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Pinturas em prédios deixam a paisagem mais colorida em Porto Alegre
Quatro intervenções já estão finalizadas em diferentes pontos da capital gaúcha
O festival Arte Salva, em sua terceira edição, está deixando Porto Alegre mais colorida. No projeto, laterais de prédios são transformados em murais artísticos, o que faz com que as pessoas olhem para cima e tenham uma pausa na rotina mesmo em tempos em que a velocidade e tecnologia prevalecem.
“O festival começou em 2020, no auge da pandemia, e a ideia era, mesmo em tempos difíceis como o que vivíamos, manter a cultura viva e dar uma oportunidade de trabalho para os artistas”, conta o idealizador e curador da iniciativa, Vinicius Amorim. Somando os três anos de atividade, 10 murais integram o que se torna uma galeria a céu aberto na capital gaúcha. "Viemos aos poucos mostrando que arte é para todo mundo. Findou o tempo onde a arte era elitizada e para poucos."
Atualmente, participam das intervenções cinco artistas diferentes, em cinco pontos distintos da cidade. Quatro deles já estão finalizados, o outro começará o processo ainda neste ano. Amorim explica que a curadoria é baseada na pluralidade, seja na hora de selecionar os artistas, seja na linguagem apresentada. “Buscamos trazer artistas experientes e com certa trajetória estruturada. Porque, enfim, pintar a 60 metros de altura é um grande desafio e muitos artistas não tiveram essa oportunidade”, expõe Amorim.
Os murais já finalizados estão espalhados nos bairros Cidade Baixa e Centro Histórico, lugares com grande fluxo de pessoas. Na avenida Loureiro da Silva, nº 1.960, fica o mural assinado por Apolo Torres. O artista paulista é especialista em arte clássica e street art, e em seu trabalho para o Arte Salva representou um músico com um instrumento de sopro. Essa foi sua primeira vez em Porto Alegre e conta que expressa na arte sua admiração pela música. “Essa foi a maior pintura que eu já fiz e trabalhar do alto é uma experiência maravilhosa”, destaca.
Ainda na Cidade Baixa, na rua José do Patrocínio, está um mural com formas geométricas e um pássaro feito por Tio Trampo, nome já conhecido na área, por ser um dos precursores do grafiti no Brasil.
Criola, outra artista, deixou sua marca na avenida Borges de Medeiros, nº 855. A mineira, que foca na arte urbana, busca trazer pautas sociais e políticas nos seus trabalhos. Principalmente sobre a posição e a importância da mulher negra na sociedade, o que é possível visualizar em sua pintura no Centro Histórico.
A artista gaúcha Gabi Stragliotto se inspirou no cotidiano para colorir um prédio na Praça Marechal Deodoro, nº 170, com a imagem de uma mulher com fones de ouvido. “Tenho pesquisado muito sobre a experiência da vida urbana, em contraponto com a vida no interior, que é de onde eu vim e vivi a minha infância”, explica Gabi Stragliotto. Segundo a artista o seu principal objetivo com o mural, é que as pessoas reflitam sobre o tempo e a desaceleração do cotidiano. “Espero que as pessoas encontrem uma serenidade no meio do caos, quando cruzarem com o mural. ”
O quinto mural será feito na avenida Ipiranga pela muralista Carla Barth. “Será no Projeto Ilhota, uma comunidade próxima ao Tesourinha e ao teatro Renascença. Lá, faremos uma intervenção junto com a comunidade, e a Carla Barth foi a artista convidada para ser parte do projeto, onde ela vai dialogar com eles e entender as lutas de resistência presentes e tentar tangibilizar tudo isso num painel”, adianta Amorim.
Carla Barth conta que o processo criativo foi pensado com a comunidade Projeto Ilhota, e procurou usar elementos que contam a história da sociedade. “Vou pintar um lugar de resistência. Com mulheres e mães pretas, que fazem parte de um lugar com uma história de luta por moradia.”