Douglas Collares, Isadora Jacoby e Pâmela Maidana

Pandemia fez surgir algo totalmente imprevisto, vinculado ao desejo das pessoas de continuarem consumindo as bebidas que encontravam em bares e restaurantes

De repente, um novo serviço: drinks em casa

Douglas Collares, Isadora Jacoby e Pâmela Maidana

Pandemia fez surgir algo totalmente imprevisto, vinculado ao desejo das pessoas de continuarem consumindo as bebidas que encontravam em bares e restaurantes

Neste verão, um dos hábitos tradicionais do ser humano desta época do ano, o de celebrar momentos com drinks, foi reinventado por causa da pandemia do coronavírus. Em vez de aglomeração em bares e restaurantes, o jeito é curtir o momento de lazer em casa, aproveitando os novos serviços de tele-entrega que surgiram no segmento.

Ops! Este conteúdo é exclusivo para assinantes...

Neste verão, um dos hábitos tradicionais do ser humano desta época do ano, o de celebrar momentos com drinks, foi reinventado por causa da pandemia do coronavírus. Em vez de aglomeração em bares e restaurantes, o jeito é curtir o momento de lazer em casa, aproveitando os novos serviços de tele-entrega que surgiram no segmento.
Um deles foi o Spritzse, lançado em 2020 pelos amigos de longa data Letícia Loeff e Carlos Henrique Dytz Piccoli. O negócio é inspirado em tendências da Europa e dos Estados Unidos: bebidas em lata.
O drink alcoólico é uma combinação de licor, prosecco e água com gás. A ideia é que o consumidor finalize a experiência em casa, usando um copo de 300 ml, cinco cubos de gelo e uma rodela de laranja.
Letícia e Carlos são publicitários de formação, mas acumulam experiência variadas. Letícia trabalhou em agência e foi sócia de uma padaria e café francês em Porto Alegre. Carlos envolveu-se com um outro projeto de drinks em lata, o que lhe despertou para o setor. "O SpritzSe foi resultado da união da vontade, da oportunidade e de um baita produto", afirma Letícia, orgulhosa com a empreitada.
As vendas dos packs ocorrem no site spritzse.com.br, e a entrega em Porto Alegre é gratuita. Para as demais localidades, o frete é calculado pelos Correios. A lata tem 310ml e custa R$ 16,50.
É possível, ainda, encontrar o SpritzSe em alguns pontos parceiros, como cafés, hamburguerias, mercados e restaurantes. Além da Capital, o drink, que é produzido em Caxias do Sul, está disponível no Litoral, e o foco da dupla de empreendedores é aproveitar o apelo da estação nessa região.
"Acreditamos muito no nosso produto, no modelo de negócio e na qualidade que o SpritzSe tem. Não estamos apenas vendendo um drink em lata, mas trazendo um conceito, uma forma descomplicada de consumo. Em 2021, nosso trabalho é para a consolidação da marca nas regiões que já chegamos, mas já expandindo para outras, alcançando o maior número de pessoas, tornando o SpritzSe uma bebida verdadeiramente pop." Para deixar a experiência surpreendente, a dupla sugere usar a caixa do pack com as seis latas como cooler (colocando alguns sacos de gelo). "A inspiração veio de um prêmio de design de embalagem mundial recebido por uma grande cervejaria famosa há algum tempo", revela Letícia.

Bares tiveram que apostar na solução

Era 2017 quando as empreendedoras Taiane Panizzi e Thais Ribeiro abriram as portas do Spoiler, um bar temático de séries na General Lima e Silva, nº 1.058, no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre. Quem queria beber ia até o local e tinha uma experiência completa. Como o coronavírus afetou, diretamente, o mercado, elas tiveram que enviar drinks para as casas da clientela.
Os drinks sempre fizeram sucesso nas redes sociais. Eles são inspirados em personagens, como o Composto V, drink que faz referência à série The Boys, e leva vodca, ácido ascórbico, xarope de curaçau e soda limonada na composição. A migração não foi tão simples, pois algumas receitas tiveram de passar por reformulação para serem consumidas longe do empreendimento.
"A ideia dos drinks engarrafados foi para se aproximar um pouquinho dos nossos clientes, já que fazia tanto tempo que estávamos longe por conta do isolamento. Tentamos adaptar o máximo possível para que eles durassem um pouco mais, mas também tivessem a refrescância aqui da casa", explica Taiane.
As bebidas foram pensadas para durar até quatro dias na geladeira, e o preparo varia. Algumas vão prontas para servir, como o Heisenberg. Outras necessitam ser agitadas antes, como o Morgan. A recomendação é colocar bastante gelo no copo, como o Spoiler faz. O mais pedido no delivery, segundo a Taiane, é o Morgan, inspirado na série Dexter, que contém rum, purê de amoras e morangos, xarope simples, solução de ácido cítrico e pimenta rosa.
Na pandemia também surgiu uma parceria com a jornalista Júlia Fernandes, ex-repórter do GeraçãoE. O projeto Preto Alegre recebe, através de lives e vídeos, personalidades pretas gaúchas para uma conversa enquanto os drinks são degustados. A ideia foi da Júlia, e Taiane sentiu-se muito honrada pela lembrança do negócio em uma iniciativa como essa.
"O projeto está alinhado com as nossas bandeiras e com o que a gente acredita. Foi um prazer ser um lugar onde a Júlia pode divulgar o trabalho dela. Nós demos uma parada agora, mas vamos voltar com ele", diz a empreendedora. As lives são feitas no Instagram @spoilerpoa.
Para esse ano, a empresa pretende continuar no delivery e já conseguiu algumas parcerias com os aplicativos de entrega. "A ideia ainda é seguir levando a experiência do Spoiler para a casa da galera que não pode vir aqui. E continuar se adaptando a essas mudanças. Está sendo muito legal, mesmo que de longe."

Bartender cria clube de assinatura de drinks em Porto Alegre

O desejo de aproximar as pessoas da coquetelaria foi o impulso para o bartender Leo Tonetto criar a Dash Drinks em Porto Alegre. Atuando, inicialmente, com venda avulsa de bebidas por delivery, o negócio, agora, opera também no formato de clube de assinatura de drinks. Mensalmente, os clientes recebem em suas casas quatro drinks diferentes produzidos pelo empreendedor
Bartender desde 2014, Leo sentiu, em 2020, a necessidade de tirar um plano antigo do papel. "Já tinha a ideia dos drinks engarrafados há alguns anos, mas ela saiu da gaveta por necessidade. Com a pandemia e a perda do meu emprego, toquei o projeto adiante e surgiu a Dash", conta. A operação iniciou em junho, vendendo os drinks criados pelo bartender por meio do Instagram e do e-commerce da marca (dashdrinks.com.br). Após alguns meses de funcionamento, o empreendedor decidiu apostar no formato de venda fidelizada, criando um clube de assinatura dos seus drinks. "As principais motivações para o clube são aproximar as pessoas da coquetelaria servindo a elas, mensalmente, drinks novos, clássicos desconhecidos, drinks que eu curto beber. Possibilidades novas e saborosas, com uma curadoria bem pensada", explica o empreendedor.
A assinatura da Dash Drinks custa R$ 149,00 por mês, com entrega gratuita para Porto Alegre. Para demais cidades do Estado, a caixa é enviada pelo sistema das rodoviárias. "Os assinantes recebem, todo mês, uma caixa com oito doses (duas doses de cada um dos quatro drinks do mês), um brinde para incrementar o bar de casa e um material didático", detalha Leo, que agregou ao clube parcerias com outros locais da Capital. "Além da caixa, a gente oferece 10% de desconto em compras no nosso site e em dois outros parceiros: os Barrancas Vinhos Importados e a Basalto Cafés", complementa.
Os drinks também são vendidos de forma avulsa em três tamanhos diferentes: 110ml, 220ml e 550ml, que correspondem a uma, duas e cinco doses, respectivamente. A carta atual tem seis criações autorais e três drinks clássicos, que partem de R$ 18,00. Segundo ele, as bebidas são entregues prontas para consumo imediato, mas têm validade de, pelo menos, 20 dias. "Os drinks são preparados e servidos bem como estou acostumado a servir no bar, mas com a preocupação de dar um bom prazo de validade às bebidas", pontua o empreendedor, revelando que a preferência da cliente são os drinks Bergamotada (vodca, aperol, shrub de bergamota e manjericão e água tônica) e o Amburana Punch (cachaça de amburana, limão, mel de laranjeira, hortelã e angostura), "mas a gente reconhece fãs de quase todos os drinks", garante.
Criado a partir das necessidades impostas pela pandemia, o negócio, acredita Leo, foi recebido de forma positiva pelo público também pelo momento, já que as pessoas estavam mais abertas a novas formas de consumo. "A pandemia, com as dificuldades que ela trouxe, foi a faísca para Dash ser criada. Foi um ano bastante incomum e difícil em muitos aspectos, mas senti que as pessoas estavam abertas a produtos e experiências novas, que pudessem viver em casa, de preferência recebendo pelo delivery. Essa abertura dos clientes, aliada à solidariedade da maioria em ajudar pequenos negócios locais, foi a condição perfeita para começar o negócio", acredita.

Experiência de uma década facilitou atendimento

Além da capital gaúcha, o aplicativo também atende cidades na região metropolitana

Já se sabe que a pandemia fez muitos negócios abrirem ou migrarem para o delivery, mas o empreendedor Vinicius Muller apostava nessa ideia muito antes disso. A partir de um churrasco com os amigos, no ano de 2009, ele pensou em criar um serviço pioneiro que entregasse bebidas onde as pessoas estivessem, principalmente, em reuniões, festas e eventos. "Sempre tem aquele momento da noite em que a bebida acaba, e alguém precisa sair para comprar. Pensando nisso, botei o Tele Trago em prática, levando comodidade e praticidade para as pessoas", afirma Vinicius.
A caminhada para tornar possível o negócio foi longa. Com um investimento inicial de R$ 5 mil, o empreendedor acumulava funções para evitar gastos com contratações. "Trabalhava só eu e um motoboy. Atendia, entregava, fazia compras, fazia o financeiro, tudo bem embrionário", relata. Inicialmente, como a tecnologia dos aplicativos ainda não era tão popular, Vinicius trabalhava somente com atendimento por telefone. Com o passar do tempo, o negócio expandiu. Em 2014, o Tele Trago ganhou seu próprio e-commerce (teletrago.com.br) e aplicativo. Hoje, a empresa possui mais de 30 mil dowloands no app e aproximadamente 15 mil acessos mensais no site.
Dentre os itens mais pedidos pelos clientes, a cerveja ocupa o primeiro lugar, correspondendo de 35% a 40% das vendas do app. Segundo o empreendedor, os vinhos também são muito solicitados, tinto em dias frios, e o branco no verão. "Temos cerveja de R$ 5,00 até vinhos de R$ 250,00. Opções não faltam, nosso cardápio é bem diversificado", diz Vinicius. Além das bebidas alcóolicas, o serviço oferece pizzas, pastéis, sorvete, sucos, refrigerantes e snacks.
A localização das lojas físicas do negócio foram pensadas para atender às demandas que um delivery de bebidas tem. Situada na rua Miguel Tostes, nº 840, bairro Rio Branco, em Porto Alegre, o serviço de entrega atende dentro de um raio de 13 km do endereço, não cobrindo zonas de risco e regiões extremas da Capital. Na Região Metropolitana, o Tele Trago tem sede em Canoas, no bairro Marechal Rondon, rua Doutor Sezefredo Azambuja Vieira, nº 2.651, e atende também as cidades de Cachoeirinha, Viamão e Sapucaia.
Com a pandemia, chegou também a concorrência. Sites, aplicativos, restaurantes, bares, que, em sua maioria, agregaram o delivery aos seus negócios e passaram a disputar o nicho. "Apesar de grande parte da concorrência ser desleal, trabalham de forma informal, sem emissão de nota, eu confio muito na expertise que temos de mais de uma década. Antes da pandemia, já éramos líder de mercado, e nesse momento, somos a marca mais lembrada pelos clientes", afirma o empreendedor. O app Tele Trago faz, em média, 500 entregas por fim de semana, tendo atingido, recentemente, 350 pedidos em apenas um dia.

Douglas Collares, Isadora Jacoby e Pâmela Maidana 

Receba matérias deste autor

Douglas Collares, Isadora Jacoby e Pâmela Maidana 

Receba matérias deste autor

Deixe um comentário