Tramontina está preparada para explorar novas ferramentas

Por Roberto Hunoff

Fábrica em Farroupilha mantém 128 robôs industriais em tarefas repetitivas
Empresa centenária com sede em Carlos Barbosa, mais nove fábricas no Brasil e 19 no exterior, a Tramontina iniciou há algum tempo a adoção de diversos conceitos da Indústria 4.0, como uso de robôs, integração de sistemas e simulações. A iniciativa partiu da direção e alta gestão, com a colaboração e atuação das equipes de gestão e de engenharia, e, posteriormente, avançou para os demais níveis. "Atualmente, muitos colaboradores têm participado do processo e a tendência é aumentar o número de pessoas envolvidas a cada novo ano", salienta Odair Borsoi, diretor de Produção.
Eduardo Portolan, diretor Industrial, salienta que os primeiros objetivos foram a melhoria e integração de processos, bem como mais flexíveis e eficientes. "Hoje, quando falamos de Indústria 4.0, nossos principais ativos são obter informações em tempo real da produção, maior dinamismo e flexibilidade produtiva, assegurar a segurança do trabalhador e a qualidade dos produtos, além de reduzir os custos e aumentar a produtividade", indica.
Portolan aponta que, de maneira geral, os principais avanços foram a obtenção de processos mais estáveis, melhoria de qualidade, redução de custo e maior eficiência da empresa. Um dos pilares da Indústria 4.0 é a robotização. Somente a fábrica da Tramontina, em Farroupilha, conta com 128 robôs industriais em tarefas repetitivas, com foco em segurança do trabalho e aumento de desempenho e disponibilidade nos processos produtivos.
"Há também grandes avanços na Internet Industrial, que conecta dispositivos do processo produtivo, permitindo coleta e troca de informações em tempo real e de forma eficiente. Outros avanços estão direcionados na área da simulação virtual de processos produtivos e manufatura aditiva em resinas e metais", comenta. Borsoi observa que ainda existem muitas áreas a serem exploradas e incrementadas, definindo a Indústria 4.0 como uma jornada e nunca estanque. Áreas de inteligência artificial, machine learning e gêmeos digitais são exemplos de onde existe esse espaço. Outra importante área apontada como avanço futuro é o uso da realidade aumentada com câmeras ou óculos na realização de simulações, instruções de trabalho e manutenções de forma totalmente remota.
"A adoção dos gêmeos digitais que virtualiza um ativo real e o controla de forma instantânea de forma a prevenir falhas nos equipamentos e paradas não programadas também é um campo em avanço", projeta. Na avaliação de Portolan, os principais players do mercado estão presentes no Brasil e disponibilizam os produtos desenvolvidos em suas matrizes. Refere que o país tem mão de obra especializada na área, inclusive exportando tecnologias para fora. Muitas soluções são desenvolvidas internamente pelo corpo técnico.
A adoção das tecnologias exigiu um período de amadurecimento para entender de que forma ela beneficiaria a empresa. Borsoi indica que o investimento e a necessidade de parada dos equipamentos para adequações também afetam a velocidade da transformação. Também aponta dificuldades na conectividade entre sistemas e cobertura de sinal de rede em toda a planta.