Isadora Jacoby e Pâmela Maidana

Modelo voltou a ser visto como promissor durante a pandemia. Empreendedores viram no formato uma maneira de criar recorrência e mais estabilidade

Clubes de assinatura são aposta de empresas gaúchas

Isadora Jacoby e Pâmela Maidana

Modelo voltou a ser visto como promissor durante a pandemia. Empreendedores viram no formato uma maneira de criar recorrência e mais estabilidade

A pandemia alterou o rumo de muitos negócios e colocou projetos no banco de reservas. Com muita gente receosa em fazer compras, modelos de venda que promovem a fidelização do cliente, como os clubes de assinatura, voltaram a ser uma aposta de empreendedores e empreendedoras. 

Ops! Este conteúdo é exclusivo para assinantes...

A pandemia alterou o rumo de muitos negócios e colocou projetos no banco de reservas. Com muita gente receosa em fazer compras, modelos de venda que promovem a fidelização do cliente, como os clubes de assinatura, voltaram a ser uma aposta de empreendedores e empreendedoras. 
Foi exatamente o que aconteceu com Felipe Knop e Francisco Souza, sócios da Beerlab.Club. Apaixonados pelo universo da bebida e cervejeiros caseiros há 10 anos, como define Felipe, a dupla tirou do papel a vontade de ter uma produção fabril própria de cerveja no início deste ano. Dando os primeiros passos na empreitada, veio a pandemia. No cenário de incertezas e com processos burocráticos mais lentos, segundo Felipe, os sócios, que planejavam abrir um brewpub em frente à fábrica, em Porto Alegre, e criar um berçário para novos cervejeiros, partiram para o plano C: um clube de assinatura de rótulos autorais. "O cervejeiro caseiro não pode vender sem registro, existem muitas regulamentações, então ele poderia terceirizar a produção lá na nossa fábrica para testar se a receita dele é boa, se tem uma boa aderência aos bares, restaurantes, porque depois ele iria para uma cervejaria fabricar uma quantidade maior", explica Felipe. Esses planos, em um primeiro momento, foram pausados e deram lugar ao clube de assinatura de cervejas.
"Acabamos trancando todos os planos e indo para o plano C. Já tínhamos essa previsão de lançar o clube de cerveja. Como temos uma planta fabril pequena, que produz pouca quantidade, temos uma maleabilidade de fazer receitas e nunca repetir, se quisermos, já que não temos um grande estoque para consumir. Até por isso que, hoje, nosso clube tem uma limitação de 80 assinaturas, que é o que conseguimos produzir de cada receita", complementa o empreendedor.
Operando desde agosto, o clube tem mensalidade de R$ 59,90 e inclui entrega gratuita em Porto Alegre e em Carazinho. As assinaturas podem ser feitas pelo site beerlab.club. O assinante recebe, em casa, três latas de 473 ml, com receitas desenvolvidas pelos sócios. Dois dos três rótulos são escolhidos pelos clientes, que recebem uma pesquisa mensal e podem votar nas receitas preferidas. O terceiro é escolhido pelos sócios.
"As pessoas participam da escolha do cardápio do mês seguinte porque é um jeito de elas conhecerem o estilo de cerveja que gostam ou não. É muito bom gerar essa experiencia da pessoa conhecer e receber, todos os meses, latas diferentes e ver o que gosta. O clube cria essa experiência para o consumidor e aproveita a nossa planta fabril nesse processo todo", pontua Felipe.
Com o plano C em prática, a ideia é retomar o berçário de cervejeiros e a construção do pub assim que possível. Felipe explica que foram muitos meses com despesas e sem faturamento, fazendo com que as reservas dos sócios fossem destinadas para a manutenção do negócio. "Pagamos sete, oito meses de aluguel, temos equipamentos de resfriamento que não podem ficar desligados. Todo dinheiro que tínhamos armazenado para outros projetos vamos ter que resgatar mais para frente. Toda nossa reserva acabou indo para conseguir manter o negócio estruturado até a gente conseguir fazer o clube", explica o sócio.
Apesar de reunirem esforços para colocar as outras ideias em prática, o clube acabou conquistando a dupla. "O brewpub vai ficar mais para frente. Quando houver segurança, vamos cogitar começar a obra. A terceirização de berçário está em pé, mas o clube é nosso carro-chefe, o que vai manter nossas contas funcionando, e o que dá mais prazer para a gente. Conseguimos nos divertir, interagir com as pessoas. Essa construção conjunta com o assinante é muito rica para nós", revela Felipe.

A solução ideal para não faltar pizza a cada 30 dias

Rodrigo Jacintho, ex-professor de Latim na Universidade de Caxias do Sul (UCS), lançou uma novidade para os amantes de pizza: um clube de assinatura. Por uma mensalidade de R$ 55,00, a clientela tem a garantia de receber o lanche na porta de casa em dia programado, entre 20 e 30 de cada mês.
Rodrigo criou a novidade na Homens de Pizza no início de 2019, ao ver o crescimento do mercado de clubes de assinatura. Como havia diversos, pensou que poderia existir um de pizza.
Cada mês, é enviada uma com dois sabores diferentes, com base em um formulário preenchido pelo cliente. "Na primeira edição, as pizzas entregues tinham um sabor. A estrela de fevereiro era a 5 queijos", exemplifica Rodrigo. Com a participação no clube, há um desconto de R$ 10,00 nas outras pizzas e uma unidade de brinde no mês do aniversário.
"Essa nova edição foi baseada no número dois. São dois sabores de pizza, que servem duas pessoas. Cada membro do clube vai poder comprar duas pizzas com R$ 10,00 de desconto e pode usar dois vouchers de 10% de desconto em todas as promoções", detalha.
A divulgação é feita no boca a boca e pelos amigos de Rodrigo. Uma maneira que ele encontrou de agradecer foi dando uma pizza broto doce cortesia para quem levar um amigo que permaneça no clube durante 12 meses.
Sendo uma "não-pizzaria", Rodrigo quer que a Homens de Pizza seja uma revolução no conceito de pedir pizza. Elas são entregues frescas, e as pessoas também podem congelá-las. Em média, são feitas de 40 a 60 unidades por semana, e todas de maneira artesanal por Rodrigo, que toca o projeto sozinho. Os pedidos são feitos pelo WhatsApp.
 

Marca tradicional de chocolate artesanal de Gramado mira nas entregas

Completando 45 anos no mercado, a Prawer, fábrica de chocolate artesanal de Gramado, criou, neste ano, o seu clube de assinatura. A modalidade de vendas, que tem pacotes de 2,1 kg e 1,1 kg, foi uma das alternativas encontradas pelo negócio para manter as vendas das cerca de 18 toneladas de chocolate produzidas mensalmente na cidade da Serra Gaúcha. Mauricio Brock, diretor executivo da Prawer, conta que o desejo de ter uma venda fidelizada como o clube de assinatura já existia na empresa, mas só saiu do papel em meio à pandemia. Na entrevista abaixo, ele conta detalhes do formato e as suas vantagens para a empresa e consumidores.
GeraçãoE - Como surgiu a ideia de criar o clube de assinatura de chocolates?
Mauricio Brock - Esta ideia já tivemos há muito tempo, no auge dos clubes de assinatura. Mas ela estava na gaveta. Na época, haviam outras prioridades. Com o avanço acelerado do comércio via internet, aumento das taxas para o transporte de bagagens das companhias aéreas e, por fim, o advento da pandemia, as prioridades mudaram. Tiramos o projeto da gaveta e o implementamos. Estamos muito felizes com os resultados.
GE - O clube funcionou como uma alternativa para manter as vendas na pandemia? Quais outras estratégias foram criadas para esse momento?
Mauricio - Sim, funcionou muito bem. O nosso e-commerce também cresceu muito. Já estamos trabalhando em uma nova plataforma mais robusta para atender este mercado. Ações de tele-entrega também nos auxiliaram bastante no auge da pandemia, que, casualmente, coincidiu com a Páscoa.
GE - Como é para uma empresa tradicional adotar modelos mais contemporâneos de venda?
Mauricio - Sempre tivemos, na Prawer, a inovação como um de nossos pilares. Nosso fundador, Jayme Prawer, tinha em seu DNA a inovação. E foi com esse espírito que ele criou a Prawer, a primeira fábrica de chocolate artesanal do Brasil, há 45 anos. E é só desta forma que uma empresa consegue se manter no mercado por tanto tempo. As mudanças estão acontecendo de forma extremamente acelerada. Se não tivermos agilidade e esse espírito, acompanhando e implementando as novas tendências, acabamos ficando para trás. E é um caminho sem volta. Quem não investe em inovação, tanto no que se refere a produto e marca, quanto a processos e tecnologia, acaba desaparecendo no mercado.
GE - De que maneira a venda de chocolates foi impactada neste ano?
Mauricio - Para a Prawer, que tem uma dependência muito grande das vendas em Gramado, o impacto foi muito forte. Chegamos a faturar apenas 10% da nossa capacidade de produção. Mas o mercado está se recuperando. Esta recuperação é lenta, mas constante. A curva está ascendente. E com isto, nos forçamos a vislumbrar novos horizontes. Ampliar os nossos canais de distribuição. Lançamos produtos destinados a diferentes praças. E temos mais uma série de produtos em desenvolvimento para este fim. Estamos nos reinventando e tenho certeza que sairemos desta crise mais fortes.
GE - Como o público recebeu a ideia do clube de assinatura?
Mauricio - A receptividade foi muito boa. Temos muitos clientes fiéis pelo Brasil afora que não tem um ponto de venda físico da Prawer perto de sua casa. Assim, conseguimos atendê-los de forma consistente e constante.
GE - Como funciona o clube de assinatura?
Mauricio - Há duas opções: o Clube Premium, no qual o cliente recebe 2,1 kg de chocolate ao mês, e o Clube Essential, no qual o cliente recebe 1,1 kg de chocolate ao mês. Esta quantidade de chocolates é uma seleção do mix de produtos da marca, que englobam drágeas, barras, bombons, trufas, entre outros. No primeiro envio, o cliente recebe como brinde uma caixa de madeira, linda, pintada no estilo provençal, que serve para acondicionar os chocolates quando eles chegam mensalmente. O custo da assinatura é muito acessível. Nos estados do Sul, o frete é gratuito.

Isadora Jacoby e Pâmela Maidana 

Receba matérias deste autor

Isadora Jacoby e Pâmela Maidana 

Receba matérias deste autor

Deixe um comentário