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Temporada teatral de São Paulo em alta

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A onda dos musicais continua assolando a cidade de São Paulo. Nestes dias, a peça que mais atrai público chama-se Mamma Mia!, a conhecida história, também sucesso no cinema, da jovem casadoira que desconhece seu pai e, ao final, arranja três deles, de uma só vez.
A montagem brasileira é da mesma equipe que, sucessivamente, vem produzindo realizações da Broadway no Brasil, como Os miseráveis, constituída especialmente por Cláudio Botelho, que responde pelas sempre excelentes versões do texto em inglês para a língua portuguesa, Floriano Nogueira (diretor e coreógrafo residente), Paulo Nogueira (diretor musical residente), Thiago Rodrigues (assistente de direção musical) e Geneviève Petipierre (supervisora sênior de figurino). Na verdade, toda a produção internacional, a partir do original, tem acompanhamento direto e pessoal do produtor executivo internacional, Andrew Treagus e de Robert McQueen, diretor associado, que inclusive estiveram no Brasil, acompanhando até mesmo a seleção de candidatos para o elenco.
O resultado é que a produção, que se encontra no Teatro Abril desde sua estreia, em novembro do ano passado, segue toda a modelagem original e resulta, assim, em espetáculo absolutamente fiel ao modelo da Broadway.
No caso de Botelho, a perfeita sincronia da língua portuguesa com o ritmo das melodias originais, sem sacrifício da compreensão do texto, é uma verdadeira proeza e serve para desmistificar a velha história de que nosso idioma é difícil de ser colocado em determinado tipo de verso.
Por outro lado, a produção internacional é tão cuidadosa quanto estabelecimento de tipos padrão, físicos e de voz em relação aos personagens que, assim, são escolhidos segundo determinados critérios. No caso brasileiro, depois dos testes, os escolhidos foram Kiara Sasso, para viver Donna Sheridan; Pati Amoroso, que encarna sua filha, Sophie; e Saulo Vasconcellos, que interpreta Sam Carmichael. As duas intérpretes femininas são perfeitas e apresentam vozes e tonalidades realmente de alta qualidade. Mas quem rouba a cena, verdadeiramente, na montagem brasileira, é Andrezza Massei, que incorpora Rosie, uma das amigas de Donna, e que chega para o casamento da menina. Não é a mocinha da história, mas sua função cômica no enredo cativa a todos e centraliza as atenções, repartidas com Rachel Ripani, que interpreta Tanya, a outra amiga, que vem de sucessivos casamentos e separações.
O cenário da montagem brasileira, ainda que fiel ao original, enfrentou um problema inesperado. Por incrível que pareça, o palco do antigo Teatro Paramount, uma das glórias da cena paulista, reconstruído e transformado no Teatro Abril, é relativamente pequeno, tanto na boca de palco quanto na fundura e, sobretudo, não possui palco giratório, o que obriga a produção a constantes blackouts para a troca de cenário, ainda que tudo se faça sem perder ritmo e sem interromper propriamente a cena, graças à trilha sonora. 
Por outro lado, ainda que o teatro seja enorme, suas sessões, inclusive as duplas, de finais de semana, estão sempre lotadas. Chegam ônibus do Interior trazendo o público. E a produção, seguindo o modelo norte-americano, oferece como souvenirs todo o tipo de bugiganga possível e imaginável, de sombrinhas e conjuntos de xícaras para café, DVDs com imagens da obra e com sua trilha sonora etc. Seja como for, é um belo divertimento e o ingresso, relativamente caro, é justificado pelo bom acabamento da obra e pelo investimento de meses e de centenas de profissionais reunidos para concretizarem um tal tipo de espetáculo.