Pâmela Maidana

O Pãomares é um projeto das cunhadas Bárbara Centeno e Dandara Ferreira

Dupla cria pães inspirados em personalidades negras em Porto Alegre

Pâmela Maidana

O Pãomares é um projeto das cunhadas Bárbara Centeno e Dandara Ferreira

Na pandemia, muitas pessoas acabaram ficando em casa, cozinhando mais e aprendendo novas receitas. Nessa imersão, Bárbara Centeno, estudante de Agronomia, e da Dandara Fereira, estudante de Direito, criaram a Pãomares em Porto Alegre, uma linha de pães artesanais que homenageia personalidades negras.

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Na pandemia, muitas pessoas acabaram ficando em casa, cozinhando mais e aprendendo novas receitas. Nessa imersão, Bárbara Centeno, estudante de Agronomia, e da Dandara Fereira, estudante de Direito, criaram a Pãomares em Porto Alegre, uma linha de pães artesanais que homenageia personalidades negras.
Dandara sempre se interessou pela cozinha, mas foi na pandemia que ampliou o leque de receitas. Acabou fazendo um pão que viu no Instagram e Bárbara, que já tinha experiência vendendo docinhos no campus da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), incentivou que os pães fossem comercializados. Os familiares foram os primeiros a comprar os itens, e, conforme o projeto ia amadurecendo, elas se deparam com a dúvida: que nome dar para o negócio. “Surgiu de um trocadilho com o Quilombo dos Palmares, o mais conhecido e populoso quilombo estabelecido em solo brasileiro. Achamos que seria interessante a identificação e propagação de histórias e cultura negra associadas ao produto que temos para vender”, diz Bárbara.
Desde o início do Pãomares, em julho deste ano, até agora, os pães são feitos por encomenda. Bárbara conta que o investimento inicial foi apenas nos ingredientes, algo em torno de R$ 70,00. “Hoje, já temos a preocupação de agregar valor aos nossos produtos, investindo mais em embalagens, material informativo e de divulgação.”
Para Bárbara, tem sido um desafio estar à frente do negócio, pois tanto ela quanto Dandara são de áreas diferentes. Foi necessário desenvolver uma linguagem digital atrativa e aprender a lidar com todas as questões financeiras e de mercado que o projeto exige. “Gerir um negócio vai muito além da preocupação com o produto em si, ainda mais atualmente, quando grande parte da responsabilidade do sucesso de um negócio ou produto está na criatividade e inovação da forma de oferecê-lo”, pontua Bárbara.
Um dos primeiros pães a serem feitos levou o nome de Tebas, um pão de milho recheado com goiaba e que custa R$ 16,00. O nome é em homenagem a Joaquim Pinto de Oliveira, o Tebas, que foi escravizado até os 58 anos durante o Brasil Colonial. “Após liberto, foi o responsável pela criação de diversas obras arquitetônicas na capital paulista, como a torre da antiga Igreja Matriz da Sé. Tebas apenas foi reconhecido como arquiteto em 2018, mais de 200 anos após sua morte”, conta Bárbara.
JOYCE ROCHA/JC
O pão, segundo a Bárbara é um dos alimentos mais democráticos do mundo e as duas acreditam ser uma ótima ideia levar a história através dele. “Existem tantas receitas, ruas, lugares, cujos nomes são inspiradas em personagens históricos. No entanto, raramente essa identificação é relacionada ao povo negro, por isso ficamos felizes por integrar um crescente mercado neste sentido.”
No momento, elas atendem via Instagram @paomarespao. A primeira entrega é sempre grátis, feita por elas. Agora, Bárbara e Dandara estão mapeando os clientes para para verificar se é possível implementar a modalidade de assinatura.

Curiosidade: os nomes

Quariterê

Tebas

Carimbó

Cruz e Souza

Galanga

Enedina

Manuel 

Felipa

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