Adaptação de Stephen King, Misery sobe ao palco do Theatro São Pedro neste fim de semana

Com participação de Mel Lisboa e Marcello Airoldi nos papéis principais, nova montagem atualiza narrativas da obra

Por Andressa Pufal Leonarczik

Mel Lisboa e Marcello Airoldi estão nos papéis principais de Misery, peça que atualiza personagens criados por Stephen King e que estará no Theatro São Pedro neste final de semana
Sucesso de público pelos palcos do Brasil, a adaptação teatral de Misery — Louca Obsessão, dirigida por Eric Lenate e estrelada por Mel Lisboa, Marcello Airoldi e Alexandre Galindo, estará no Theatro São Pedro (Praça Mal. Deodoro, s/n) nesta sexta-feira (25) e sábado (26), às 20h, e no domingo (27), às 18h. Os ingressos estão à venda no site da casa, por valores a partir de R$ 30,00.

Lançado em 1987 pelo escritor norte-americano Stephen King, Misery se tornou um clássico do terror ao tratar sobre o efeito da ficção em uma mente obsessiva. A obra traz a história de Annie Wilkes, que aprisiona o escritor Paul Sheldon em sua casa, obrigando-o a reescrever o final do último livro da série de que ela é fã. A história recebeu diversas adaptações pro teatro e também para o cinema, consagrando a atriz Kathy Bates na oscarizada interpretação de Annie no longa de 1990, dirigido por Rob Reiner e roteirizado por William Goldman.

Para o teatro, a obra já foi adaptada em mais de 10 países, sendo interpretada por renomados atores, como Bruce Willis e Laurie Metcalf e os mexicanos Demián Alcázar e Itatí Cantoral. No Brasil, Misery já teve outras duas adaptações, uma em 1994 e outra em 2005, mas a versão deste ano se destaca por ser a primeira tirada diretamente do roteiro do filme de William Goldman.

Cada montagem traz um olhar, uma interpretação sobre aquele texto, e só isso já gera a curiosidade. A questão não é a história em si, o mais importante é como você vai contar essa história”, comenta Mel Lisboa, que interpreta Annie. “Então a é maneira como a gente conta a história , como a gente trata os personagens, que acaba surpreendendo as pessoas.”

A montagem de Eric Lenate busca marcar bem os 36 anos que separam a primeira história da atual, atualizando narrativas e construindo personagens tridimensionais. A versão de 2023 traz um novo olhar para Annie Wilkes, deixando para trás certos estereótipos que a colocavam em um lugar de histeria e instabilidade. Construindo personagens cheios de nuances, a peça permite que o público observe mais profundamente e amplie as possíveis leituras da obra.

“Existe uma visão mais estereotipada e machista da Annie Wilkes. Então como que você conta a mesma história sem deixar a personagem cair nesse lugar de grande vilã e o Paul Sheldon (aparecendo como) um pobrezinho, vítima dessa mulher louca, obcecada e desesperada?”, reflete Mel. “O que a gente pode fazer para tornar tudo mais ambíguo? De que maneira você envolve a plateia para que se compadeça pelas questões da Annie ou acabe criando certa simpatia ou empatia? Essas foram as nossas ideias para fazer uma adaptação com outro olhar e história pra Annie Wilkes.”

Traduzida e adaptada para o português por Claudia Souto e Wendell Bendelack e com direção de produção de Bruna Dornellas e Wesley Telles, Misery estreou em 2022 e entrou em turnê, que já passou por cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Uberlândia, Belo Horizonte e Vitória, sendo vista por mais de 30 mil pessoas. Sucesso de público e de crítica, Misery ainda conquistou o Prêmio Cenym, da Academia de Artes no Teatro do Brasil (ATEB) nas categorias de melhores Sonoplastia e Qualidade Técnica. “É muito gratificante fazer teatro e saber que você está fazendo algo que deixa a plateia satisfeita, que deixa o público feliz, fazer uma coisa que agradou.”

Além de dirigir, Eric Lenate também assina o cenário da produção, que, em formato circular, explora a dicotomia entre esconder e revelar ao público de acordo com a necessidade narrativa, causando uma certa sensação de ilusão de ótica e tensão na plateia.

Filha de Bebeto Alves, falecido no ano passado, e que fez do Theatro São Pedro palco de inúmeros espetáculos na sua trajetória musical, Mel Lisboa retorna ao espaço com muita emoção. “Para mim é bem significativo, simbólico e emocionante finalizar a turnê no São Pedro”, afirma a atriz.