Isadora Jacoby e Pâmela Maidana

Experiências vividas no exterior servem de referência para negócios que estão sendo inaugurados em Porto Alegre

Culturas de outros países inspiram novos negócios em Porto Alegre

Isadora Jacoby e Pâmela Maidana

Experiências vividas no exterior servem de referência para negócios que estão sendo inaugurados em Porto Alegre

Num período em que a recomendação é ficar em casa, sem viagens internacionais, nada melhor que poder percorrer o mundo através da gastronomia. Em Porto Alegre, recentemente, abriram diversos locais inspirados em destinos do exterior.

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Num período em que a recomendação é ficar em casa, sem viagens internacionais, nada melhor que poder percorrer o mundo através da gastronomia. Em Porto Alegre, recentemente, abriram diversos locais inspirados em destinos do exterior.
Um deles é o Bar de Gràcia, na avenida Osvaldo Aranha, 788, no bairro Bom Fim. O restaurante oferece, além de um cardápio com referência da culinária espanhola, bar, café e espaço de coworking no segundo piso.
O negócio mistura a experiência da arquiteta Graziela Becker, que morou em Barcelona, e do chef Chico D'Avila, conhecedor de gastronomia internacional. "A ideia do restaurante nasceu do otimismo, pois queríamos construir um local que as pessoas quisessem frequentar num mundo pós-pandemia. O Chico, por já ter vivido em Madrid, topou de cara embarcar nesse projeto", conta Graziela.
O bairro de Gràcia e a grande festa de mesmo nome realizada, anualmente, em Barcelona, na Espanha, são a fonte de inspiração em todos os elementos do negócio, trazendo um pedacinho da Catalunha à capital dos gaúchos.
A festa do santo padroeiro de Gràcia (São Bartolomeu) apresenta como atrações as famosas torres humanas (castellers), os desfiles dos gigantes (gegants), dos dragões (dracs) e das cabeças grandes (capgrossos). Umas mais originais, outras coloridas, mas sempre cercadas de muita beleza. E essas criações artesanais se fazem presentes não só na decoração do Bar de Gràcia, mas, sobretudo, no que chega ao prato. "Eu morei no bairro de Gràcia enquanto estive na Espanha e o festival é realmente uma coisa muito bonita. Dura 10 dias, e tem programações tanto de dia como à noite. Todo o bairro comemora. Queremos trazer isso para o nosso bar", relata Graziela.
Um dos grandes diferenciais, segundo os sócios, é o processo 100% artesanal. Desde os pães, passando pelos molhos, pastas e geleias, tudo é produzido no local. Entre os destaques, estão as tradicionais tapas. Além de releituras de pratos nacionais com um toque espanhol, como por exemplo, o burger. Entre as bebidas, há sangria, as famosas claras e uma variedade de cervejas.
"A culinária espanhola é rica em temperos e eu como chef fico satisfeito com a qualidade da gastronomia de lá. No entanto, no nosso cardápio, as coisas são um pouco diferentes. Tivemos o menu do Dia das Mães que foi 100% espanhol, mas para o Dia dos Namorados 80% dos ingredientes são espanhóis. A ideia é não ficar preso na receita", exemplifica o chef.
O Bar da Gràcia abriu no dia 12 de abril e a demanda vem aumentando, mesmo que num ritmo lento por conta da pandemia. "O Bom Fim ainda está nos conhecendo, mas já estamos criando vínculos com a clientela. Acreditamos que hoje somos o único bar espanhol da cidade que ainda está em funcionamento, então percebemos que vem acontecendo uma identificação com o negócio", considera Chico.
Dentre as tapas mais famosas do bar, encontram-se as croquetas, que são uma espécie de bolinho espanhol feito com molho bechamel e recheio. O local oferece os sabores de presunto cru, queijo, frango e espinafre.
O Bar de Gràcia funciona das 9h às 18h, aos domingos e segundas, e nos outros dias das 9h às 23h. Há serviço de delivery e takeaway.

Delicatessen aposta no diferencial da comida judaica

Abriu as portas, em Porto Alegre, o Moishe's Deli, negócio no estilo comida de rua dedicado à gastronomia judaica. A proposta é fazer uma releitura de itens típicos, tendo o sanduíche de pastrami e o baggle de salmão defumado como as principais apostas do cardápio. O local, ainda, funciona como delicatassen, comercializando itens para que a clientela leve para casa, como mostarda, picles e hummus.
O negócio é a nova aposta do empreendedor Marcelo Libel, 34 anos, que está à frente de outras marcas de gastronomia da Capital, como o Sim Sala Bim, desde 2011, as hamburguerias Tio Burger e Sobrinho, o delivery de comida mexicana Burro Burritos e a marca de donuts O Culpado Doces. A ideia da nova empreitada já era um desejo antigo de Marcelo, mas saiu do papel a partir da expansão do Tio Burger, que ganhou uma nova unidade recentemente na avenida Protásio Alves, esquina com a rua Miguel Tostes, no bairro Rio Branco.
"Quando viajei para Nova York, vi muita coisa legal da culinária de judeus que se estabeleceram nos Estados Unidos, principalmente através do pastrami e do baggle. Ficou na minha cabeça essa ideia. Como a segunda loja do Tio é bem grande, pensei em fazer algo no estilo comida de rua com esses produtos", explica o empreendedor.
A operação ocupa um espaço na lateral na hamburgueria. Um muro pintado com a frase '- ódio, pastrami' chama atenção de quem passa pela região. A identidade visual gerou, segundo Marcelo, grande repercussão e curiosidade do público, o que foi uma surpresa positiva para o empreendedor.
"Está chamando bastante atenção, principalmente da comunidade judaica, que estava muito carente desse tipo de culinária com defumação. As pessoas mandavam mensagem todos os dias perguntando sobre a inauguração. É uma coisa que não tinha visto antes nos meus outros negócios, estou sentindo uma demanda bizarra por esses produtos", comemora.
O cardápio, que está sendo desenvolvido de forma conjunta com o chef Fernando Ruiz, é inspirado nos pratos tradicionais com releituras mais contemporâneas de itens da culinária judaica.
"Minhas duas avós foram as melhores cozinheiras que eu conheci, então tenho uma familiaridade muito grande com a culinária judaica. O pastrami, o salmão defumado e o baggle não são coisas tão comuns na cultura judaico-brasileira. O pastrami é uma carne curada que foi desenvolvida de uma forma rústica pelos judeus imigrantes que colocavam sal na carne para ela não estragar. Ela fica em torno de 15 dias nesse processo para marinar e depois ela assa por cerca de seis horas", explica Marcelo, que investiu aproximadamente R$ 60 mil no negócio.
Para o empreendedor, mais que a abertura de um novo braço, a concepção do Moishe's Deli foi uma reconexão com as suas raízes. Emocionado, ele lembra a trajetória da família e conta que o local é uma homenagem para a comunidade judaica de Porto Alegre.
"Claro que nunca se faz um negócio sem pensar no financeiro. Mas esse é o negócio que, de longe, toca mais no meu emocional que todos outros, porque estou tendo um contato com essa cultura. Comecei a pesquisar e ter uma conexão com o judaísmo que eu nem sabia que existia. A figura do Moishe foi baseada no meu bisavô. Está sendo muito emocionante", conta.
O local, que fica na rua Miguel Tostes, n° 997, opera de terça a sexta-feira, das 18h às 22h30min, e aos sábados e domingos, das 12h às 22h30min. Há opção de delivery.
 

Sabor do México: restaurante foca em tacos

Amigos de longa data, Caue Jadovski e Leonardo Lopes sempre tiveram o sonho de abrir um negócio. A dupla trabalhava em Londres e tinha o costume de se encontrar às terças-feiras para comer tacos, pois o Taco Tuesday, "terça de tacos'', é uma tradição bem comum por lá. "Juntamos nossa vontade de empreender com uma comida que já gostamos bastante. Percebemos que uma taqueria seria uma ótima opção de negócio, visto que é um mercado pouco explorado em Porto Alegre. Nosso amigo Cássio, que é cozinheiro, entrou nessa empreitada com a gente", relata Caue.
Diferentemente dos tacos tradicionais mexicanos, a Paparico Taqueria quer trabalhar com ingredientes locais e sazonais, assim o restaurante tem um menu em constante atualização. "É muito comum o taco com carne de porco, mas vamos oferecer outras opções com proteína animal e também tacos veganos e vegetarianos. Nosso chef é bem criativo, por isso optamos por não seguir algo mais tradicional", conta Caue. O trio ainda quer incrementar o cardápio com quesadillas, nachos e uma sobremesa, dependendo da aceitação do público com o restaurante.
Entre as opções do cardápio, a Paparico tem os sabores de Taco de Cogumelo (shimeji puxado na manteiga de coco, abacate, pico de galo, picles de pepino e gergelim tostado), Taco de Vaca (agulha e osso buco cozidos na pressão, ovinho de codorna frito, salsa macha, abacate, alface crespa e creme azedo), Taco de Pururca (barriga de porco descansada no sal e assada lentamente por quatro horas até "pururucar").
O taco é servido com abacaxi caramelizado, molho agridoce picante e defumado, cebola roxa, couve crocante, pasta de feijão e creme azedo. Na modalidade Pix&Pegue, um taco é R$ 11,95, dois tacos são R$ 22,95, e três tacos ficam R$ 31,95.
Com um investimento de R$ 150 mil, os empreendedores encontraram o local dos sonhos em meio à pandemia, na esquina da rua Castro Alves com Miguel Tostes. Quando ficou vago, logo trataram de alugar o espaço.
"Em março, começamos as obras e, recentemente, começamos o soft open, recebendo alguns amigos e familiares. Por enquanto, vamos estar apenas no delivery. Nosso restaurante fica em uma casa muito bonita e queremos abrir para o público em geral no fim do inverno", projeta Caue.
Os pedidos podem ser feitos pelo WhatsApp (51) 99925-7112.
 

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