'Não quero congestionar 3ª via', diz Leite sobre Planalto

Governador acredita em potencial de crescimento por baixa rejeição

Por Diego Nuñez

Tá na Mesa com Eduardo Leite na Federasul.
Aumenta a expectativa sobre o futuro político de Eduardo Leite (PSDB) na medida em que se alonga a tomada de decisão do governador do Rio Grande do Sul quanto à disputa presidencial. Leite tem proposta para ingressar no PSD para concorrer ao Palácio do Planalto, desejo expresso pelo próprio presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, e por diversos outros quadros do partido. O governador gaúcho não demonstra ter pressa e analisa as muitas variáveis que se apresentam em uma eleição recheada de potenciais nomes que querem ser a alternativa do centro à polarização.
"Eu não quero entrar nesse processo para congestionar a terceira via", afirmou Leite. "Vou usar a pista toda, pois eu tenho tempo para tomar uma decisão mais madura. Quero entender qual é a disposição de diversos atores para que eu possa assumir uma posição. Eu me sinto em condições de liderar um projeto e enfrentar essa polarização. Acredito em uma possibilidade de vitória nesse processo eleitoral. Mas não depende apenas de mim", explicou o governador, durante entrevista coletiva antes de ser o palestrante do evento Tá na Mesa, promovido pela Federasul nesta quarta-feira (16).
Mesmo pontuando pouco em diversas pesquisas, Leite vê potencial de crescimento devido a uma baixa taxa de reprovação, muito influenciada pela falta de conhecimento do eleitor brasileiro sobre o nome do gaúcho. Para ele, a alta rejeição inviabiliza, ou pelo menos deixa pouco viável, um sucesso eleitoral de candidatos a ocupar o lugar da terceira via como Ciro Gomes (PDT), Sergio Moro (Podemos) e seu correligionário João Doria (PSDB).
"Não sou eu que estou dizendo que são inviáveis ou pouco viáveis, as pesquisas estão mostrando isso. Neste momento, devemos olhar as pesquisas muito mais pelo que as pessoas dizem que não querem. A rejeição é muito importante de ser analisada porque é ela que dá a noção de capacidade de crescimento. Com uma campanha curta, uma candidatura que comece tendo que trabalhar a questão da rejeição para depois ainda ter que crescer e se tornar competitiva num cenário polarizado, é, se não inviável, pouquíssimo viável", disse Leite.
Para ele, há "uma capacidade que precede todas as outras: é a capacidade eleitoral, que não depende apenas do candidato, depende da circunstância, do contexto". O governador usa o exemplo do ex-tucano Geraldo Alckmin, que, em 2006, ultrapassou os 40% dos votos no primeiro turno e, em 2018, não chegou a 5%.
São inúmeras variáveis no cálculo do potencial presidenciável. Leite não descartou, inclusive, ser candidato pelo atual partido mesmo perdendo as prévias tucanas para Doria. "O PSDB falou inclusive com outros partidos sobre jogo zerado. Bom, se zerou o jogo, e o partido tem disposição de falar inclusive sobre candidatura a ser liderada por alguém de fora do PSDB, por que não discutir dentro do próprio partido? Essa discussão também pode ser ensejada", sustentou o governador.

Federasul será aliada, 'seja à presidência, seja à reeleição'

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), fez um balanço do seu governo durante o Tá na Mesa, evento promovido pela Federasul. Leite recebeu do presidente Anderson Trautman Cardoso o apoio da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul - qualquer seja o futuro político do tucano.
"As pautas são muitas. É por isso que seja o senhor candidato à presidência da República, o que desejamos muito, ou à reeleição aqui no Estado, a Federasul não poderia lhe garantir apoio irrestrito, porque nosso compromisso é com as causas. Porém, enquanto o senhor estiver liderando um projeto alinhado com a visão moderna de Estado, como faz aqui no Rio Grande do Sul, a Federasul será sua aliada", disse Trautman diretamente a Leite.
Segundo ele, a federação defendeu diversas pautas propostas pelo governo Leite ao longo dos mais de 3 anos em que o pelotense ocupa o Palácio Piratini. Seria, portanto, um movimento natural.
"Estivemos juntos na grande maioria das importantes pautas do seu governo. É dessa forma que a Federasul contribui para o crescimento do nosso Estado: apoiando ou cobrando pautas alinhadas com os princípios da livre iniciativa, da economia do mercado, do respeito às liberdades individuais e estímulo ao empreendedorismo", afirmou o presidente da entidade, mais uma vez dirigindo-se ao chefe do Executivo gaúcho.