilidade de rota de transporte para a Navegação Aliança. "Onde tiver cargas, estaremos disputando a movimentação", afirma o presidente do Conselho de Administração da Trevisa (controladora da Navegação Aliança), Fernando Ferreira Becker.
A hidrovia do Mercosul consiste na ligação das lagoas Mirim e dos Patos, através de obras de dragagem. Essa medida consolidará um novo caminho para a troca de produtos entre o Brasil e o Uruguai. A iniciativa é uma das ações que integram a segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2).
Uma prova do interesse da Navegação Aliança nessa hidrovia é que a companhia possui uma participação de 5% no projeto de construção de um terminal portuário no rio Cebollatí, do lado uruguaio. Becker lembra que em outubro do ano passado foi lançada a pedra fundamental do porto e a expectativa é de que o complexo inicie suas atividades dentro de dois anos.
Um dos navios que poderá transitar pela hidrovia do Mercosul é a mais nova embarcação da Navegação Aliança: o Frederico Madörin. A empresa realizou nesta quinta-feira, no cais do porto da Capital, o batismo desse navio, o 17º de sua frota. A embarcação, de 103 metros de comprimento, absorveu um investimento de R$ 16,5 milhões e tem capacidade para transportar até 4,7 mil toneladas. O diretor operacional da Navegação Aliança, Ático Scherer, informa que o primeiro carregamento do Frederico Madörin deverá ser iniciado nesta sexta-feira, em Canoas. O navio levará uma carga de soja até Rio Grande.
Outra ação importante para o modal hidroviário gaúcho que está sendo realizada no momento é a dragagem do rio Gravataí. Becker, que também é o presidente do Sindicato dos Armadores de Navegação Interior dos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul (Sindarsul), ressalta que o ato permitirá que aumente o transporte de cargas na região. Ele relata que muitas embarcações utilizam menos de um terço de sua capacidade de carga, devido ao baixo calado. "Isso representa o encarecimento do frete", ressalta o dirigente. Com a dragagem, o calado do Gravataí deve passar de três metros para quatro metros e meio.
A dragagem, que começou no primeiro trimestre deste ano, deve ser finalizada até outubro. Becker acrescenta que o próprio Frederico Madörin poderá trabalhar nos terminais daquela região com sua plena capacidade. A dragagem está sendo paga por empresas como a Oleoplan, Merlin, Petrobras, Yara e Bunge.