Isadora Jacoby e Vitorya Paulo

Marcas passaram a ofertar produtos e conteúdos em volta do tema

Empreendedoras apostam no autocuidado para desenvolver produtos

Isadora Jacoby e Vitorya Paulo

Marcas passaram a ofertar produtos e conteúdos em volta do tema

O isolamento intensificou alguns assuntos nas redes sociais. Garantir um momento de autocuidado em meio à rotina de home office foi um deles. O tema já fazia parte do escopo de trabalho de Sheila Barreto, 31 anos, que, desde 2019, empreende com a Goodie, marca de cosméticos artesanais e veganos de Porto Alegre. Durante a pandemia, ela percebeu que o interesse pelos conteúdos que publica nas redes sociais abordando o assunto cresceu. "Inicialmente, as vendas caíram um pouco e agora estão começando a se normalizar. Quanto ao interesse nos produtos, percebo um pouco mais de disponibilidade. Tenho a impressão de que as pessoas estão mais abertas a certos tipos de conteúdos, assim como produtos", pontua Sheila.

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O isolamento intensificou alguns assuntos nas redes sociais. Garantir um momento de autocuidado em meio à rotina de home office foi um deles. O tema já fazia parte do escopo de trabalho de Sheila Barreto, 31 anos, que, desde 2019, empreende com a Goodie, marca de cosméticos artesanais e veganos de Porto Alegre. Durante a pandemia, ela percebeu que o interesse pelos conteúdos que publica nas redes sociais abordando o assunto cresceu. "Inicialmente, as vendas caíram um pouco e agora estão começando a se normalizar. Quanto ao interesse nos produtos, percebo um pouco mais de disponibilidade. Tenho a impressão de que as pessoas estão mais abertas a certos tipos de conteúdos, assim como produtos", pontua Sheila.
A marca nasceu de uma vontade da empreendedora de trabalhar no segmento da beleza, contrapondo a pressão por padrões estéticos. Publicitária e atuando em áreas administrativas antes de empreender, Sheila teve o insight para criar a Goodie em seu último emprego, onde precisava usar maquiagem diariamente. "A desconstrução dos padrões de beleza e pressão estética sempre me chamaram atenção, mais ainda com essas pressões no trabalho. Então, quando fui desligada, queria muito a chance de criar algo que abraçasse a causa da beleza de uma forma livre, sem cobranças. Somando tudo isso com o desejo já antigo de ter uma marca própria, em abril de 2019, a Goodie iniciou as atividades oficialmente", conta.
Os cosméticos veganos são produzidos artesanalmente por Sheila e vendidos no e-commerce goodiecosmeticos.com. Os valores partem de R$ 8,00 e vão até R$ 40,00. "Estão disponíveis hidratantes corporais, hidratantes faciais, balms multifuncionais, body-splashes e blends de óleos vegetais para o rosto e cabelo. Me esforço bastante para que os valores se mantenham justos tanto para a marca quanto para quem está consumindo", explica Sheila.
Com o tema do autocuidado ganhando força nas redes sociais, a empreendedora acredita que é necessário que as empresas promovam discussões sobre o assunto, estimulando que as pessoas dediquem mais tempo para isso.
"Promovo autocuidado mostrando que é divertido e gostoso se cuidar, mas sempre lembrando que bonitas nós já somos, sem a necessidade de procedimentos e produtos", pondera. Além disso, mesmo sendo uma marca de cosméticos, Sheila acredita que é importante lembrar que a questão é muito mais abrangente que a estética. "O público, de fato, tem se atentado mais para o hábito de se cuidar, e me refiro para além do skin care (cuidados com a pele), como o hábito de ler ou parar para ouvir um disco, organizar o armário, as finanças, fazer uma comida boa. Ainda bem", comemora.
Os itens são produzidos sem insumos de origem animal e a empresa reforça, por meio das redes sociais, as bandeiras que carrega em seus produtos. Para Sheila, é importante que os consumidores conheçam os valores da iniciativa e, assim, decidam onde investir seu dinheiro.
"É cada vez mais importante que aprendamos a valorizar nosso poder de compra, saber que é importante conhecer uma marca antes de entregarmos nosso dinheiro, entender os processos, a origem dos insumos. Ir atrás dessas informações e ter a oportunidade de escolher o que consumir, infelizmente, não é uma realidade para todo mundo, mas encaro como uma pauta sempre importante de se levantar", pontua. Na relação entre marca e clientela, a empreendedora destaca, ainda, a importância das empresas do ramo de beleza entenderem o seu papel para a desconstrução de padrões.
"Se grandes marcas da área ousassem fazer o mínimo para contribuir com a autoestima feminina, o mundo seria outro. Teríamos mulheres menos inseguras, mais produtivas, capazes e confiantes. Vejo que estamos cada dia mais próximas de um mundo com mais mulheres assumindo o controle das suas vidas, e, para isso, nossa autoestima é fundamental", acredita.

Jornalista lança planner e guia de autocuidado

Rosácea é uma doença inflamatória crônica da pele que causa vermelhidão e inchaço em algumas partes do rosto. Com a necessidade de falar mais sobre essa condição e compartilhar dicas com outras pessoas sobre o seu tratamento, a jornalista gaúcha Luíza Mattia, 28 anos, criou o perfil Tua Pele (@_tuapele) no Instagram. Desde 2018, a iniciativa vem crescendo e, neste ano, para comemorar o Dia Internacional do Autocuidado, celebrado em 24 de julho, ela lançou um planner dedicado apenas aos cuidados com a pele, mente e corpo.
O documento, que serve como uma agenda para organizar rotinas e anotar coisas importantes, foi desenvolvido com as amigas Hêmily Ferraz, 26, e Alana Paro, 28. A partir do sucesso de vendas na primeira edição, Luíza lançou a segunda no final de agosto.
"Uma das principais causas de não fazer o autocuidado é a falta de organização", opina a jornalista. Com o planner, é possível fazer um checklist de atividades diárias, anotar as prioridades e até registra quantos litros de água foram bebidas na semana. "É uma forma de visualizar e separar momentos do dia a dia para si", explica.
Vendido de forma digital, quem adquire o planner por R$ 14,00 pode imprimir e usar quantas folhas quiser. A pessoa também recebe o Guia com 30 dias de autocuidado, composto por instruções e práticas. "Cuidar de si não é só a skin care, porque essa é uma questão mais comercial. Não se trata só de um produto. É um universo mais amplo", observa Luíza.
Para quem quer começar uma rotina com essa temática, ela orienta separar um pequeno momento do dia.
"Se você gosta de tomar um café no meio da tarde, pare 15 minutos durante o turno de trabalho para fazer isso. São coisas simples, mas juntas fazem diferença", afirma. Mais informações sobre como adquirir o planner podem ser conferidas no Instagram.
 

Marca surge durante a pandemia para incentivar momentos de tranquilidade

O contexto da pandemia foi essencial para que Vanessa Ferreira transformasse o hobby de produzir cosméticos naturais em negócio. Formada em produção audiovisual e atuando como freelancer, o período com poucas oportunidades de trabalho fez com ela percebesse uma oportunidade nos produtos que, até o momento, produzia para o próprio consumo. 
Operando há três meses, a Celeste é uma marca de cosméticos naturais produzidos à base de plantas e sem origem animal. "Logo que parei de trabalhar, senti que precisava dar forma a esse projeto. Comecei a testar algumas receitas diferentes e pensei em criar o Instagram. Comecei a postar fotos dos produtos e as coisas tomaram jeito. Fui sentindo necessidade de me aprofundar em alguns outros tópicos de marketing. Todos os dias, tento tirar uns minutinhos para aprender sobre essas ferramentas de vendas que podem fazer com que meu negócio cresça mais rapidamente", conta Vanessa, sobre o seu primeiro trimestre como empreendedora. 
A pandemia não só impulsionou a criação do negócio, como fez Vanessa adotar novos hábitos. "Criei várias rotinas novas de pequenos autocuidados, desde acender um incenso natural na parte da manhã, que vai me trazer um momento de bem-estar e relaxamento, comecei a meditar, tomar mais chás calmantes. São várias armas para tentar ficar mais tranquila", pontua.
A empreendedora relata que essa crescente valorização do autocuidado influenciou nas suas vendas, já que mais pessoas estão preocupadas em criar momentos de relaxamento em suas rotinas. "A pandemia forçou uma grande pausa. As pessoas tiveram um tempo para olhar mais pra si, já que não podem sair de casa e se ocupar o tempo todo com outras coisas. Percebi que minhas amigas mais próximas e clientes estão procurando produtos para a tranquilidade, óleos essenciais relaxantes, opções naturais para alguns problemas que já existiam e para alguns que surgiram por causa de estresse", explica. 
Mesmo tendo seus produtos naturais como aliados na rotina de autocuidado, Vanessa pondera que cuidar de si mesma vai além do uso de cremes. "Não é só tomar um chá, é um momento que tu reservaste para ter contigo mesma. Autocuidado não é passar um creme que uma blogueira usou, que custa R$ 200,00. Autocuidado é muito mais parar e fazer uma meditação, deitar no sofá e pensar sobre o teu dia, o que foi bom, o que foi ruim, o que pode melhorar. Isso contribui demais para o nosso bem-estar. É muito mais autocuidado procurar um psicólogo que usar um creme", acredita. 
Por isso, no Instagram da marca (@bemestarceleste), a empreendedora produz diversos conteúdos sobre o tema, com o objetivo de ajudar suas clientes a encontrarem esses momentos em seu dia a dia. É lá também que é a feita a venda dos produtos, que vão de 
R$ 6,00 a R$ 50,00. 
Desodorantes, protetores labiais, séruns faciais, pomadas multifuncionais e escalda pés são alguns dos produtos da Celeste, todos feitos artesanalmente por Vanessa. Em breve, ela lançará, também, óleos capilares, aromatizadores de ambientes e óleos esfoliantes. 
 

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