Giovanna Sommariva

Devido à pandemia, brechós relatam aumento no faturamento

Sustentabilidade avança no mercado gaúcho de brechós

Giovanna Sommariva

Devido à pandemia, brechós relatam aumento no faturamento

Diversos foram os aprendizados e mudanças trazidas pela pandemia. Entre eles, uma sociedade mais preocupada em consumir de forma consciente. Um estudo realizado pelo Sebrae revelou que, entre 2020 e 2021, houve um aumento de 48,50% na procura por lojas que comercializam peças de segunda mão, os famosos brechós. Na opinião de Paula Ferreira, 44 anos, sócia fundadora do Brechó Perk, a sustentabilidade não é mais uma questão de importância, e sim de realidade. "É uma necessidade. A moda sustentável em si, ou qualquer outra sustentabilidade praticada, é a moda do futuro", garante a empreendedora, que toca o espaço ao lado da filha Larissa Ebling, 24 anos, desde 2018.
Diversos foram os aprendizados e mudanças trazidas pela pandemia. Entre eles, uma sociedade mais preocupada em consumir de forma consciente. Um estudo realizado pelo Sebrae revelou que, entre 2020 e 2021, houve um aumento de 48,50% na procura por lojas que comercializam peças de segunda mão, os famosos brechós. Na opinião de Paula Ferreira, 44 anos, sócia fundadora do Brechó Perk, a sustentabilidade não é mais uma questão de importância, e sim de realidade. "É uma necessidade. A moda sustentável em si, ou qualquer outra sustentabilidade praticada, é a moda do futuro", garante a empreendedora, que toca o espaço ao lado da filha Larissa Ebling, 24 anos, desde 2018.
Além de gerenciar um negócio com esse pilar, a sustentabilidade faz parte do estilo de vida da família. "Acreditamos muito nisso. Já faz quatro anos que compramos tudo usado. Desde que abrimos a loja, nada é novo. Móveis, computadores, celular, tudo. Estamos sempre garimpando", esclarece Larissa.
ANDRESSA PUFAL/JC
Diferentemente de outros brechós, a dupla não paga para quem quer desapegar de peças usadas, apenas realiza trocas. "Não queremos que as pessoas enxerguem o brechó como uma espécie de banco, e sim que elas de fato usem roupas de brechó, aprendam a garimpar", declara. A etiqueta de todas as peças da loja, inclusive, leva esse posicionamento com a frase "eu uso brechó".
Desde que inauguraram, em outubro de 2018, no bairro Moinhos de Vento, duas novas unidades foram abertas, além de um atacado que atua apenas com outros brechós. "Em 2021, abrimos as unidades do Bom Fim e da Zona Sul, e esse ano inauguramos o atacado, onde também temos uma lavanderia gigante, responsável por higienizar todas as peças novas", explica. De acordo com Larissa, a expansão só foi possível pelo aumento no faturamento após o início da pandemia. "Apostamos muito no digital, o que aumentou nossos seguidores, e a questão financeira também pesou. As pessoas estavam preocupadas e não sabiam o que ia ser da economia, então a procura pelos brechós e preços mais acessíveis subiu bastante", assume.
Um dos maiores desafios do negócio, segundo a dupla, vem sendo o crescimento da marca. Ainda prevendo a abertura de, pelo menos, mais duas unidades esse ano, Paula afirma que estar à frente do negócio requer comprometimento. "A gente acaba se envolvendo muito, com os colaboradores e clientes também. Amamos o que a gente faz e acreditamos muito no nosso trabalho, então nos entregamos", admite.
Apesar das dificuldades, as sócias garantem que são muito sortudas pelo público que têm. "A fidelidade e reciprocidade são incríveis. Brinco que existe um mel, uma doçura muito grande na nossa volta que faz com que as pessoas gostem da gente", diverte-se Larissa.
As próprias clientes do brechó criaram um grupo no WhatsApp para conversar e se atualizar das novidades da loja. "Tivemos pouco apoio de amigos e familiares quando criamos o brechó, então os clientes que foram surgindo acabaram ocupando esse espaço. Não tem preço que pague isso", reconhece.

Jornalista aposta no público plus size com atuação online

Antes de passar pela cirurgia bariátrica, em 2018, a jornalista Gisele Ramos, 41 anos, enfrentava uma das maiores dificuldades de mulheres que usam tamanhos maiores: encontrar roupas. "A questão, quando tu és gorda, é que tu acabas comprando aquilo que cabe, e não aquilo que tu gostas", declara Gisele. Com esse pensamento em mente, a jornalista abriu, em 2018, o Brechó XL, loja online focada em tamanhos grandes.
A empreendedora afirma que a maior motivação para abrir o negócio foi a necessidade de trabalhar com um propósito em que acreditasse. "Recebo muitas mensagens de mulheres felizes em terem encontrado o brechó, de encontrarem opções de roupas para os seus corpos. É muito gratificante", afirma, garantindo que a loja, além de trabalhar com tamanhos grandes, preocupa-se em oferecer opções bonitas para a clientela.
Com relação à sustentabilidade, Gisele acredita que a sociedade está cada vez mais consciente. "A gente está num despertar para um comércio mais inclusivo, justo e que não cause tanto impacto no planeta. É um movimento lindo que só tende a crescer, acho que é uma tendência mundial", admite. Além disso, a empreendedora ressalta que existe o aspecto beneficente, já que sempre busca garimpar em bazares que doam o dinheiro para instituições e pessoas carentes.
O brechó atua com o modelo de consignação, ou seja, mulheres que queiram desapegar de suas roupas podem fazer negócio e ganhar até 50% do valor que a peça for vendida. "Foi a forma mais correta que encontrei de poder entregar um valor justo para essas mulheres", expõe.
Durante a pandemia, a sócia garante que a loja viveu um aumento muito grande de compras, que vêm se mantendo até os dias de hoje.
"Antes, muitas pessoas nem sabiam como comprar online, então, além de aprender, passaram a se acostumar com isso", garante.
O crescimento foi tanto que, ainda este ano, Gisele pretende abrir a loja física no primeiro andar do sobrado onde mora. "Hoje em dia, eu já tenho a demanda para um espaço físico, então estou reformando tudo aqui e a previsão para inauguração é entre agosto e setembro", calcula.
 

Amigas criam rede de desapegos em Viamão

O desejo de empreender já fazia parte da vida de Caroline Vieira, 23 anos, e Michelle Maduré, 26, há muito tempo. Mas foi somente no auge da pandemia, em outubro de 2020, que finalmente tiraram o sonho do papel. Como o período era complicado e de muitas dúvidas, a dupla decidiu apostar em algo de baixo custo: um brechó online. E, em menos de dois anos, a Oh Guria, Desapega ganhou sua primeira loja física, localizada no bairro Santa Isabel, em Viamão.
De acordo com Caroline, a época para investir no negócio não poderia ter sido melhor, visto que, em função do isolamento social, muitas pessoas tiveram de mudar radicalmente suas vidas, rotinas e alimentação. "Engordando ou emagrecendo, muitas pessoas praticamente mudaram de corpo. Além de ter roupas no guarda-roupa que já não serviam mais, precisavam comprar novas", declara.
A operação foi tomando forma conforme as amigas iam enxergando a demanda da clientela. O único desejo, de fato, era criar algo que fosse capaz de impactar positivamente a vida de outras mulheres. "A gente não queria fazer só mais uma lojinha, porque isso já tem muito. Começamos a ver essa procura de mulheres querendo vender suas roupas e comprar outras por esse valor mais acessível. Pensamos em montar um brechó, que também pudesse rentabilizá-las", explica.
ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC
Pelo menos uma vez por mês, a loja abre uma semana de avaliação, divulgada pelo Instagram @ohguriadesapega, onde são aceitas, no mínimo, 10 peças por mulher. "Como a ideia é gerar renda, duas ou três peças não vão gerar um valor significativo, então estabelecemos um número mínimo, mas se entregarem 500 peças, não tem problema, avaliamos todas", garante Michelle. O pagamento é feito todo dia 15, e as mulheres que desapegarem ganham 35% do valor que a peça for vendida.
O primeiro contato com o empreendedorismo, segundo Michelle, vem sendo uma experiência gratificante. "Já rentabilizamos cerca de 500 mulheres, e temos histórias de pessoas que realmente precisavam desse dinheiro. É muito bom poder ajudar de alguma forma. O que não passa no critério de avaliação para ser vendido na loja, nós doamos pra instituições que ajudam mulheres. Estamos sempre nesse ciclo", afirma.
A dupla ressalta a necessidade de existir espaços que façam esse tipo de curadoria. "Recebemos muitas peças de qualidade aqui e conseguimos ver o quão importante é esse trabalho. São roupas novas, boas, que ainda dá para usar por muito tempo. Também avaliamos muitas roupas de fast fashion, que sabemos que não são sustentáveis, mas fazer essa peça circular já é muito gratificante", garante.

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