A Arte como Sentido da Vida

Escritora espanhola abre o Fronteiras do Pensamento semeando o questionamento

Por Ivan Mattos

Jornalista e escritora espanhola, Rosa Montero abriu o Fronteiras do Pensamento 2023
A escritora espanhola, Rosa Montero abriu na noite desta quarta-feira (31) a temporada de 2023 do Fronteiras do Pensamento, em Porto Alegre, no Teatro Unisinos. Considerada como um dos nomes mais importantes da literatura espanhola contemporânea, Rosa deu início ao ciclo de seis palestras que reunirá pensadores e personalidades do cenário internacional na abordagem do tema Entre o Caos e a Ordem no prosseguimento das palestras.
Em sua fala, a simpática Rosa Montero se debruçou fundamentalmente sobre os benefícios e significados do ato de escrever, de produzir literatura e exprimir as indagações, angústias e desejos do homem sobre a terra e as relações com seus semelhantes. O papel da escrita na vida da escritora deu margem para que citasse Clarice Lispector, Fernando Pessoa, entre outros, tentando explicar a inutilidade necessária do ato de escrever e de ler. “Os leitores ávidos somos os que não foram totalmente podados depois da infância”, disse se referindo à entrada na vida madura.
Afirmando que a arte permite nos tirar do lugar comum, abrindo espaço para o estranhamento e o sublime da vida, Rosa se referiu ao tema da incomunicabilidade atual gerada pela surdez das pessoas que vivem em suas bolhas de pensamento, reafirmando suas crenças sem ouvir ou abrir espaços em suas mentes para o diferente, para o contraditório.
Sugeriu que um bom exercício cotidiano seria “pensar e ouvir, pelo menos por dez minutos ao dia, ideias contrárias, opiniões diversas”, acrescentou. Que as redes sociais empurram diariamente as pessoas para a repetição de mantras surrados e sem questionamento. Instigada pela plateia, resumiu o tema das “inutilidades” ao fato de que estas, na maioria das vezes, geram o verdadeiro sentido da vida. Que momentos oceânicos surgem de coisas simples. Abordou o racismo na Espanha, a perseguição das minorias e que as mulheres, invariavelmente, estão na berlinda dos ataques masculinos. A vida é um mistério enorme, resumiu Rosa Montero, esclarecendo ao público que “escrever é uma maneira de pensar” e que “deixar de ler é a morte instantânea”.
No dia 21 de junho, o Fronteiras do Pensamento receberá Nadia Murad, Prêmio Nobel da Paz, em 2018, conhecida por ter sido prisioneira do Estado Islâmico e por sua luta contra o uso da violência sexual em guerras e conflitos armados.