Victória Paz

Após dois anos de falências e insegurança, escolas voltam a investir e a inovar com mais segurança

Educação infantil vive retomada de demanda em Porto Alegre

Victória Paz

Após dois anos de falências e insegurança, escolas voltam a investir e a inovar com mais segurança

Não foi fácil para ninguém, mas o setor de escolas infantis não teve escapatória. Com os espaços fechados no auge da pandemia do coronavírus, muitas famílias optaram por encerrar contratos com esse tipo de negócio. O faturamento chegou perto de zero para muitos, o que gerou demissões e frustrações. Neste início de maio, no entanto, a situação está totalmente diferente, até com o retorno das apresentações de Dia das Mães presenciais. É um momento em que se pode voltar a investir e, principalmente, a sonhar.
Não foi fácil para ninguém, mas o setor de escolas infantis não teve escapatória. Com os espaços fechados no auge da pandemia do coronavírus, muitas famílias optaram por encerrar contratos com esse tipo de negócio. O faturamento chegou perto de zero para muitos, o que gerou demissões e frustrações. Neste início de maio, no entanto, a situação está totalmente diferente, até com o retorno das apresentações de Dia das Mães presenciais. É um momento em que se pode voltar a investir e, principalmente, a sonhar.
O ano de 2022 já começou com o pé direito para Sabrina da Silva Martins e Tatiana Furstenau. Em janeiro, as duas abriram a Escola Cometa Kids, próximo à avenida Antônio de Carvalho, na Intercap, em Porto Alegre. O local utiliza o método Emmi Pikler, que estimula a criatividade, consciência ambiental, habilidades perceptivas e motoras das crianças através dos elementos da natureza, sustentabilidade e brincadeiras. E o planejamento ocorreu, justamente, durante a pandemia.
"Foram dois anos estudando o endereço e tentando inovar na metodologia para trazer um atrativo que o bairro estava necessitando. Na região, não há escolas de educação infantil com um bom acesso para os pais. Aproveitamos esse retorno de aulas presenciais para abrir no momento certo e de forma estratégica", expõe Tatiana. De acordo com as empreendedoras, a Intercap contempla as necessidades de Porto Alegre e de Viamão, por estar perto da saída das duas cidades. "O bairro está em crescente. É uma zona residencial, mas está se tornando comercial. A escola fica no meio do caminho entre dois municípios e, para os pais, é um facilitador na hora da locomoção", completa.
Sabrina percebe que, após tanto tempo longe de outras pessoas, as famílias passaram a prestar atenção em vários aspectos na hora de escolher onde deixar seus filhos. "A metodologia e abordagens são tão importantes quanto as aulas, pois elas são um complemento. A ideia da Cometa é fazer com que os alunos estejam sempre em movimento. Em cada canto da escola, há um estímulo diferente com várias temáticas para que ninguém brinque apenas em um lugar", explica.
Os protocolos também continuam sendo valorizados pela equipe e pelos familiares. A Cometa, por exemplo, segue adotando cuidados recomendados na pandemia. "O uso da máscara e do álcool em gel é fundamental. Realizamos a higienização das salas e, principalmente, no berçário, pois as crianças manuseiam os brinquedos e algumas acabam levando na boca. Além disso, os funcionários trocam de sapatos e roupas assim que chegam na escola", conta Sabrina.
Outros métodos de segurança, aliás, foram incluídos na rotina dos estudantes, o que deve ficar de legado para o futuro. A agenda agora é online, por aplicativo, e há câmeras em todos os ambientes para que quem está longe possa acompanhar a rotina. "É sempre um desafio abrir uma escola justamente por insegurança das famílias que não nos conhecem. Optamos por sermos transparentes no nosso dia a dia e através da agenda virtual, onde anotamos o monitoramento do comportamento da criança, planejamento semanal e fotos adicionais", afirma Sabrina.
A Cometa oferece berçário, maternal e jardim, incluindo crianças de 4 meses a 6 anos. Segundo as sócias, com o retorno das aulas presenciais, a adaptação dos alunos, que passaram meses em casa, está positiva. "A socialização da criança é extremamente importante e o sentimento delas era de saturação. Brincamos que o processo de separação é geralmente mais difícil para os pais. Não existe tempo determinado ou reação certa, é preciso estimular para que seja um momento tranquilo", diz Sabrina, vislumbrando um futuro cheio de saúde e alunos.

Espaço de ensino abre com loja compartilhada no Bom Fim

A pedagoga Shaiane Duarte, mãe de um menino de 7 anos, viveu o desconforto da pandemia vendo seu filho sendo alfabetizado de forma online. Isso a motivou a abrir, em 2021, a Plural Educa, uma empresa para atendimentos pedagógicos a domicílio. O negócio cresceu tanto que teve de contratar outras pessoas. Até que decidiu alugar uma casa em frente à Redenção, na avenida José Bonifácio, onde hoje funciona um projeto fora da caixa.
Shaiane o classifica como um espaço de ensino não formal. Isso inclui até uma loja colaborativa no térreo para expor o trabalho de mulheres empreendedoras.
Os contratos com as famílias da Amora Mini Escola - novo nome do empreendimento após ganhar sede própria - são semanais ou mensais. "Com a pandemia, nossa vida muda muito rápido. Por que vou prender um cliente aqui com matrícula anual? Me coloco no lugar da mãe", afirma, ressaltando que oferece, na verdade, uma rede de apoio. Em alguns casos, em vez de pagar pela semana ou mês, as mães ou responsáveis podem prestar serviços que sejam condizentes com o valor.
A Amora, que, segundo Shaiane, traduz o feminino de amor, atende pessoas de 0 a 100 anos. Isto porque ela acredita que todos precisam de uma escuta ativa, independentemente da idade. "Os atendimentos são pautados no acolhimento e afeto, que faltou neste período de pandemia. Criamos conexões", descreve Shaiane. A metodologia permite que as crianças brinquem livremente, algo que a pedagoga acredita que gere um desenvolvimento de forma mais natural.
Justamente por não proporcionar uma educação padronizada, ela chegou a pensar como seria a aceitação dos gaúchos. "Em relação à educação, a gente espera que a comunidade porto-alegrense aceite essa nova modalidade de ensino. Escolhemos o bairro Farroupilha por ter um pensamento aberto a novas experiências", expõe Shaiane, orgulhosa do que tem construído.
 

Sobreviventes e otimistas

Há 31 anos no mercado, a Escola Corujinha Sapeca, do bairro Bom Jesus, sentiu as consequências da pandemia. O empreendimento familiar é comandado por quatro irmãs. Katyana Brum é quem toma a frente do legado, como diretora da escola de educação infantil. Sua missão é possibilitar o contato com múltiplas linguagens de metodologias ativas e digitais. Assim, cada aluno desenvolve autonomia e construção de sua própria identidade.
Durante o decreto de fechamento temporário, a Corujinha iniciou as aulas remotas. Percebendo a demanda de cada família, a escola resolveu atender os adultos no âmbito emocional para que pudessem lidar com os filhos dentro de casa. Vídeos, palestras e reuniões foram necessários para o processo de adaptação.
"Criamos uma agenda de atendimento por família. Eu, a psicóloga e a coordenadora pedagógica escutávamos os familiares de forma individual. Era trabalhoso, mas essencial para quem necessitava de uma rede de apoio dentro de suas limitações", explica Katyana.
Para o retorno presencial, o uso de máscara foi definido para professores e alunos. Estratégias lúdicas e pedagógicas foram inseridas dentro de casa e dentro das salas, ajudando no processo de separação. "Depois de um período intenso com a família, imaginamos uma volta difícil, mas foi o contrário. Em relação aos outros anos, este foi o período mais tranquilo de adaptação", expõe.
Em parceria com o Sebrae e o Grupo Rabbit, a Corujinha Sapeca conquistou um selo para quem trabalha questões de gerenciamento. Um dos diferenciais da escola é o acompanhamento psicológico para profissionais e estudantes.
Para este ano, Katyana espera que o número de matrículas aumente, pois, segundo ela, ainda há muita criança que não está matriculada. "A educação infantil não para. E, ao contrário do que pensam, os pais acabam não matriculando seus filhos por causa do preço das escolas e não da Covid-19. A maioria das escolas públicas não têm vagas e arcar com uma escola particular não é fácil", afirma. A Corujinha oferece mensalidades com bolsas de 5% a 50% de desconto para o ano todo pensando nesse problema.
 
Victória Paz

Victória Paz - estagiária do GeraçãoE

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