Schneider amplia oferta para atrair clientes
Uma das principais churrascarias instaladas hoje em Porto Alegre surgiu a partir do sucesso de um negócio vizinho. Fundada em 1976, na zona Norte, a Schneider foi criada ao lado da Bom Gosto, um dos primeiros locais a oferecer espeto corrido na Capital. Por trás da concepção das duas casas, o mesmo empresário: Aloísio Schneider. Com o passar do tempo, o perfil da Schneider foi mudando. Novos itens foram adicionados ao menu, dos frutos do mar aos vinhos. Tudo para atrair a clientela e manter o movimento em alta.
No final dos anos 1960, a Bom Gosto havia se tornado o principal ponto de alimentação dos caminhoneiros que passavam pela cidade. O espeto corrido, no entanto, chamava a atenção também de quem morava na região. “Era bom, e o povo todo começou a frequentar. Então, como estava muito movimentado, resolvemos criar a Schneider, para atender a esse novo público”, conta Gastão Scheid, sócio-fundador da Schneider. Após o falecimento de Aloísio, a família Schneider manteve sua participação na sociedade, ao lado de Scheid e de Adilvo Bortoncello, que passou a compor trio há uma década.
Atualmente, a Schneider conta com dois pontos. Além da sede porto-alegrense, há, desde 1989, uma casa em São Leopoldo. Inicialmente, a ideia era instalar uma filial também na Capital, mas os planos mudaram. “Queríamos fazer a churrascaria lá naquela região onde é o shopping Iguatemi, mas o Schneider só botava negócio em terreno que fosse dele. Como ele já tinha a área em São Leopoldo, resolvemos ir para lá”, recorda.
A tática acabou dando certo. Mesmo surgindo após a filial, a maior parte do faturamento da empresa vem da sede situada no Vale do Rio dos Sinos. “A filha acabou ficando mais bem nutrida que a mãe”, brinca Bortoncello. Os números explicam a tese. Por mês, de 10 mil a 12 mil pessoas frequentam o estabelecimento, contra 7 mil a 8 mil da casa na Capital. O faturamento anual em São Leopoldo também é 30% maior, chegando próximo dos R$ 6,5 milhões.
Chances para se expandir a marca ainda mais não faltaram ao longo da trajetória da empresa. No entanto, a preferência sempre foi por manter o cunho familiar dos negócios. “A gente já discutiu várias vezes essa possibilidade, mas chegamos à conclusão de que é melhor cuidar bem do que temos do que abrir algo novo e perder o foco”, acredita Bortoncello. Em algumas oportunidades, a criação de uma nova filial bateu na trave. Uma dessas vezes foi quando o BarraShopping veio para a cidade. Na época, as partes abriram negociações, mas o alto preço do aluguel impediu que a iniciativa saísse do papel.
Para driblar os períodos de menor movimento e também para manter os negócios aquecidos, a tática utilizada ao longo dos anos foi adicionar novos produtos. No início, eram oferecidos apenas seis cortes de carnes no rodízio. Hoje, são 22 variedades. Além disso, um dos marcos da empresa foi a implementação de frutos do mar no cardápio, algo que ocorreu há 20 anos. “Costumo brincar com os clientes que isso aqui é uma churrascaria que até carne tem. O churrasco virou complementar ao resto, mas ainda puxa a demanda”, diz Bortoncello.
Gestão e atendimento se tornaram prioridades
O cunho familiar da churrascaria Schneider não impediu que a empresa buscasse aperfeiçoar a sua gestão nos últimos 38 anos. Essa necessidade começou a ser vista com maior intensidade ao longo da última década, quando a companhia passou a frequentar capacitações do Sebrae e começou a adotar programas de boas práticas alimentares, treinar funcionários e priorizar o atendimento de qualidade.
“Carne boa os concorrentes também possuem. Então, acredito que o nosso diferencial é o atendimento. Claro que não adianta paparicar o cliente e oferecer uma carne ruim, senão ele não volta”, acredita o sócio-gerente Adilvo Bortoncello. Atualmente, os dois estabelecimentos da Schneider, somados, possuem mais de 60 funcionários. Em Porto Alegre, para os solteiros, é disponibilizado alojamento. Isso porque, a empresa tem o hábito de trazer gente do Interior para trabalhar na cidade.
A experiência não é um pré-requisito determinante para contratar um funcionário. A preferência é sempre por treinar o colaborador em casa. Até por isso, havia a predileção de dar oportunidades a jovens oriundos de outras cidades gaúchas. “Mas essa fonte está secando, pois, hoje em dia, tem muitas cidades do Interior com qualidade de vida melhor que a da Capital. E o pessoal não precisa mais sair de lá para estudar e trabalhar”, reconhece o sócio-fundador Gastão Scheid.