Projeto Jovem Tech entra na segunda etapa

A nova fase da iniciativa idealizada pela UniRitter beneficiará 60 alunos

Por Cecília Malta Martini

Universidade observou o interesse dos jovens em aprofundar seus conhecimentos na área de tecnologia
 O dia 3 de março marcou o início da segunda etapa do Projeto Jovem Tech, idealizado pela UniRitter. A iniciativa, que existe desde 2022, tem como objetivo capacitar jovens em vulnerabilidade social da comunidade Grande Cruzeiro para o espaço digital. Com o apoio da prefeitura, através do Gabinete da Primeira-dama - e do movimento POA que Cuida -, e de outros parceiros como a HMídia, a Cufa e, a partir dessa nova etapa, a Cootravipa, os alunos são recebidos no campus Zona Sul da instituição.
A UniRitter já tinha uma parceria com a Cufa, com oficinas na área de tecnologia da informação realizadas no Centro da Juventude por professores de extensionistas da universidade. Além disso, a instituição cedia espaço para as formaturas desses jovens, com viés social dentro da comunidade. Assim, foi observado o interesse dos adolescentes por aprofundar seus conhecimentos na área da tecnologia. "Quando surge a ideia do Jovem Tech, é entendendo que a periferia é tecnologia, é evolução, é um movimento que está conectado", ressalta o coordenador da Cufa-RS, Paulo Daniel dos Santos.
A primeira etapa do Jovem Tech foi realizada em 2022 com 35 alunos que agora seguem para o segundo módulo. Ao todo, 60 alunos vão integrar o projeto, e a meta é que se chegue a cerca de 80 em uma terceira etapa. A seleção é feita por meio de um edital, em que se estabelece uma faixa etária entre os 16 e os 21 anos. Os jovens são indicados pela Cufa e pela Cootravipa, e em sua maioria realizam alguma atividade em entidades que atuam na Grande Cruzeiro.
As aulas são realizadas duas vezes por semana no período da tarde e capacitam os alunos em noções básicas de TI. O conteúdo ensinado inclui, por exemplo, introdução ao mundo digital e ao mundo computacional no primeiro módulo, enquanto segundo também aborda a linguagem de programação Python e se aprofunda nos conceitos já introduzidos. Quem fica encarregado de ministrar as disciplinas são os estudantes do curso de Tecnologia da Informação - que ganham horas complementares pelo trabalho -, com a supervisão dos docentes.
De acordo com o coordenador do projeto, Luciano Bessauer, a instituição ainda presta suporte por meio de grupos com os alunos, onde divulgam vagas de emprego - além de continuarem realizando acompanhamento com aqueles que já concluíram sua passagem pela UniRitter. Além disso, também são oferecidos apoio psicológico e odontológico, e os parceiros envolvidos no Jovem Tech ficam encarregados de fornecer o transporte e o lanche dos alunos. O principal objetivo é aumentar a empregabilidade dos jovens no futuro e para isso é preciso de apoio e incentivo.
A solenidade de abertura do evento foi realizada no auditório principal do campus Zona Sul na segunda-feira do dia 3 de abril. O evento reuniu os alunos contemplados no projeto, os alunos responsáveis por ministrar as disciplinas e representantes de cada colaborador do projeto. Cada um dos colaboradores pode falar diretamente com os alunos e todos buscaram destacar a grande oportunidade que é poder estar dentro da universidade ocupando um lugar que a periferia na maior parte dos casos não ocuparia. "Na favela não tem carência, a favela é potência. A periferia não precisa viver de favor", declarou a coordenadora institucional da Cufa, Ivanete Pereira.
 

Recebidos pela porta da frente

As aulas do curso já iniciaram logo após a solenidade de abertura da segunda fase, assim que os alunos se encaminharam aos laboratórios de informática. Os novatos ainda estavam mais tímidos, enquanto os alunos da primeira etapa já se mostravam confortáveis no ambiente da universidade. A sensação que prevalece, no entanto, é a de acolhimento: esses jovens entram pela porta da frente como qualquer outro estudante da UniRitter e recebem seu devido espaço, podendo explorar tudo que quiserem dentro do campus.
Para o coordenador do projeto, essa é uma das grandes oportunidades oferecidas, além de todos os ensinamentos realizados em aula. "Além do conhecimento tem essa questão de deslumbrar que eles podem ocupar qualquer espaço", afirma Luciano. Paulo também destaca que a primeira vitória está nessa recepção que os jovens têm dentro da UniRitter, que complementa o fato de eles estarem sendo enxergados como tendo potencial para o mercado de trabalho na área da tecnologia. "O mundo inteiro se torna nossa quebrada. Quebrem o código social. Ele precisa ser corrompido e quem melhor pra fazer isso", ele incentiva os jovens.
Tudo isso reflete na perspectiva dos adolescentes da comunidade da Grande Cruzeiro, que são incentivados a sonhar com um futuro dentro de universidades ou em um mercado de trabalho para o qual já estão sendo qualificados. Para Raika Flores, de 16 anos, que faz parte do Jovem Tech desde o ano passado, estar dentro de uma universidade já significa romper o padrão de sua família - em que poucos têm ensino superior - e uma das coisas mais especiais para ela é poder frequentar os espaços da instituição livremente. "Meu plano pro futuro é entrar na faculdade e montar e administrar meu próprio negócio", ela complementa. Davi Azevedo, de 18 anos, tem um sentimento parecido, o aluno reconhece que ter um conhecimento diversificado na área de TI é importante para o mercado de hoje. "Esse curso vai me possibilitar ter novas oportunidades, ter um currículo legal. Saber um pouco de tudo sempre é importante", ele afirma.