Capítulo 2 Viaduto Dom Pedro I

Por Juliano Tatsch

Um imperador de modos simples, mas que gostava de mandar
Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim. Ou, simplesmente, Dom Pedro I.
Em Porto Alegre, ele é nome de escola, de condomínio e de um famoso e importante viaduto na avenida Borges de Medeiros, região central da cidade.
Figura mais conhecida, aclamada e transformada em mito da história brasileira, o príncipe português que declarou a separação do Brasil de sua terra natal é uma figura única.
Em sua curta vida - morreu em 24 de setembro de 1834, aos 35 anos de idade - foi herói e também foi vilão. Foi um homem apaixonado e atencioso, e também um marido adúltero inveterado.
Foi príncipe de Portugal, imperador do Brasil, e rei de Portugal. Nessa ordem.
Pedro viveu pouco, mas intensamente.
O menino príncipe tinha apenas nove anos de idade quando se viu obrigado, junto com toda a família, a fugir de seu país, em meio à invasão pelo temido e poderoso imperador francês Napoleão Bonaparte, em novembro de 1807.
Pedro foi o quarto filho do rei de Portugal, Dom João VI, com a rainha Carlota Joaquina. Quis o destino que tivesse nascido em 1798, em um dia 12 de outubro, data que viraria feriado no Brasil, mas não por sua causa.
A vida foi, ao mesmo tempo, gentil e trágica para Pedro. Ele não seria imperador nem rei se seu irmão mais velho D. Antônio, o primeiro filho homem de D. João VI, não viesse a morrer aos seis anos de idade. Se a tragédia não tivesse se abatido sobre os Bragança em junho de 1801, tudo poderia ter sido diferente.
O primeiro imperador do Brasil chegou criança em terras tupiniquins e aqui passou sua adolescência e a maior parte de sua juventude. Sabe-se que Pedro foi um menino levado, agitado, pouco polido para um príncipe. Já na adolescência, se manifestou o mal que iria lhe acompanhar por toda a vida: a epilepsia. Não raros foram os ataques do príncipe em público.