Fogo na Argentina já consumiu 800 mil hectares

São Borja, que faz fronteira com Santo Tomé, já sofre com reflexos

Por Juliano Tatsch

Conforme órgão oficial, chamas consumiram 30 mil hectares diários
Pelo menos quatro províncias argentinas seguem com focos de incêndio ativos na região próxima à fronteira com o Rio Grande do Sul. Corrientes, Formosa, Misiones e Río Negro ainda lutam para combater as chamas que se espalham descontroladamente e levaram sete províncias do país vizinho a declararem emergência. No domingo, o fogo chegou próximo à área urbana de São Borja.
Chuvas rápidas ajudaram no trabalho dos brigadistas nas últimas horas, mas foram insuficientes para dar cabo aos focos. Segundo o Serviço Nacional de Manejo do Fogo, a maior quantidade de focos se concentra em Corrientes. O impacto dos incêndios afeta também a fronteira gaúcha, em especial São Borja, onde a fuligem e a fumaça causadas pelas chamas já são sentidas pela população.
O governo federal argentino deslocou cinco aviões-hidrantes, um avião observador, três helicópteros e 159 brigadistas e pessoal de apoio para a região. As equipes se juntaram aos bombeiros locais e aos bombeiros gaúchos que se deslocaram para o município de Santo Tomé, que faz fronteira com São Borja. Ao todo, 16 bombeiros do RS, três caminhões autobomba e cinco caminhonetes do Estado estão colaborando com as equipes. O governo boliviano, por sua vez, enviou 70 brigadistas.
Outra preocupação diz respeito à situação dos animais. Conforme a imprensa argentina, ao menos 80 médicos veterinários chegaram em Corrientes para ajudar no salvamento e recuperação dos animais afetados pelo fogo.
As chamas já queimaram por volta de 800 mil hectares da província, afetando, principalmente, os departamentos de Ituzaingó e Santo Tomé. A estiagem que afeta também o RS, dificulta o trabalho das equipes, que lutam há três meses - quando surgiram os primeiros focos - para dar fim ao fogo.
Pelo menos 10% da província de Corrientes já foi afetada pelos incêndios. A Estação Experimental Corrientes do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária apontou que, em 16 de fevereiro, a superfície queimada chegava a 785.238 hectares. "O ritmo de progressão do fogo entre 7 e 16 de fevereiro foi de quase 30 mil hectares diários", disse o órgão em boletim.