Bertolini percebeu sinais do mercado

Por Roberto Hunoff

Bianchi salienta que mão de obra é o maior desafio: não basta ser digital, é preciso entender o processo
A percepção de que o mercado em que estava inserida sinalizava para a necessidade de avanços tecnológicos fez com que a Bertolini Sistemas de Armazenagem iniciasse os primeiros movimentos rumo à Indústria 4.0. Sem romper radicalmente com os processos tradicionais, a empresa passou a incorporar, a partir de 2019, novas tecnologias em busca de atender este anseio dos clientes.
Atualmente, as duas unidades de Bento Gonçalves e as duas de Colatina (ES) estão alinhadas com modernas tecnologias, levando em consideração principalmente o que é demandado pelo mercado em que cada uma está inserida. "Agimos para não ficarmos para trás, não sermos surpreendidos. E já estamos preparados para avanços futuros. A Indústria 5.0 logo virá, são tecnologias que se comutam", salienta Cleiton Bianchi, gerente industrial unidade de Bento Gonçalves.
Mateus Cercato, gerente de engenharia e montagem, assinala que por ser um conceito novo, a Indústria 4.0 precisa ser estrutura em pilares e buscando iniciativas que se enquadram nas necessidades da operação. "Na verdade, se faz uso destas tecnologias diariamente muitas vezes até sem perceber. Análise de dados, robotização, big data para contratações e inteligência artificial são pequenas atividades que não se conectam diretamente, mas juntas formam esta mentalidade", explica.
Cita que, com a automatização e leitura de processos, a empresa ganhou pessoas mais criativas, capazes de coletar e tratar informações, o que antes era muito difícil. Recorda que, no passado, as pessoas ficavam anotando tempos de produção, agregando pouco valor. "Este quadro migrou para a leitura e análise dos resultados a partir das informações provenientes das máquinas sobre índices de produtividade, por exemplo. A partir daí, avaliam-se possibilidades de melhoria", assinala.
Ele entende que investimento na Indústria 4.0 deve ser tratado como decisão estruturante, desde a definição em usar a computação na nuvem. Lembra que, no passado, o servidor da empresa estava atrás de uma porta, junto ao escritório. Hoje, a contratação do espaço em nuvem é mais segura, mas que requer investimentos. Para Cercato, os pilares da Indústria 4.0 ainda estão em construção na Bertolini. Alguns já bem sólidos, outros em planejamento. Bianchi cita a força de trabalho como desafio a ser superado. Mas pondera que não basta ser digital, é preciso entender o processo, o que é tarefa mais difícil. Diante desta carência, afirma que a empresa está qualificando seu quadro, promovendo o conhecimento em todas as áreas, de cima para baixo. Na sua avaliação, diretores e gestores devem ser os principais indutores dessas tecnologias dentro das organizações. "Cabe a eles o primeiro movimento para que o entendimento do processo seja robusto e de entendimento das demais áreas", assinala.
Marcos Rosin, gerente de produção da unidade de Colatina, acrescenta que a ideia vendida por alguns setores de que a robotização geraria desemprego já foi superada. Destaca que, atualmente, faltam pessoas habilitadas para trabalhar com métricas, o que dificulta a admissão. Recorda que, no passado, era comum buscar conhecimentos em cursos para operação de tornos; hoje, são necessários cursos em robótica. "Está havendo uma mudança no perfil das contratações. A saída tem sido buscar parcerias com organismos de ensino para a qualificação deste público. Também estamos nos aproximando de startups como forma de amenizar esta dificuldade", sinaliza.
Para Bianchi, dentre os vários benefícios está a assertividade na tomada de decisões em todas as áreas a partir da coleta de dados. Segundo ele, isto se traduz em mais produtividade e ambiente de trabalho mais humanizado. Na avaliação de Rosin, as tecnologias deverão tornar as estruturas mais enxutas e controladas, com melhor ambiente de trabalho.