Criando sons, sentimentos e versões, Karol Engel busca espaço na cena gaúcha

Jovem nome da cena musical urbana gaúcha, Karol Engel lança seu segundo single, 'Sensações'

Por Andressa Pufal Leonarczik

Karol Engel divulga seu segundo single, Sensações, gravado com uma equipe majoritariamente feminina, e busca seu espaço entre as novas mulheres compositoras na música gaúcha
Ser mulher é ser capaz de dar vida. E não só no sentido patriarcal de maternidade. Mas no sentido mais puro da palavra. Criar, colocar no mundo, fazer acontecer. A gente carrega isso dentro de nós e, por mais que existam muitos obstáculos pelo caminho, parece natural e fica fácil. Ainda mais quando mulheres se juntam e fazem os obstáculos parecerem mínimos e o caminho mais curto. Foi isso que a compositora Karol Engel fez, e que agora começar a dar o fruto: buscou uma rede de afetos femininos e produziu seu segundo single, lançado no final de janeiro.
Sensações traz à tona emoções contrastantes, que estão nos dois lados da moeda. Força, amor próprio e resiliência são a essência dessa música que atravessa o peito e mostra que dá pra ser diferente. A gravação da faixa, que está nas plataformas digitais desde o final de janeiro, contou com uma equipe de produção, majoritariamente feminina. Além de Karol na composição e voz, o registro traz Kristal Werner, na produção musical e arranjos e Mariana Brito, que fez os arranjos de piano pro single. As duas foram professoras de Karol, o que fez a conexão ser ainda mais profunda.
A presença feminina seguiu até nos espaços que vão além da música: a identidade visual e conceitual do projeto é de Garbi Music. A capa é da designer Dio Germano e a assistência técnica ficou a cargo da artista Elisa Terra. Já a porcentagem não feminina de Sensações cabe a Duda Raupp, que se encarregou da masterização e mixagem. Essa união, conta Karol, foi totalmente ao acaso, um conjunto de femininos se juntando como se uma força as puxasse para perto, para cima e para a frente. Desde o início da graduação em música, Karol buscou, conscientemente ou não, trabalhar com mulheres - no seu objeto de pesquisa e na banda 100% feminina que montou.
"Nada disso foi intencional", conta Karol. "Só quando eu estava finalizando o trabalho é que percebi que tinha muitas mulheres. São mulheres com quem eu me identifico e estão aqui pra somar comigo". As mãos femininas que teceram essa obra, deram vida, também, a outro lado da artista. Entre o primeiro single — Volta, lançado em junho de 2022 — e a produção de agora, Karol diz ter sofrido uma transformação imensa: além do amadurecimento musical, a compositora se engrandeceu até transbordar as barreiras do olhar do outro. "Eu me vejo muito livre. Livre pra me desprender de opiniões e críticas e lançar algo porque eu gostei, achei bonito e senti que eu deveria lançar." Se a primeira música foi lançada com a ansiedade de quem quer mostrar pro mundo a que veio, a segunda chega de um lugar mais tranquilo.
Introduzida no mundo da música através da família, quando aos 15 anos cantava numa banda de reggae com o pai e o irmão, Karol quer cultivar agora a sua carreira autoral, depois de perceber que o que mais gosta de fazer é compor. A canoense luta por um espaço na cena musical alternativa da Capital, de onde ela tira as suas inspirações. O verbo 'lutar' empregado na frase se faz necessário porque, apesar da produção feminina do single de Karol, o mundo da cultura ainda apresenta muitos empecilhos pra mulheres que buscam um lugar de destaque. "Acho que ainda falta muito espaço pra mulheres na música. Acredito que tem muito a ser melhorado: enxergar mulheres como instrumentistas, como produtoras etc.", comenta a compositora. "Consegui montar esse time naturalmente por causa do meio que eu estou inserida e por esse ter sido meu objeto de estudo."
Na música, Karol Engel buscou causar nas pessoas sentimentos de todo o tipo. Porque o bom é isso: sentir. Sentir o bom e o mau. Perceber através dos sentidos, das sensações, aquilo que está dentro de nós. Numa espécie de metamorfose, ela deu vida a uma nova versão de si mesma e, com isso, dá um pouco mais de vida a quem é atingido pelos sons que ela fez.