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Introdução por estágios
Visão muito similar é exposta por Tiago Fernando de Azevedo, vice-presidente da Associação das Empresas de Pequeno Porte da Região Nordeste do Rio Grande do Sul (Microempa), entidade com 18 núcleos setoriais e mais de 3 mil associadas. Reafirma que a introdução da Indústria 4.0 precisa ser feita por estágios e que cada empresário deve analisar as melhores soluções. Mas pondera que não adianta adotar tecnologias avançadas se a empresa sequer tem um sistema 5S.
Para Azevedo, vários obstáculos precisam ser superados para que a Indústria 4.0 possa, efetivamente, ganhar espaço, principalmente nos pequenos negócios. Cita o desconhecimento dos empresários do que é a tecnologia e como ela vai mudar a organização, pois haverá integração de máquinas e seres humanos; os custos elevados de implantação, embora saliente que precisa ser visto como investimento e não como gasto; a infraestrutura fabril que necessita de mudanças para receber os equipamentos; a inexperiência na transição, pois é preciso um ambiente preparado para ser online; a ausência do projeto-piloto para que se foque o início no maior gargalo da empresa; e a falta de qualificação dos colaboradores, desde aqueles para perfis básicos, mas principalmente para a gestão das novas tecnologias.
Na avaliação do vice-presidente, o momento atual em torno da Indústria 4.0 é diferente de cinco anos atrás, quando tiveram início os primeiros movimentos mais concretos, mas que ficaram mais no modismo. Entende que, agora, a evolução é mais consistente e deixou de ser um experimento. "Isto nos permite trazer o assunto de volta ao debate, promovendo mais ações junto aos associados para mostrar como a tecnologia agrega valor aos negócios", enfatiza.
Azevedo cita a produtividade e o ambiente mais seguro do parque fabril e da entrega dos produtos ao cliente, os quais tornam a empresa mais competitiva, como principais benefícios da Indústria 4.0. Frisa que a gestão dos dados apurados permite a medição do uso da capacidade instalada e a identificação de perdas, possibilitando correção de rota e a redução de gastos. "Estes ganhos precisam ser trabalhados com todo o quadro de colaboradores. Não fazer este aculturamento pode levar a reações contrárias", ressalta.
Também defende ações para mostrar que as tecnologias não são concorrentes na ocupação de vagas de trabalho. "O pessoal precisa compreender que vai sair do operacional para uma atividade de comando do equipamento", reforça. Mas reconhece esta tarefa como desafiadora, pois muitos trabalhadores não têm demonstrado interesse pela busca do conhecimento. "Os empresários terão de formar times mais seletos e investir em tecnologias para que os negócios não fiquem à deriva. Até porque já existem ensaios para a Indústria 5.0, a qual começa a humanizar o processo robótico. Por meio da interface entre ser humano e o sistema robótico haverá uma troca de conhecimentos. Este profissional terá de ser ainda mais crítico para esta interação", alerta.