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Startup vai investir na qualificação de profissionais para o agro
Estimativa é de que chegue a 82% a escassez de mão de obra no setor nos próximos dois anos
Quanto mais avançam as tecnologias embarcadas no meio rural, maior fica o vácuo de mão de obra qualificada para explorar o potencial dos recursos que movem a atividade. Esse, aliás, é um dos maiores gargalos para fazer deslanchar o trabalho em muitas propriedades do setor. Tema recorrente nas falas de empresários do agronegócio, o assunto chegou a ser destacado pelo presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Gedeão Pereira, durante a Expointer 2022.
É nessa lacuna que cresce a importância de iniciativas que estimulem e ofereçam alternativas para reforçar a educação no campo. Seguindo a linha do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que dispõe de um leque de cursos de Educação a Distância (EaD), a startup paulista Agroadvance acaba de receber um aporte de recursos de investidores e planeja criar uma grande plataforma educacional do agronegócio.
Criada em 2019, a empresa já certificou mais de 3 mil alunos e capacitou mais de 20 empresas em todos os estados do Brasil e em países como Paraguai, Argentina, Colômbia e Bolívia. A startup trabalha com diferentes linhas de cursos para aumentar a empregabilidade no setor, melhorar as práticas de manejo e utilização de insumos agrícolas, além de incrementar a produtividade das culturas de soja, milho e cana-de-açúcar.
Com o investimento a startup prevê crescer três vezes somente em 2022 e faturar mais de R$ 50 milhões nos próximos três anos. "Vamos desenvolver novas iniciativas educacionais, testar novas avenidas de crescimento levando conhecimento para diferentes níveis de profissionais", planeja o CEO da empresa, Fernando Reis.
De acordo com o sócio-fundador Pedro Bernardes, a escassez de mão de obra do mercado educacional no agronegócio prevista nos próximos dois anos é de 82%, o que escancara a necessidade da formação de novos profissionais. "Trata-se de um mercado de bilhões de reais, no qual não existe nenhuma instituição privada de ensino que tenha grande percentual de vendas", avalia.
Para Felipe Romano, associado da SP Ventures, uma das financiadoras do projeto, o investimento é uma oportunidade de transformar pessoas, empresas e o agronegócio. "Esse trabalho voltado ao desenvolvimento de pessoas e na geração de oportunidades alavanca ainda mais o setor que movimenta a economia do país", diz Romano.
A proposta vai ao encontro do que pensa o agropecuarista Eduardo Borges de Assis, vice-presidente da Federação das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac). De acordo com ele, a falta de profissionais capacitados para preencher vagas em diferentes segmentos do agronegócio, seja nos campos, nas lavouras ou nas demais etapas da atividade agropecuária é um problema sério.
No início do ano, ele mesmo sentiu na pele – e no bolso – o efeito desse cenário. Assis investiu cerca de R$ 880 mil na compra de uma nova colheitadeira de soja para trabalhar em sua lavoura de 400 hectares em Jaquirana, no interior gaúcho. Treinou o operador para trabalhar a pleno com o novo equipamento, mas acabou precisando recorrer ao aluguel de outra colheitadeira, menos avançada, porque o funcionário contratado adoeceu e não podia trabalhar no auge do período de colheita.
“Minha máquina nova ficou quase cinco meses parada. Eu mesmo não sabia explorar o potencial do equipamento, e tive de colher com atraso, me submetendo às condições de outro produtor, que locou seu equipamento em determinados dias e horários. Fiquei atrelado a ele”, lembra o produtor, que também preside a associação de criadores de bovinos da raça Simental.
Segundo Assis, iniciativas como essa são imprescindíveis para manter o agronegócio no ritmo da modernidade e da alta produtividade. “Quem não se atualizar vai ficar para trás."
*Com agências