Na semana do empreendedorismo feminino, apresentamos mulheres que fixam a bandeira da diversidade no ambiente de negócios gaúchos

Dia do Empreendedorismo Feminino: conheça mulheres que empreendem


Na semana do empreendedorismo feminino, apresentamos mulheres que fixam a bandeira da diversidade no ambiente de negócios gaúchos

A cada dia se vê mais mulheres por trás dos negócios. O empreendedorismo feminino, celebrado em 19 de novembro, é um movimento que transforma o mercado, pois sua força é movida e inspirada pela equidade no trabalho. Estudos apontam que a maioria das brasileiras empreendem em busca de independência financeira e essa autonomia gera impactos positivos para toda a sociedade.
A cada dia se vê mais mulheres por trás dos negócios. O empreendedorismo feminino, celebrado em 19 de novembro, é um movimento que transforma o mercado, pois sua força é movida e inspirada pela equidade no trabalho. Estudos apontam que a maioria das brasileiras empreendem em busca de independência financeira e essa autonomia gera impactos positivos para toda a sociedade.
O bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, por exemplo, acaba de ganhar um espaço dedicado ao empoderamento feminino e ao protagonismo das mulheres cervejeiras. Unindo forças, as cervejarias Sapatista e DaLuz, comandadas por Roberta Pierry e Michele Vieceli, respectivamente, abriram o Ninkasi Bar na rua João Alfredo, n° 557. O espaço começou a operar em softopening no início do mês.
Roberta conta que a parceria com Michele é antiga. Juntas, produziram um festival de cervejas feitas por mulheres. Agora, a valorização da participação feminina no mercado cervejeiro foi canalizada na criação do bar.
"Já faz um tempo que tenho a ideia de ter um espaço que seja também da Sapatista para poder receber o público e valorizar o trabalho de mulheres. Um espaço que as pessoas se sintam seguras e acolhidas. Com a pandemia, vimos também como era importante ter um local para vender diretamente para o cliente os nossos produtos", conta Roberta. A dupla iniciou o projeto em 2020, mas, com o agravamento da pandemia, acabou voltando para a gaveta.
O avanço da vacinação foi fundamental para que as sócias retomassem a ideia e a busca por um ponto para abrigar o bar. A João Alfredo, diz Roberta, não estava nos planos. "Teve um tempo que a rua era muito boa para o comércio e para os vizinhos, e depois mudou, começou a lotar com uma galera não tão de boas, chegou a dar tiroteio. As pessoas que frequentavam sumiram e a rua ficou vazia", lembra.
Dois fatores foram fundamentais para que, mesmo com essa percepção, elas apostassem no ponto. A chegada de novos negócios do mesmo segmento e um projeto de revitalização da área animaram as empreendedoras.
"O projeto de retomada da João Alfredo vai transformar todas as áreas que estão pintadas de verde em parklets fixos. A ideia é que fique um espaço seguro para todo mundo, que a rua funcione de dia e de noite", explica.
Próximo ao ponto, está o LeMule Drinks, que passou a atender o público e vender seus produtos por uma janela voltada para a rua. Aquecendo ainda mais o ponto, outra novidade: o espaço Fermentador, comandado pela cervejaria Zapata. "Nossos amigos da cervejaria Zapata nos contaram que iriam abrir um ponto aqui do lado. Estávamos na dúvida, quase alugando uma casa na Travessa dos Venezianos, mas, quando soubemos que eles viriam, decidimos vir para cá também. A ideia é nos unirmos e ganhar força para trazer o público para cá", projeta.
O nome do bar, Ninkasi, é uma homenagem à uma deusa cervejeira. A proposta é que o espaço ajude a contar a história da participação feminina na produção de cerveja. Por isso, na fachada, há diversos elementos que remetem a esse contexto. "Tentamos resgatar a história da cerveja e o papel das mulheres nessa criação. Até metade da Idade Média, a produção de cerveja era uma coisa praticamente exclusiva das mulheres. Na nossa fachada, temos a Ninkasi, alguns elementos da cerveja, como lúpulo e cereais, e elementos que remetem também à Idade Média, quando teve a caça às bruxas, e muitas eram cervejeiras. Então, tem o gato preto, um caldeirão e uma vassoura fazendo essa mistura para contar a história da cerveja", explica Roberta.
O bar funciona nas quartas e quintas-feiras, das 17h à meia noite, e sextas, sábados e vésperas de feriados das 17h às 2h. Serão oito torneiras de cerveja, sete divididas entre Sapatista e DaLuz e uma reservada para convidados sazonais.
Nas quartas-feiras, será dia de campeonato de pingue-pongue, nas quintas, karaokê, nas sextas, música ao vivo e, aos sábados, DJ. O local abriga 70 pessoas, com distanciamento, e mesas na parte da rua. No cardápio, há opções para todos: com carne, veganas e vegetarianas. "Nossa ideia é valorizar o protagonismo das mulheres, não excluir nenhuma pessoa. Receber e tratar com respeito todo mundo, e queremos que o público que venha até aqui se porte da mesma forma", afirma a empreendedora sobre o conceito do espaço.
Roberta revela que o sonho de ter um bar veio antes mesmo de iniciar a trajetória da Sapatista, há cerca de dois anos. Entre os percalços de abrir um novo negócio em meio à pandemia, ela comemora a realização desse sonho antigo. "É desafiador, porque é a primeira vez que nós duas estamos abrindo um bar, então tem coisas que vamos aprendendo na lida. Estou muito feliz, porque era uma coisa que eu já tinha na minha cabeça há bastante tempo. Ver que estou resgatando um sonho que tinha antes mesmo de abrir meu outro negócio é muito gratificante", celebra.

Espaço gastronômico compartilhado é idealizado por sócias em Porto Alegre

Um curso de Gastronomia foi suficiente para que as empreendedoras Adriana Hackmann, Deise Roman e Caroline Köhler idealizassem, juntas, um espaço compartilhado, o NY231 Food & Store (@novayork_231). A inspiração surgiu através das incertezas da pandemia, despertando a vontade delas para encarar novos desafios. O espaço de foodworking é dividido entre uma forneria e uma chocolateria com produtos artesanais, na avenida Nova York, nº 231, na Capital.
"Começamos a nos aproximar em junho de 2020 e ficamos em torno de seis meses na busca de um espaço que fosse a nossa cara. A ideia inicial era ter um ponto em comum, mas não queríamos que o cliente se sentisse dividido. Então, resolvemos compartilhar o local", conta Caroline. A inauguração ocorreu em setembro passado.
Todo o espaço foi idealizado e montado pelas sócias. "Digo que muita mulher com criatividade não tem limite e foi o que aconteceu. Amadurecemos e reaproveitamos diversas coisas da loja para economizar. Fizemos faxina, cortamos grama, derrubamos e pintamos parede, colocamos portas e pesquisamos toda parte financeira. A unidade toda foi produzida por nós", afirma.
Conforme Carolina, o olho das donas é o que torna o local único. "É diferente receber o feedback do próprio cliente. Somos as proprietárias e estamos atendendo. Temos humanidade e proposta intimista. Muitos clientes se surpreendem e é esse recado que queremos passar", complementa.
Para as sócias, a melhor parte de empreender é a liberdade de poder se jogar de cabeça nos planos. "Criamos e não guardamos nossas ideias. É muito bom ter a coragem de inventar. Aprendemos, às vezes, com erros, mas aprendemos", celebra.
A área de forneria fica a cargo de Adriana e Deise. Adriana era gerente de marketing e Deise, geóloga e professora de panificação. O amor pelas massas juntou as duas profissionais a criarem a Horneria (@horneriapoa), com foco em produção artesanal e fermentação natural. "É tudo feito na casa, as massas não contém adição de aceleradores para garantir melhor qualidade e digestão. Também estamos sempre em busca de novos sabores", afirma Adriana.
Elas servem cafés com opções de lanches, como pão de queijo artesanal e sanduíches especiais. À noite, o cardápio é contemplado por pizzas no estilo napoletana, além de tábuas de antepastos. "Nossa pizza passou por muitos testes até chegar no resultado que queríamos, com uma massa tão saborosa que dá vontade de comer tudo, até o último pedacinho", afirma.
Já a chocolateria artesanal Ciockolato (@ciockolato) está sob o comando de Caroline. A empreendedora é contadora de formação e sempre teve interesse em abrir um negócio. "Brinco que eu queimo a água do chimarrão porque nunca tive jeito para a cozinha. Não imaginaria temperar um chocolate", diverte-se, sobre as transformações que passou ao empreender.
 

Mãe abre loja de alimentação inclusiva no Bom Fim pensando na filha

Em 2009, quando sua filha foi diagnosticada como celíaca, doença causada pela intolerância ao glúten, Tatiana Mocellin, 50 anos, se viu obrigada a mudar completamente a alimentação da família. "Sempre gostei de cozinhar. Mesmo trabalhando como engenheira, meus finais de semana eram na cozinha. Quando a Julia recebeu o diagnóstico, acabei imergindo na Gastronomia para poder alimentar ela, e isso só reforçou a paixão que eu já tinha pela cozinha", afirma. Em novembro deste ano, a Guté (@gute.br) completa um ano de existência. Localizada na rua Vasco da Gama, nº 206, no bairro Bom Fim, a loja trabalha com alimentos inclusivos, sem glúten, sem soja e sem lácteos.
Desde que começou a se aventurar na cozinha inclusiva, e pegar gosto pela coisa, Tatiana prometeu para a filha que, aos 50 anos, iria sair da engenharia e empreender. Como forma de incentivo, Julia criou uma conta para a mãe no Instagram, onde ela divulgava receitas e dicas para pessoas que também sofriam das mesmas restrições alimentares. "Aquele momento foi um divisor de águas na minha vida. Recebia muitas mensagens de pessoas agradecendo, pedindo mais receitas e até cursos, porque eles sentiam falta disso. Foi quando eu vi que estava fazendo a diferença na vida dessas pessoas", diz. Em julho de 2019, fechou o seu escritório de engenharia, onde ainda trabalhava, e decidiu empreender no ramo alimentar. Em janeiro de 2020, nasceu a Guté, mas a loja funcionava apenas de forma online, com tele entrega e pedidos via WhatsApp. Com o tempo passando e a demanda aumentando, era hora de sair da cozinha de casa e abrir o seu próprio espaço.
"Quando decidi abrir a loja, queria algo bem perto da minha casa, no bairro Higienópolis. A minha ideia era mudar totalmente o estilo de vida que tinha quando era engenheira. Queria poder ir a pé para o trabalho, mas minha filha insistia dizendo que o meu público estava no Bom Fim, que eram eles que iriam valorizar o meu produto. Dito e feito", detalha, sobre a parceria entre mãe e filha nas decisões. Tatiana ainda brinca que, apesar de ter saído da engenharia, a engenharia não saiu dela. "Fiz uma reforma completa no local, com o piso e tudo mais do jeitinho que eu queria", conta.
O projeto inicial era ser um espaço para alimentos sem glúten, mas hoje há opções sem quaisquer alérgenos, o que resultou em muitos veganos procurando a marca.
 

Leia também

Deixe um comentário