O que considerar para garantir eficiência das rotas

Por JC

Reina aponta a necessidade de redução de custos nas operações
Caio Reina
CEO e fundador da RoutEasy e mestre em Logística e Engenharia e Transportes pela Poli USP
Planejar rotas eficientes é um trabalho árduo, porém necessário. Diariamente, as operações logísticas precisam realizar dezenas ou até milhares de entregas e coletas levando em consideração uma série de fatores importantes para a empresa e para o cliente - e quanto maior a demanda, maior a complexidade do planejamento de rotas.
Essa é uma atividade que não se trata apenas de encontrar o trajeto mais curto entre os pontos A e B, mas sim de atender exigências específicas da frota, das vias e dos clientes, para aproveitar melhor os recursos e diminuir custos.
Conforme as demandas de uma operação aumentam, o planejamento de rotas se torna mais complexo para ser gerenciado apenas com ferramentas simples e manuais, como planilhas no Excel ou Google Maps. Isso porque é necessário lidar com cálculos de custos, capacidades de veículo, janelas de atendimento, jornadas de trabalho da equipe etc. E a tendência é que toda essa complexidade fique cada vez maior em um cenário de same day delivery.
Para garantir entregas mais rápidas, as operações logísticas têm investido em novos centros de distribuição, dark stores e veículos menores que possam trafegar mais livremente pelos grandes centros urbanos.
Com tantas variáveis em jogo, a otimização de rotas pode ser um fator decisivo para o sucesso ou fracasso de um negócio. Isso porque, segundo a Fundação Dom Cabral, os custos com logística chegam a representar 12,3% do faturamento das maiores empresas embarcadoras de carga do Brasil.
Cada operação é única e, para fazer uma gestão eficiente de todos os recursos disponíveis, é muito importante entender quais são suas particularidades e seus gargalos, antes de tomar decisões importantes - e esse é um processo que pode exigir muitas horas de trabalho.
O que deve ser considerado no planejamento de rotas:
Priorização das restrições
A eficiência de uma rota depende do atendimento a todas as restrições do cliente (como janela horária, tempo máximo para carga e descarga, disponibilidade de estacionamento etc), da frota (como limite de capacidade do veículo, tipo de carga, veículos disponíveis etc) e do trajeto (como tempo máximo de viagem, locais de parada programada etc).
Um bom planejamento deve levar em consideração o maior número possível de restrições, de acordo com a prioridade preestabelecida.
Redução de custos operacionais
Reduzir custos é praticamente uma necessidade universal. No caso das operações logísticas, esse trabalho envolve uma análise dos custos fixos e variáveis.
É preciso aproveitar melhor a capacidade dos veículos a fim de diluir os custos fixos, como manutenção, seguro, impostos, salários dos motoristas etc, ao mesmo tempo em que se deve circular o menos possível, para reduzir custos variáveis, como combustível e pedágios.
Relação entre a natureza da demanda e a operação
Um planejamento de rotas eficaz deve considerar também a natureza da demanda, ou seja, se uma rota vai operar com entregas, coletas ou as duas opções simultaneamente. Além disso, é preciso analisar também o tipo de carga a ser transportada (se é única ou fracionada, se requer refrigeração ou outros cuidados personalizados etc.).
Definição de diretrizes
Existem variáveis que impactam diretamente o planejamento de rotas, mas que dependem das decisões preestabelecidas pelas lideranças e regimentos internos da empresa. São alguns exemplos: tamanho da frota, horário de início e de término da jornada, tipos de veículos, tempo de parada e permissão para viagem com mais de um dia de duração.
Com tantas variáveis em mãos, realizar um planejamento otimizado de rotas é uma tarefa praticamente impossível de ser feita por humanos. Por isso, as operações têm investido cada vez mais em tecnologias que utilizam algoritmos capazes de testar, em poucos segundos, diversas combinações até chegar ao melhor resultado.
 

Comércio exterior: um balanço do ano de 2022 e os desafios futuros

O ano de 2022 apresentou inúmeros desafios para o comércio exterior. Se nos anos anteriores nós tivemos graves impactos pela pandemia, este ano o conflito militar na Europa foi um dos grandes problemas enfrentados pelos negócios internacionais. O aumento da demanda, a necessidade de ampliar mercados e as crises ambientais e logísticas, tornaram mais difíceis a ampliação da nossa participação no comércio exterior.
Porém, por mais que tenhamos desafios, existem motivos para comemorar: em novembro, registramos um superávit de US$ 6,675 bilhões, com um total de US$ 28,164 bilhões em exportações e US$ 21,489 bilhões em importações. Com isso, a corrente comercial atingiu US$ 49,654 bilhões, segundo os dados do Ministério da Economia.
Esse resultado positivo foi registrado em um ano que historicamente apresenta dificuldades: o ano da eleição presidencial. Porém, a expectativa para o próximo ano é de mais desafios no horizonte. Um dos principais desafios será demonstrar a importância da isenção de impostos para micro e pequenas empresas. E uma das preocupações do setor está com a possibilidade de, no novo governo, serem revistos reduções de impostos que foram de grande importância para os números da balança comercial.
A ideia é aumentar a arrecadação do governo para que, desta forma, consiga se manter as propostas da PEC da Transição, que representa uma dívida de R$ 200 bilhões anuais, por quatro anos. Porém, como sabemos, medidas dessa natureza têm um impacto negativo no médio e no longo prazo e isso põe em dúvidas projetos importantes, como é o caso do drawback para empresas menores. Tudo isso, acaba diminuindo as possibilidades dos empresários brasileiros e atinge, principalmente, aqueles com menor faturamento.
Com um horizonte incerto, principalmente pela transição governamental, cabe-nos apenas a reflexão sobre esse ciclo que está se encerrando. Se, em 2022, tivemos pontos positivos, principalmente quando tratamos de isenções que fortalecem nossa economia, também tivemos impactos internacionais em nossa economia.
E, com o encerramento do ano, ainda não temos algumas respostas para conflitos que impactaram de maneira catastrófica a logística e o comércio entre os países. A guerra na Ucrânia continua, tal como as tensões na Ásia. E, por mais que observemos um afrouxamento na política de Covid zero na China, ainda é cedo para comemorar. O ano de 2023 será um momento decisivo, principalmente quando observamos cada vez mais restrições aos produtos do Brasil. Assim, o desafio principal do próximo governo já está traçado: ampliar a política externa e mostrar a nossa capacidade econômica.
É necessário respeitar o agronegócio e, ao mesmo tempo, valorizar nossos avanços tecnológicos e de sustentabilidade. Desenvolver ainda mais setores da nossa economia, investir em refino e, em conclusão, ter responsabilidade econômica e fiscal para podermos voltar a ter um crescimento adequado ao tamanho e potencialidade do nosso país. Não podemos ter regressos, principalmente em relação a isenções estratégicas e precisamos estar preparados para os novos desafios que se apresentam no horizonte.