Mauro Belo Schneider

Especialistas sugerem acompanhar tendências, mas sem desespero, pois vai levar tempo para o conceito, dominado por empresas gigantes, chegar ao grande público

Como o Metaverso afetará os pequenos negócios

Mauro Belo Schneider

Especialistas sugerem acompanhar tendências, mas sem desespero, pois vai levar tempo para o conceito, dominado por empresas gigantes, chegar ao grande público

Desde outubro de 2021, quando Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, mudou o nome de suas empresas para Meta, a palavra Metaverso passou a ser vista com frequência. A novidade é definida como uma extensão das redes sociais, onde pessoas terão seus avatares, farão reuniões num ambiente que simula o real e haverá transações comerciais. Essa informação gerou um alvoroço, pois as marcas já querem garantir presença no ambiente virtual. Mas calma.
Desde outubro de 2021, quando Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, mudou o nome de suas empresas para Meta, a palavra Metaverso passou a ser vista com frequência. A novidade é definida como uma extensão das redes sociais, onde pessoas terão seus avatares, farão reuniões num ambiente que simula o real e haverá transações comerciais. Essa informação gerou um alvoroço, pois as marcas já querem garantir presença no ambiente virtual. Mas calma.
"Levará décadas para ocorrer o consumo de massa no Metaverso", avisa Fabiano Zortea, coordenador de Varejo do Sebrae-RS. Ele ouviu diversas palestras sobre o assunto durante a feira NRF, em janeiro deste ano, nos Estados Unidos, o que o leva à conclusão de que o tema não é emergencial para os pequenos negócios.
"O varejista precisa se concentrar no operacional do negócio e dar conta do que o consumidor exige dele agora e, em paralelo, seguir acompanhando as tendências tecnológicas e do Metaverso", aconselha.
Fabiano ressalta que, inicialmente, o canal será acessado por grandes marcas, com muito dinheiro. Como é o caso da Nike, que, inclusive, comprou uma fabricante de tênis virtuais e vendeu milhões de dólares em apenas uma tarde. Ao mesmo tempo, é provável que chegue mais rápido para os setores de entretenimento, mídia, educação e jogos.
Somente a tecnologia para criar esse ambiente de interações digitais, conforme Fabiano, deve levar cerca de 10 anos para ficar 100%. Há muita complexidade a ser superada.
"O Metaverso não pode ser motivo para o varejista paralisar, pensando que o negócio dele terá um grande problema nos próximos anos. Só é necessário entender que o digital está ganhando força, que a Geração Z prefere se relacionar com as marcas através do digital, mesmo que demande contato físico também. O início da relação com as marcas tende a aumentar a partir do online, então, é preciso fazer isso bem, tendo uma presença profissional, qualificada, como parte da condição de ter fluxo na loja física", analisa.
Em resumo, Fabiano afirma que esse é um tema sexy, disparado por um cara muito importante do mundo dos negócios. Atenção é necessária, mas sem o sentimento de ameaça.

Momento exige preparação do mercado

Jamil Lopes, que há 15 anos atua como Microsoft Regional Director e Microsoft MVP e está entre os 10 profissionais de TI mais respeitados do Brasil, segundo a revista Info Exame, falou sobre Metaverso em uma palestra na Zallpy Hub, empresa de Porto Alegre, com sedes em Alegrete e Florianópolis. Conforme o executivo, "os inovadores poderão colher frutos mais rapidamente".
Investir em tecnologia de pesquisa e desenvolvimento, desenvolver projetos pensando na usabilidade, em pessoas com necessidades especiais, e voltar a atenção em como melhorar o cotidiano de todos deve conduzir a preparação para este novo cenário. Jamil reforça que grandes marcas já estão criando um portfólio de negócios no Metaverso, seja para vender, consolidar seus produtos ou simplesmente ter uma presença ativa.
"Nomes como Nike, Adidas, Louis Vuitton e tantos outros estão se organizando para atingir o público, esteja ele onde estiver. As pequenas deverão investir ou realizar parcerias para poder vender ou estar presente nesses ambientes digitais, como muitas têm feito hoje com empresas de marketplace", percebe.
O Metaverso, de acordo com Jamil, já começou a impulsionar a área de TI. Empresas e posições específicas voltadas para isso surgem todos os dias.
"Com o desenvolvimento de novas tecnologias, a necessidade de profissionais está cada vez maior. Existe uma escassez de mão de obra, não só na área de TI, mas também em outras relacionadas ao Metaverso, como marketing, vendas de terrenos, design gráfico, produtor de conteúdo, roteirista, arquitetos, músicos, cargos focados na usabilidade e necessidades especiais, advogados especialistas em LGPD e muitos outros. O maior desafio é desenvolver cursos específicos, formar e colocar no mercado essas pessoas em um tempo relativamente curto", aponta.
A Microsoft oferece formações gratuitas e com certificado em: https://docs.microsoft.com/pt-br/learn/.
 

Edtech brasileira dá largada às aplicações que imitam o real

A MedRoom, empresa brasileira especializada em desenvolver treinamentos para a área da saúde e ensino médico utilizando realidade virtual (VR), agrupou suas soluções de ensino em VR, app para smartphones e site para estrear no conceito do Metaverso. "Exploramos o aprendizado em VR, propondo interação e observação em um cenário virtual que se relaciona com o espaço físico do usuário", detalha Vinícius Gusmão, CEO e cofundador do negócio.
A empresa tem uma estrutura dedicada à novidade, um universo virtual que pode ser acessado através de lugares diferentes, em momentos diferentes, com o objetivo de otimizar o aprendizado das pessoas e fazer com que elas lembrem sobre o que ouviram por mais tempo. "O que temos hoje de interação a distância é ainda muito simples comparado ao modo como o Metaverso é estruturado", reconhece Vinícius. Por isso, ele quis se debruçar sobre o assunto.
"Sabemos que existe uma enorme diferença entre a teoria e a prática no ensino das universidades e assim criamos um laboratório virtual pelo qual estudantes podem analisar a anatomia do corpo em detalhes. Fundamos a MedRoom para resolver algumas dores no ensino de saúde dentro e fora do Brasil, desenvolvendo experiências e simulações em VR destinadas ao treinamento e educação em saúde", informa.
 
Mauro Belo Schneider

Mauro Belo Schneider - editor do GeraçãoE

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