Mauro Belo Schneider

Iniciativas criadas no Rio Grande do Sul e no mundo visam diminuir falta de mão de obra qualificada

Cursos gratuitos formam profissionais para o mercado de TI

Mauro Belo Schneider

Iniciativas criadas no Rio Grande do Sul e no mundo visam diminuir falta de mão de obra qualificada

Pesquisas de mercado têm demonstrado que há escassez de profissionais para atender a demanda de trabalho na área de tecnologia da informação (TI). Basicamente, sobram vagas e faltam pessoas. Para resolver esse problema, iniciativas públicas e privadas são desenvolvidas para oferecer formação gratuita a quem quer seguir carreira no setor.

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Pesquisas de mercado têm demonstrado que há escassez de profissionais para atender a demanda de trabalho na área de tecnologia da informação (TI). Basicamente, sobram vagas e faltam pessoas. Para resolver esse problema, iniciativas públicas e privadas são desenvolvidas para oferecer formação gratuita a quem quer seguir carreira no setor.
No Rio Grande do Sul, empresários se uniram e criaram o projeto praTI. Em 2021, a iniciativa disponibilizou cinco trilhas de formação (Lógica, Java, Explorar e Testes de Software), sendo uma turma em parceria com o CIEE (Lógica de Programação), uma em parceria com a Alfamídia (cursos de Introdução à Programação, Informática Profissional e Desenvolvimento Java) e uma em parceria com a IMED (Programa #TeuFuturo). No total, 4 mil indivíduos receberam as capacitações desenvolvidas no Estado apenas neste ano.
Considerando a de Introdução à Programação, 37,9% das participantes eram mulheres. O número é relevante pois cursos superiores em informática no País contam com 15% desse público, segundo o Censo da Educação Superior. Outros 25% dos talentos têm 40 anos ou mais, o que demonstra que profissionais estão migrando (ou querem migrar) para a área de tecnologia. E a maioria é composta por jovens de 18 a 30 anos (37,8%).
Gediel Luchetta, sócio da empresa Ilegra, uma das 40 mantenedoras do praTI, diz que se faz mais do que necessário qualificar pessoas para a nova era digital. "Sabemos que hoje, no Rio Grande do Sul, existem cerca de 6 mil vagas abertas para o setor de TI, com salários que chegam a R$ 15 mil, e não temos mão de obra qualificada para assumir esses postos. Esta é uma demanda que só cresce no mundo e entendemos que, com nossa expertise, podemos juntos ajudar a aumentar o número de gente qualificada para atuar nas empresas do século 21", explica ele.
O praTI é mantido financeiramente através das mensalidades das empresas mantenedoras, que acreditam na causa e estão fazendo esse investimento. A receita é investida na manutenção da plataforma online (maisprati.com.br) e na formação dos talentos. Os interessados podem se inscrever para as trilhas de conhecimento por meio do site.
"Nosso objetivo é formar técnicos com uma boa base de conceitos amplos de TI. A partir dessa formação, esses profissionais poderão finalizar seu aprendizado dentro das empresas, aptos a atuar em várias áreas da TI, como, por exemplo, Desenvolvimento de Sistemas ou Jogos, Computação em Nuvem, Engenharia de Dados e Segurança da Informação", esclarece Luchetta.
Os alunos e alunas fazem as trilhas gratuitas (sem cobrança posterior), que podem durar de três a oito meses, e ganham um certificado de conclusão de curso técnico, com detalhes sobre quantidade de horas/aula e em conformidade com as diretrizes federais.

O problema não é brasileiro, é global

O Instituto Caldeira, de Porto Alegre, recebeu, para a segunda edição de seu evento online Go Global, Jeff Weinstein, co-head da FJ Labs, empresa especializada em investimento semente do Vale do Silício. Na ocasião, o norte-americano também falou sobre o problema da falta de profissionais de TI, que é mundial.
Weinstein conta que há uma demanda infinita por pessoas capacitadas nos Estados Unidos. Uma das soluções criadas foi a escola lambdaschool.com, que oferece formação online gratuita para a área e recebe uma porcentagem do salário do aluno quando ele consegue seu primeiro emprego.
A pandemia, conforme Weinstein, ampliou as possibilidades e aproximou o mundo dos talentos brasileiros, que estão sendo contratados em peso por startups da América do Norte. O investidor percebe que isso ajuda todo o ecossistema. Os desfalques, agora, são resolvidos com talentos espalhados em diferentes países, o que pode impulsionar comunidades. 
"O Vale do Silício é o Vale do Silício por causa do efeito networking. Cada negócio de sucesso gera 15 outros. No Brasil, se vê as sementes do ecossistema nascendo", percebe, a partir do cenário.

Há opções para transferência de renda após garantia de emprego

Outra escola para formação de profissionais de TI que funciona no Brasil é a Data Driven: driven.com.br. Segundo o projeto, 100% dos alunos foram empregados com salário inicial médio de R$ 5,3 mil. Os participantes pagam pelo serviço apenas após serem contratados, e essa modalidade chama-se Income Share Agreement (ISA), ainda pouco popular no Brasil, mas já difundida em instituições estrangeiras.
Nesse modelo, os alunos não pagam nada até se formar, ainda que tenham algum tipo de renda. Após a conclusão do curso, passam a declarar o salário mensalmente para a escola. Caso seja superior a R$ 3 mil ao mês, 18% da renda bruta deve ser repassada, ou seja, R$ 540,00.
O pagamento ocorre até que o aluno complete o valor total do curso, que é de R$ 28 mil (atualizado ano a ano pela inflação) ou se passarem cinco anos da formatura, o que acontecer primeiro. "Caso passem cinco anos e você ainda não tiver completado os R$ 28 mil, não nos deve mais nada. Inclusive se não tiver nos pago nada até então. Nesses casos, consideramos que falhamos na nossa missão, então não vamos receber o valor total", detalha o site da Driven.
O curso é todo online e dividido em duas partes. Há aulas ao vivo de segunda a sexta-feira, das 17h às 20h30min, e atividades práticas com carga de 15 horas semanais obrigatórias para fazer os projetos e os exercícios propostos.
Entre as trilhas de aprendizado, estão Desenvolvimento Web Full-Stack, Fundamentos da Computação, Soft-Skills e Orientação de Carreira. Não é preciso ter qualquer tipo de conhecimento para se inscrever.

Vale do Sinos lança programa

Elaborado em sinergia entre poder público, Unisinos e Senac, o Programa 3.000 Talentos TI  oferece cursos gratuitos em Tecnologia da Informação para pessoas entre 15 e 39 anos. No total, são 12 qualificações, em diversos níveis educacionais, que vão desde o programa Jovem Aprendiz até cursos profissionalizantes e de nível técnico.
Dentre os cursos, estão: Lógica de Programação, Programação Java, Programação Web com PHP, User Xperience e Research - Arquitetura da Informação, Segurança da Informação e Internet das Coisas - IOT, Técnicas de Machine Learning, Tecnologias para Big Data e Técnico em Informática para Internet Integrado ao Ensino Médio.
Para a fase inicial do projeto, cujas aulas começaram neste mês, foram disponibilizadas 540 vagas distribuídas em 27 turmas. Mais informações e critérios de seleção podem ser obtidos no site www.senacrs.com.br/talentosti ou pelo telefone (51) 3590-3060. A iniciativa integra o Programa Inova São Léo, que foca em inovação, tecnologia, geração de emprego e inclusão social. Participantes podem concorrer a vagas nas 120 empresas do Tecnosinos.
 
Mauro Belo Schneider

Mauro Belo Schneider - editor do GeraçãoE

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