Afinal de contas, o que foi a Independência?

Por Juliano Tatsch

A independência não foi um levante de um povo organizado para obter a liberdade. Tampouco foi uma piada, feita por bêbados ignorantes que não tinham ideia do que estavam fazendo.
A própria historiografia não define ao certo do que se tratou aquele momento. O inglês John Armitage, que viveu aqueles agitados dias no País, classificou a independência como uma "revolução liberal". Já o militar, diplomata e historiador Francisco Adolfo de Varnhagen, definiu como uma "transição pacífica". O também diplomata e jornalista Manuel de Oliveira Lima (1867-1928), se refere ao fato histórico como um "desquite amigável".
Não havia consenso na época dos, nem algumas décadas depois e nem 200 anos depois.
A vida das pessoas pouco mudou. A escravidão continuou. O País seguiu sendo economicamente rural, com a população mais humilde alijada dos bancos escolares e as elites dando as cartas.
A independência não resultou no surgimento de uma democracia republicana. O reino português foi substituído por um império comandado por um português. Essa sensação de continuidade, no entanto, não significa que o processo de se deu sem rompimentos.
O professor do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP) João Paulo Garrido considera, por exemplo, que a independência é um "processo formativo". O pesquisador aponta que a criação de uma nação até então inexistente, junto com o surgimento de uma identidade nacional fundamentam a definição da independência como uma revolução. "Poucas coisas são capazes de impactar tanto a vida das pessoas quanto a criação de uma nação."
Ou seja, a independência, ainda que não tenha significado uma transformação radical na vida das pessoas, do ponto de vista político, cultural e institucional representou sim uma revolução. Ali nascia uma nação. À beira de um riacho.