Sumig fez primeiro movimento em 2010

Por Roberto Hunoff

Hoje, a Sumig usa uma série de soluções para o mercado de solda industrial
O primeiro contato da Sumig com a Indústria 4.0 não foi intencional, reconhece Fábio Tiburi, diretor da divisão de robótica. Em 2010, a empresa com sede em Caxias do Sul desenvolveu a tocha de solda inteligente, a qual enviava dados de um sensor para um site. Antes da solução, era o soldador que buscava ajustar os parâmetros da operação, resultando em perda de produtividade e qualidade. "Com a tocha inteligente praticamos a Indústria 4.0 sem saber. A gente capturava os dados da soldagem para o controle de qualidade, alcançando o resultado correto", explica.
O movimento intencional ocorreu em 2014, com o lançamento de uma célula de soldagem inteligente. A ideia surgiu durante visita de Tiburi a uma feira na Alemanha, onde viu a aplicação de conceitos de robótica. No retorno, a empresa decidiu investir nessas tecnologias. Atualmente, a Sumig tem uma série de soluções para o mercado de solda industrial.
O diferencial da nova linha de células é a conectividade. Todas oferecem a função de capturar informações do processo de solda, como tempo, quem está utilizando o equipamento e há quanto tempo. De acordo com Tiburi, a máquina armazena as informações e pode enviá-las para um portal desenvolvido pela Sumig ou para algum sistema escolhido pelo cliente. Também é possível adicionar à máquina outros dispositivos, como leitor de código de barras, sensores, balança, robôs de manipulação e outros equipamentos para ampliar a capacidade.
Tiburi salienta que muitas das tecnologias de hoje, como robótica, big data, inteligência artificial, impressão 3D e manutenção preditiva, tem origem há mais tempo, mas só agora se tornaram viáveis. Segundo ele, o conjunto melhora o processo produtivo e a qualidade, reduz custos e refugos, e assegura o monitoramento. Apesar de avançadas, o diretor entende que ainda existe muito espaço para evoluir. "O estágio máximo seria a manufatura inteligente em que os equipamentos decidem entre si quem assumirá o papel da fábrica a partir da análise de dados e competências, predição, quando ocorrerá a falha e rendimento por máquina", afirma.
Também destaca os estudos dos conceitos da Indústria 5.0, que é a sociedade de inteligências, a interação com os equipamentos e o monitoramento do operador para avaliar seu aspecto emocional. "Esta condição é passada pelo equipamento ao supervisor, isto ajudará o ser humano a viver melhor", assinala.
Mas para alcançar estes estágios, as empresas precisam romper a condição atual de que 50% da manufatura mundial ainda é da Indústria 2.0. Uma parte, de acordo com Tiburi, está acordando para a 3.0, com a automação. "Para automatizar é preciso estar bem organizado, com estrutura enxuta. Pequenas e novas empresas já estão nascendo com esta filosofia, usando cédula mais simples com a condição de ter conectividade no futuro. Soldadores já estão fazendo análise para caminhar para a Indústria 4.0. É grande o espaço para geração de empregos", projeta.
Alto custo de aquisição dos equipamentos e o aspecto cultural são desafios que precisam ser superados para os avanços necessários. O executivo recorda que a Sumig começou a entender o caminho do futuro ainda em 2008 a partir da robótica, que já era uma área tecnológica. "Diminuímos a resistência e, gradualmente, inserimos novas tecnologias. Hoje, temos um quadro misto de jovens e mais antigos para cargos estratégicos. O time está acostumado a absorver, pois o nosso produto já está ligado a estes processos", acrescenta.