Isadora Jacoby, Mauro Belo Schneider, Pâmela Maidana e Vitorya Paulo

Intraempreendedorismo, passos iniciais, franquia, social e solo: mostramos diferentes maneiras de empreender

Dia do Empreendedor: conheça cinco perfis que vão além de abrir um negócio

Isadora Jacoby, Mauro Belo Schneider, Pâmela Maidana e Vitorya Paulo

Intraempreendedorismo, passos iniciais, franquia, social e solo: mostramos diferentes maneiras de empreender

Cinco de outubro é o Dia do Empreendedor, uma homenagem à criação do Estatuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, de 1999. Desde então, é possível ver o empreendedorismo tomando cada vez mais forma no Brasil. Se há 21 anos era difícil pensar em ter uma empresa própria, hoje em dia, abrir um registro de microempreendedor individual (MEI) é feito com uma dúzia de cliques pela internet e representa o início da jornada. 

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Cinco de outubro é o Dia do Empreendedor, uma homenagem à criação do Estatuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, de 1999. Desde então, é possível ver o empreendedorismo tomando cada vez mais forma no Brasil. Se há 21 anos era difícil pensar em ter uma empresa própria, hoje em dia, abrir um registro de microempreendedor individual (MEI) é feito com uma dúzia de cliques pela internet e representa o início da jornada. 
Para simbolizar essa data, o GeraçãoE traz histórias de cinco tipos de empreendedores: intraempreendedor, que empreende novos projetos na empresa onde trabalha; iniciante, que está dando os primeiros passos; franqueado, que empreende com uma marca consolidada e criada por outra pessoa; social, movido pela vontade de mudar o mundo e conscientizar pessoas; e dono do negócio solo, que empreende sozinho porque acredita no impacto de suas próprias ideias. 

Do hobby da infância à realização do sonho: marca própria autoral

Costurar faz parte das tradições de muitas famílias. Na de Fernanda Barbosa, 24 anos, de Porto Alegre, não foi diferente. A avó, a mãe e a tia são habilidosas na prática, o que a motivou a fazer as primeiras tentativas em peças para as suas bonecas aos 7 anos. Hoje, ela empreende de forma solo. Com vendas pelas internet, a Doce Capitu tem o propósito de fazer as mulheres se sentirem bonitas, independentemente da forma de seus corpos.
Quando pequena, a mãe de Fernanda lhe trazia retalhos que ganhava da estilista para a qual trabalhava, e começou a fazer roupas para os brinquedos na mão. Até porque ainda não tinha uma máquina de costura. Ela customizava também peças de brechós, não só para ela, mas para seus amigos. A criação da Doce Capitu veio por insistência deles, inclusive.
Com o nascimento da filha Anthonia, Fernanda começou a ter problemas com sua autoestima, daí o surgimento do propósito do projeto. "A minha ideia era que eu e outras mulheres pudéssemos nos sentir sexy e bem, independentemente se fôssemos magras ou gordas. As primeiras peças são uns pijaminhas transparentes que eu fiz no começo. Até hoje, faço sob medida para que qualquer pessoa possa ter acesso", diz.
Fernanda pesquisa muito na internet para criar os seus modelos, e a disponibilidade da peça varia conforme o clima e os pedidos. "Faço quando tem material. Se é uma peça que sei que estou recebendo muita encomenda, está vendendo bastante e tem material, faço reposição. Se é uma peça que não vendeu tanto e já acabou, não faço, porque eu também tenho que pensar na questão das estações do ano. Não posso fazer uma peça muito de inverno no verão", interpreta.
Antes da pandemia, Fernanda fazia faculdade, estágio, cuidava da avó nos fins de semana e ainda empreendia. Com tudo isso, afirma que ser empreendedora e mãe não é fácil.
"Falta valorização. As pessoas querem colocar preço no teu trabalho e acham que é aquilo ali que vale. Sendo que não é. Eu sempre fiz, desde o início, tudo sozinha. Faço todo o processo, desde a criação dos moldes, embalagens e peças."
 

Projeto transforma peças íntimas usadas em novas

Na Caon Lingerie, suas calcinhas e sutiãs velhos podem ajudar mulheres

Pensando em aumentar a vida útil das peças íntimas femininas e ajudar mulheres em situação de vulnerabilidade, a Caon Lingerie criou o Programa de Logística Reversa. Ele funciona da seguinte forma: as pessoas deixam suas calcinhas e sutiãs (de qualquer marca e modelo) em pontos de coleta em Porto Alegre e a Caon faz uma triagem e identifica o que pode ser higienizado e consertado. É um exemplo de empreendedorismo social. 
As calcinhas e sutiãs passam por reformas e uma lavagem industrial, e então são entregues em um bom estado para mulheres em condições de vulnerabilidade através de uma rede de acolhimento. Por fim, as peças que estão muito desgastadas são enviadas para o desmanche adequado na indústria Ambiente Verde, em Taquara. Desse material, são feitas caixas de entrega para os produtos da Caon, criando um novo uso ao resíduo têxtil.
A proprietária da marca Rosele Caon tem como objetivo transformar a realidade das mulheres e do meio ambiente a partir dos seus produtos. "Queremos gerar impacto positivo na sociedade, atuando sobre a questão da desigualdade de gênero. Apostamos na educação para ajudá-las a se transformarem", diz.
O dinheiro para as operações da marca (logística, costura e lavagem industrial) vem das vendas de calcinhas, sutiãs e conjuntos novos que a Caon desenvolve. "Produzimos, com carinho cada calcinha e cada sutiã. Com vontade de levar conforto e beleza, apostamos em tecidos macios e modelagens pensadas para o bem-estar de quem veste a roupa", pontua Rosele. As calcinhas custam a partir de R$ 70,00 e os sutiãs, R$ 120,00.
Rosele encontrou na marca um jeito de ajudar outras mulheres e o meio ambiente.
"O descarte de lingerie no lixo comum é danoso, já que as peças, em sua maioria, possuem materiais sintéticos em sua composição e levam séculos para se degradar, em um processo tóxico. Mas a questão vai além: enquanto toda essa roupa vai para o lixo, muitas mulheres em situação de vulnerabilidade não têm acesso a calcinhas."

Conhecimentos multidisciplinares incentivam opção por integrar time

Empreender é ter boas ideias e soluções criativas. Por isso, não é sinônimo apenas de abrir um negócio. Fernanda Fröhlich, 29 anos, de Porto Alegre, considerada uma intraempreendedora, idealizou o aplicativo Dowing dentro da Dragon Venture Capital, que recebeu um investimento de mais de R$ 2 milhões. O app alia uma metodologia específica com tecnologia para auxiliar as pessoas em seu desenvolvimento.
"Trabalhar numa empresa que, desde sua fundação, incentiva inovação, está aberta a novas ideias e que quer construir um legado são grandes incentivos para saber que é o local certo para empreender", considera Fernanda, atual CEO da Dragon. "No primeiro papo que tive na Dragon, esses eram pilares presentes e sempre foi me dada autonomia e liberdade para debatermos ideias e decidirmos juntos os caminhos que iríamos seguir", completa.
O intraempreendedor conquista, justamente, isso: liberdade e confiança da gestão. Mas é necessário que haja essa cultura de forma horizontal, para que o colaborador com esse perfil se sinta realizado. "Meus planos para o Dowing sempre foram grandes e eu sabia que sozinha não conseguiria executar tudo que gostaria. Ter a opção de empreender na empresa que atuo diariamente, com um time espetacular, fez com que os planos fossem ainda maiores. Além disso, mesmo que o Dowing não seja executado por todo time da Dragon, empreender dentro de um negócio possibilita que os recursos dos demais projetos sejam compartilhados, aumentando eficiência e eficácia, diminuindo custos e potencializando conhecimentos multidisciplinares", destaca. Pelo app, há sessões com consultores, mentores, coaches e terapeutas.
 

As máscaras como pontapé inicial pelo viés da sustentabilidade

Em 2020, surgiram muitos novos negócios com um mesmo produto: máscara. A demanda, inexistente antes da pandemia, só cresceu ao longo dos meses, fez com que muitas pessoas apostassem na produção do item e dessem os passos iniciais em um projeto próprio.
Cris Tronco, 34 anos, trabalhava como fotógrafa e viu, em poucos dias, sua agenda ficar vazia para o ano todo. O tempo ocioso e a proximidade com o artesanato impulsionaram a empreendedora a criar a Leveza em Cor, marca de artesanato consciente. "Tenho muito o viés da sustentabilidade, de gerar menor impacto ambiental possível. Comecei a pesquisar sobre as máscaras de tecido e tirei a minha máquina que estava há cinco anos no armário para costurar, presentear e doar para as pessoas do meu círculo", conta Cris, que prioriza tecidos de reuso.
Os amigos e familiares que receberam os itens como presente começaram a encomendar, dando vida ao novo negócio de Cris. As máscaras estão disponíveis à pronta-entrega e custam R$ 14,00. Mesmo que o negócio tenha surgido em função das máscaras, a empreendedora aproveitou o movimento para realizar um sonho antigo: empreender com artesanato e sustentabilidade. "Fazer uma coisa que juntasse o artesanato com a preocupação ambiental e relações mais éticas de troca comercial era algo que sempre quis, mas pensava para o futuro. Criei a marca com um nome mais genérico para, aos poucos, ir incorporando outros itens com esse viés de sustentabilidade, de produção local", explica.
As máscaras da Leveza em Cor, quando não estiveram mais em condições de uso, podem ser devolvidas para Cris, que afirma dar o destino correto para o produto. "Tecido é um grande problema, porque aqui no Brasil é muito complicado de reciclar. Não é uma coisa que pode ser colocada no lixo comum, nem seco nem orgânico. Fiz uma parceria com a  Arco Reciclagem e Compostagem, que gerencia resíduos sólidos para outras empresas, enviando para cooperativas que realmente vão reciclar cada tipo de material. Normalmente, encaminharíamos 70% do nosso lixo para o aterro, e, com esse gerenciamento otimizado, agora só 10% vai para lá", afirma.
Para a empreendedora, estruturar um novo negócio foi prazeroso e desafiador. "Fui aprendendo com o processo, muito na tentativa e erro, desde o modelo até as postagens e embalagens. Não tenho medo de testar e ver que não deu certo, e não espero a coisa estar pronta para jogar no mundo", relata Cris, que planeja seguir com o projeto no futuro. "Se ela não se tornar a minha principal atividade, vai estar em paralelo com a fotografia. É um espaço de artesanato consciente e com uma preocupação ambiental, uma coisa que eu quero levar para a vida."
 

Uma saída para não estar sozinha

Uma andorinha só não faz verão. É com esse ditado que a empreendedora Lilian Santiago Evangelista, 39 anos, justifica sua escolha pela franquia. À frente da Royal Face, em Canoas, desde novembro de 2019, acredita que esse modelo de negócio é ideal para quem não quer se sentir sozinha no processo de empreender. "Já tem uma marca consolidada, tem certo prestígio. Então, é mais fácil estar conquistando os clientes", afirma. Além disso, ela ressalta a estrutura e respaldo que a franqueadora dispõe, como auxiliar na hora de escolher colaboradores e até com os tipos de postagens que vão para as redes sociais. "Vejo que a franquia ajuda a começar o negócio próprio para aquela pessoa que não tem muito conhecimento, que quer investir, mas tem certo medo", opina.
A Royal Face é especializada em procedimentos estéticos para o rosto, mas também dispõe de tratamentos para todo o corpo. "O fato das mulheres virem aqui com problemas emocionais devido à baixa autoestima e eu poder ajudá-las a se sentirem mais bonitas não tem preço que pague. É a minha realização."
 

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