Giovanna Sommariva e Isadora Jacoby

Conheça soluções pensadas em tornar atividades ou hábitos mais práticos

Serviços voltados a facilitar a vida das pessoas avançam pelo RS

Giovanna Sommariva e Isadora Jacoby

Conheça soluções pensadas em tornar atividades ou hábitos mais práticos

Vida mais prática, sem tanto contato com muitas pessoas. Esse é, sem dúvida, um dos legados da pandemia da Covid-19. Em Porto Alegre, recentemente, surgiram diversas iniciativas com esse viés.
Vida mais prática, sem tanto contato com muitas pessoas. Esse é, sem dúvida, um dos legados da pandemia da Covid-19. Em Porto Alegre, recentemente, surgiram diversas iniciativas com esse viés.
Entre elas, uma lavanderia de autoatendimento, como é comum nos filmes gravados nos Estados Unidos. A Lavateria, onde os clientes mesmo lavam suas roupas, abriu na avenida do Forte, nº 394, bairro Cristo Redentor, na zona norte de Porto Alegre. A empreendedora por trás do negócio é Maria Denise Flesch, 60 anos, que investiu na franquia Lavateria Fast. "Queremos atender o trabalhador, a pessoa que mora sozinha, a mãe que tem filhos e mora em um apartamento pequeno. É a área de serviço que você não tem na sua casa", garante.
A franquia cruzou com a vida de Denise por acaso, já que nunca havia cogitado empreender na área. "Passei sete dias no Nordeste e fiz um passeio no Vale do Pati, precisava lavar minhas roupas depois, mas o hotel cobrava uma fortuna e ainda era por cada peça. Fui pro Google pesquisar por uma lavanderia rápida, porque iria viajar no outro dia, cheguei lá e me espantei porque não tinha ninguém para atender, mas logo entendi como funcionava e achei muito legal. Depois de 1h15min, saí com as minhas roupas prontinhas, o preço também era muito bom. Na hora, pensei que Porto Alegre precisava de algo assim", conta.
Ao entrar em contato com a rede, o interesse só aumentou. "Gostei muito do propósito deles, e o retorno para os franqueados é bem significativo", afirma. O espaço foi inaugurado no dia 19 de março, e conta com ar-condicionado, wi-fi grátis e mesas para quem quiser trabalhar enquanto espera. "Tudo o que couber no nosso cesto sai por R$ 14,95, incluindo todos os produtos como sabão, amaciante e tira manchas", explica.
Segundo a empreendedora, a recepção do público tem sido muito boa, pois era algo que a região carecia. "Há muitos apartamentos por aqui com zero área de serviço, espaços pequenos, estudantes que precisam disso. Inclusive, temos uma cliente, uma senhora de uns 73 anos, moradora do prédio onde a Lavateria está instalada, que, quando viu que era autoatendimento, falou que não poderia usar, não conseguia enxergar direito e etc, mas umas semanas depois ela já estava lá, ensinando outras pessoas como funcionava, até brincou comigo que iria ficar por lá para me ajudar", lembra Denise, entre risos.
Assim que conseguir repor o seu investimento, a empreendedora garante que vai abrir outra franquia, mas dessa vez em outra cidade. "É uma dinâmica muito boa, proporciona qualidade de vida tanto para os clientes quanto para os franqueados", garante.

Para nem perceber que teve obra em casa

As irmãs Renata Pedro, 51 anos, e Fernanda Pedro, 48, criaram a Irmãs Pós Obra, empresa que promete deixar o imóvel limpo, organizado e pronto para morar. "Somos as últimas pessoas a entrar na casa antes dos proprietários, então realizamos toda a limpeza do imóvel após a obra estar concluída, do chão ao teto, a gente limpa tudo", afirma Renata.
Além da limpeza, o serviço organiza os móveis e tudo mais dentro da casa. Como elas recebem a planta do arquiteto, conseguem desempenhar a função. "Facilita muito para os clientes, que não precisam se preocupar em arrastar mesas, colocar móveis no lugar ou desempacotar caixas", explica.
Quando idealizaram o negócio, em julho de 2020, as irmãs notaram que existia a demanda. "Essa área é praticamente inexistente. A obra acabava e deu, não tinha essa finalização, cuidado. Notamos que era um nicho carente e, a partir daí, começamos a enviar materiais para algumas arquitetas, oferecendo o nosso trabalho", conta. Além do boca a boca e das indicações que recebiam na época, o Instagram profissional (@irmas_posobra) funcionou como uma ferramenta de divulgação para o trabalho das sócias, que começaram a ser contatadas diretamente pelos clientes, não mais com aquela intermediação feita por arquitetos ou engenheiros.
A dupla também adicionou, recentemente, o trabalho de personal organizer no portfólio. "Como a ideia já era deixar tudo o mais pronto possível para o cliente se mudar, começamos a enxergar que também existia essa demanda. Agora oferecemos toda essa organização de roupas, closets, etc. Caso o cliente queira, seguimos fazendo a manutenção depois de um tempo de uso", detalha Fernanda.
Ainda que tenham começado o negócio apenas em duas, após dois anos de operação, a empresa conta com uma equipe que varia entre oito e 10 funcionários, dependendo da demanda. Atualmente, a rede de contatos chega a somar mais de 80 parceiros, incluindo arquitetos, empreiteiros, engenheiros e até antigos clientes, que costumam indicar o serviço.
As irmãs reforçam que, apesar de possuírem uma equipe, muitas vezes, a demanda acaba se tornando tão grande que elas precisam pegar junto na hora do trabalho. "Nosso sonho é ficarmos apenas com a parte administrativa e captação de clientes, mas há semanas que surgem seis limpezas de uma vez só, então precisamos colocar a mão na massa", afirma Renata.
Um dos maiores desafios, segundo Fernanda, é o treinamento de novos colaboradores. "Já possuímos esse olhar diferenciado, sabemos o que estamos fazendo ali, então estamos sempre tentando passar isso para eles. Ficamos em cima mostrando qual a melhor forma de fazer as coisas, até porque é o nosso desejo que a marca cresça, levando nosso nome, mas mantendo a excelência no trabalho", garante.
 

O truck de cerveja que vai até o condomínio

Na esteira dos mercadinhos de conveniência instalados em condomínios, a cervejaria Veterana (@veteranacervejaartesanal), de Porto Alegre, aposta no formato levando um beertruck para os espaços residenciais. A proposta é proporcionar comodidade para os moradores, que encontram uma espécie de bar a céu aberto na porta de casa.
Rodrigo Grossini, sócio de Vinicius Cordeiro no negócio que existe há sete anos, diz que o modelo de atuação ganhou força durante a pandemia. Rodrigo conta que a cervejaria Veterana surgiu como um truck para atuar em eventos antes de ter dois espaços físicos, um na Cidade Baixa e outro no Quarto Distrito. "Acompanhamos todo esse caminho dos food trucks deixarem de ser uma novidade, para virar uma questão de conveniência, sobretudo durante a pandemia. Estamos explorando esse novo cenário, porque percebemos que se tornou interessante ter uma opção de alimentação, bebida e conveniência próximo da casa das pessoas, em vez de ter que se deslocar quilômetros para ter um momento de lazer", acredita o empreendedor, que enxerga uma mudança no papel dos foodtrucks. "Antes, era uma atração e, hoje, a gastronomia itinerante, de modo geral, é uma conveniência, e a conveniência tem que estar perto das pessoas", conclui.
O empreendedor explica que não há custos para o condomínio receber a operação. É preciso, apenas, disponibilizar energia elétrica, já que toda a estrutura é montada pela cervejaria, que pode ser abrigada no espaço interno do residencial ou em frente. "Tem um condomínio em Viamão que participamos quinzenalmente, revezando com outras operações. Tentamos estabelecer essas parcerias para que elas sejam mais fixas. Tem alguns condomínios que pedem um percentual nas vendas para reverter em melhorias, mas costuma ser simbólico, porque, na verdade, a questão é a comodidade. Não é uma ação que o condomínio está visando lucro", explica.
 

Giovanna Sommariva e Isadora Jacoby 

Receba matérias deste autor

Giovanna Sommariva e Isadora Jacoby 

Receba matérias deste autor

Deixe um comentário