Algumas pessoas encontraram no momento atual oportunidades e motivação para iniciar um negócio

A hora é agora: negócios que abriram recentemente testam clientela


Algumas pessoas encontraram no momento atual oportunidades e motivação para iniciar um negócio

Do pasto ao prato. Esse é o conceito que permeia o Armazém Bomgado, que abriu na rua General Rondon, nº 543, no bairro Tristeza, em Porto Alegre. O estabelecimento é o primeiro negócio de Ana Scofano, de Soledade, e do marido, Fabiano Scofano, do Rio de Janeiro, que aprimoram a operação a partir das experiências dos primeiros clientes. Após dois anos de estudos e planejamento, não tinha melhor hora para tirar o projeto do papel.
Do pasto ao prato. Esse é o conceito que permeia o Armazém Bomgado, que abriu na rua General Rondon, nº 543, no bairro Tristeza, em Porto Alegre. O estabelecimento é o primeiro negócio de Ana Scofano, de Soledade, e do marido, Fabiano Scofano, do Rio de Janeiro, que aprimoram a operação a partir das experiências dos primeiros clientes. Após dois anos de estudos e planejamento, não tinha melhor hora para tirar o projeto do papel.
O investidor do negócio é o pai de Ana, Antônio Cláudio Borges, que tem uma fazenda com o mesmo nome do armazém em Eldorado do Sul. O gado criado no local é repassado para o frigorífico Coqueiro, que abastece a loja assim como outros fornecedores, pois não é possível depender só da criação própria.
"Após a compra da fazenda e da plantação do gado europeu com manejo consciente, começamos a pensar na cadeia inteira, pois carne é uma commodity e há muita inadimplência nesse mercado. Idealizamos, então, a estrutura do varejo", diz Ana, 47 anos, que morou três décadas no Rio e construiu sua carreira profissional em marcas como Reserva e Arezzo.
Como ela acredita que a clientela compra acompanhamentos para a carne, o leque de opções é variado. "Planejamos uma solução completa, com padaria, hortifruti, açougue, mercearia e vinhos. No fim de semana, ainda fazemos churrasco para levar", detalha.
Ana conta que a escolha do ponto se deve por dois motivos: a família mora na Zona Sul e foi realizado um estudo aprofundado sobre os hábitos de consumo da cidade de Porto Alegre. Os empreendedores se deram conta que já haviam negócios similares em outras regiões, mas nem tantos onde vivem. Além disso, descobriram que a maioria de seus vizinhos tem idade mais avançada e poder aquisitivo elevado, o que combina com a proposta do Armazém Bomgado.
Até o lado da rua que a unidade foi instalada é fruto de pesquisas. "Está em uma via de mão positiva: no sentido centro-bairro. Para quando as pessoas voltam do trabalho poderem passar por aqui e pegar produtos antes de irem para casa", expõe Ana, confessando que há muitas coisas para arrumar e catalogar no sistema. Ela considera, no entanto, que é melhor abrir imperfeito, até para poder validar com o público. "Agora, é hora de começar a entender o que o cliente quer."
A loja tem 280m² e emprega 10 pessoas. Um dos diferenciais, e o xodó de Ana, é a câmara fria transparente. Por um vidro, os consumidores podem ver os bois inteiros e assistir o açougueiro fazer os cortes.
O mix é classificado como democrático. Há, por exemplo, a oferta de um macarrão de R$ 14,00 e outro de R$ 3,00. Assim como um pedaço de picanha de quase R$ 500,00. "O foco é sermos um mercado de bairro, chamar todo mundo pelo nome, saber se gostou, se encontrou tudo que procurava", resume Ana, com brilho nos olhos pelo seu primeiro empreendimento.

Cafeteria especializada em grãos orgânicos como projeto de vida

Um dos pontos mais tradicionais de Porto Alegre, a Casa de Cultura Mario Quintana recebeu, em agosto, uma nova operação. Em cerca de quatro metros quadrados e mesas espalhadas pela entrada da CCMQ, o Luciamaria Cafés de Origem propõe uma conexão dos visitantes do espaço com os produtores de cafés especiais. Para isso, os sócios David e Letícia Milhão viajaram para diversos destinos do Brasil para encontrar e conhecer quem está à frente da produção do grão no País. Após quatro anos de pesquisa e planejamento, e em meio à pandemia, o primeiro negócio do casal virou realidade.
David conta que, ao contrário do que se imagina de alguém que está abrindo uma cafeteria, ele não gostava de café. Foi frequentando, como cliente, a William & Sons Coffee Co., também na Capital, que ele e a esposa adquiriram apreço pela bebida. "Quando provei um café lá pela primeira vez, não acreditei que era café", lembra David. Com o desejo de ter o próprio espaço, o casal decidiu percorrer fazendas produtoras e conhecer a origem do grão. Quando retornaram para Porto Alegre e começaram a, de fato, desenhar a operação, o conselho de um amigo deu origem ao nome. "Recebemos um toque de que o primeiro contato que tivemos com o café foi na origem, e geralmente é o contrário, a pessoa faz um curso e aí abre o negócio. Então, a partir daí, surgiu a ideia de usarmos os nomes das nossas mães. Lucia é o nome da mãe da minha esposa, e Maria, da minha mãe", explica o empreendedor, agradecendo a ajuda de diversos produtores e pessoas do segmento na execução do projeto. "São muitas pessoas para construir um negócio, e agradeço todos os amigos que o café me proporcionou", pontua.
Como a preocupação com a história do grão está na essência da cafeteria, os sócios não queriam que a operação funcionasse em um espaço qualquer, e sim em um local que tivesse identidade própria. Foi então que surgiu a ideia de levar o Luciamaria para a Casa de Cultura Mario Quintana, um dos espaços mais conhecidos da Capital. "Era muito importante para nós que o local fosse preenchido por uma história, porque nós queremos também contar histórias. Dos produtores de café, as nossas, os perrengues, as alegrias, as tristeza", destaca.
O foco do espaço são os cafés especiais, produzidos a partir de grãos orgânicos. No cardápio, há ainda quitutes. Um dos carros-chefes, o bolo de milho, surgiu a partir das viagens de pesquisa do casal. "Aqui em Porto Alegre é difícil de encontrar nos cafés, e combina muito bem. Então, desenvolvemos uma receita, que foi a primeira da casa, usando ingredientes orgânicos", afirma. David destaca que um pilar importante da operação é a preocupação com a sustentabilidade. "Sempre tivemos o objetivo de usar a menor quantidade possível de água potável, utilizar embalagens e produtos orgânicos e sustentáveis", conta David.
Com boa parte de seu desenvolvimento e a própria inauguração em meio à pandemia, David conta que teve medo de dar esse passo em um momento de incertezas. Com investimento de cerca de R$ 45 mil, o casal decidiu que era a hora certa. "No fundo, sempre acreditei que daria certo, então não olhei para os lados."
 

Empreendedora compartilha abertura de restaurante do zero no Instagram

Bruna Zaparoli não é novata no empreendedorismo. Durante três anos, teve um restaurante no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, com sócios. Chamava-se A Magnífica Cozinha do Fulano de Sal e fechou pouco antes da pandemia se espalhar pelo mundo. A quarentena transformou sua vida, lhe tornou mãe de dois bebês, e, por isso, ela considera que esteja começando do zero novamente. Empolgada por estar lançando um projeto, compartilha tudo pelo Instagram @umrestaurantedozero.
"Desde que o Fulano fechou, eu já queria abrir ele em outro lugar imediatamente, mas tudo conspirou para eu esperar. Engravidei e, quando estava pronta para voltar a trabalhar, engravidei de novo, fora a pandemia que deixou tudo muito sensível no setor da alimentação", conta Bruna. Morando a uma quadra de onde era o Fulano, ela caminhava pelas ruas e encontrava clientes diariamente com um pedido constante. "Que saudade de vocês. Voltem, por favor", reproduz ela.
Para ajudar outros empreendedores e empreendedoras, ela mostra o dia a dia da abertura de um restaurante no Instagram. "Vai ser do zero mesmo, não tem nada lá, nem cozinha, nem móveis. Não tem conceito formado ainda e nem nome. Eu quero mostrar quanto as coisas custam, como são as burocracias, os erros de obra. Também quero mostrar como é divertido montar o próprio negócio com amor e dedicação, escolhendo os objetos, garimpando as artes, planejando todos os detalhes. Quero mostrar os dois lados, a dor e a doçura do empreendedorismo, o trabalho longo e a recompensa no final."
Bruna acredita que as pessoas têm curiosidade sobre como essas coisas funcionam e que, às vezes, também querem abrir um negócio e não sabem por onde começar. "A outra razão é para deixar claro que o caminho não é fácil, para assim, quem sabe, as pessoas terem outro olhar quando forem lá com o lugar pronto. Há quem chegue num restaurante e pense 'nossa, que caro R$ 25,00 um prato de massa, deve ter custado R$ 3,00 para fazer'. Não se dão conta de todo o investimento por trás daquele serviço e produto, fora todas as contas além do insumo que contém no preço. O salário da galera, contabilidade, material de limpeza, aluguel, taxas, sistema. É muita coisa embutida", expõe. O local ficará, a princípio, na frente da Igreja Pão dos Pobres (Praça Cônego Marcelino, nº 23).