Luka Pumes e Vitorya Paulo

Como empreendedores estão faturando em meio à pandemia?

Os negócios que estão na contramão da crise

Luka Pumes e Vitorya Paulo

Como empreendedores estão faturando em meio à pandemia?

A pandemia, que causou prejuízos em diversos setores, abriu brechas para que algumas empresas prosperassem no seu ramo de atuação. Com a permanência das pessoas em casa, alguns hábitos se intensificaram. Aqui no Sul, fazer e comer churrasco é uma tradição que perdura há séculos em diversas famílias. Com as recomendações de evitar aglomerações, os gaúchos passaram a usar a churrasqueira de suas residências com mais frequência, o que fez com que aumentasse o consumo de carne.

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A pandemia, que causou prejuízos em diversos setores, abriu brechas para que algumas empresas prosperassem no seu ramo de atuação. Com a permanência das pessoas em casa, alguns hábitos se intensificaram. Aqui no Sul, fazer e comer churrasco é uma tradição que perdura há séculos em diversas famílias. Com as recomendações de evitar aglomerações, os gaúchos passaram a usar a churrasqueira de suas residências com mais frequência, o que fez com que aumentasse o consumo de carne.
Foi essa a percepção do diretor comercial da Pampas Prime (rua Casemiro de Abreu, nº 1.212, na Capital), Volmir Ângelo Carboni. Os dados de vendas da loja para os meses de abril e maio deste ano, quando comparados com o mesmo período de 2019, apresentam crescimento de 73% e 85%, respectivamente. "Percebemos que o ticket médio de volume de compra por cliente diminuiu. Mas aumentou o nosso volume total de vendas", conta.
Só no segmento de carnes de boutique, que são produtos com maior valor agregado, o mês de maio fechou com crescimento de 85,21%, e abril apresentou alta de 73,19%. Esse comportamento, para Volmir, expressa a preocupação crescente dos consumidores com o padrão de qualidade das carnes e sua procedência. "Tem clientes que pedem carnes de propriedades específicas. As pessoas pagam mais, sim, para ter esse padrão", explica, destacando o valor agregado no segmento, que pode chegar a 20%.
Volmir explica que o público-alvo da Pampas são pessoas com maior poder de compra, o que também impactou na alta das vendas. "Tem aqueles que não cozinhavam em casa, seja porque tinham alguém para fazer ou porque só comiam em restaurantes. Agora, com a dispensa de funcionários e restaurantes fechados, esse hábito voltou", observa. Na loja, os clientes que não sabem os melhores métodos de preparo podem receber instruções da equipe. "Não queremos só fazer uma venda. Queremos oferecer uma experiência", diz.
Nos cortes de gado, os mais procurados são o filé mignon, a alcatra e o bife de chouriço. Nas carnes de frango e de porco, também houve crescimento nas vendas, mas nada comparado com os tradicionais cortes de churrasco. "Nunca vendemos tanto carvão como agora", cita Volmir, sobre os outros itens disponíveis na loja. Além das proteínas, quem vai no estabelecimento encontra diversos itens produzidos localmente, como cachaças e doce de leite. Para quem não pode se deslocar até a Pampas, há a opção de delivery que, segundo o empreendedor, passou de 1% para 10% nas vendas da loja.
É possível pedir pelo telefone, Whatsapp da loja (51 98334-0051) ou pelo e-commerce. A Pampas Prime funciona todos os dias, de segunda-feira a sábado, das 9h30min às 21h, e domingos até as 14h30min.

Consumo de cerveja também aumentou durante a pandemia

Beber cerveja, assim como assar churrasco, é um hábito conhecido por ser coletivo, que reúne familiares e amigos. Na época de isolamento social, as aglomerações tiveram de dar uma pausa. Mas o consumo da bebida não. Esse comportamento foi sentido pela My Growler Station, loja de bebidas da Zona Norte de Porto Alegre. Em abril, o crescimento registrado foi de 95,12% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em maio, foi de 48,71%.
O proprietário, Rodrigo Fernandes, entende essa crescente como consequência de três fatores: o consumo de álcool, que aumentou durante a pandemia; a facilidade de receber bebidas em casa, com o investimento no delivery; e o trabalho intensivo no marketing do negócio. "A maioria reduziu custos. A gente não", afirma. Além disso, só no e-commerce, o empreendedor afirma que as vendas aumentaram de 20% a 25% em abril. Entre as mais pedidas, estão IPA, pilsen e lager.
Conforme Rodrigo, o growler, que é um compartimento de cerveja, permite que o cliente leve para casa uma quantidade maior da bebida feita artesanalmente. Os custos, se comparados às cervejas populares encontradas em supermercados, se assemelha. "As pessoas que consomem growler já vêem a possibilidade de beber em qualquer lugar", explica. Para ele, os benefícios da experiência de consumir um produto mais fresco e aromático são um dos pontos-chave para o sucesso. Além disso, os impactos ambientais de consumir a bebida em growler, por ser uma embalagem retornável, também são valorizados. Segundo Rodrigo, estima-se que, com o uso dos growlers, 50 milhões de embalagens deixam de ser descartadas todos os anos, entre latinhas, long necks e garrafas pet. Para o empreendedor, os consumidores estão mais atentos às causas sustentáveis, dando importância à redução de geração de resíduos, o que também ajuda a alavancar as vendas.
O sucesso se reflete nos passos do negócio. No fim de julho, a expectativa é iniciar uma operação da My Growler Station em Caxias do Sul. O processo de formatação de franquia também está sendo estudado. "Temos o conceito de estar perto ou no caminho de casa."
 

Interesse pela gastronomia incrementou modelo da Cozinhe.me

Não são raros os casos de pessoas que descobriram ou aprimoraram dotes culinários na quarentena. Uma pesquisa realizada pela consultoria de alimentação fora do lar Galunion, em parceria com o Instituto Qualibest, indica que 93% dos brasileiros estão cozinhando neste período. A startup Cozinhe.me, que entrega kits para cozinhar, entende o momento como positivo para suas vendas.
"Antes da pandemia, o grande desafio era de que as pessoas arranjassem tempo para cozinhar. Agora, neste contexto, elas apontam o ato como o responsável por salvar o tempo. Um dos usuários da caixa, por exemplo, identificou a experiência como a melhor durante o tempo de pandemia. Segundo ele, foi como se estivesse em uma terapia", expõe Paulo Renato Ardenghi Rizzardi, co-fundador da Cozinhe.me.
O modelo da empresa foi adaptado para o momento. Anteriormente, funcionava de maneira sazonal e as caixas eram misteriosas, ou seja, o cliente pagava mais pela experiência do que pelo produto. Com a pandemia, a Cozinhe.me definiu alguns pratos e removeu o mistério do processo. Até o final do mês de junho, 11 caixas foram projetadas: risoto de cogumelos, massa à carbonara, hambúrguer, pancho, frango ao curry, costela barbecue, poke de salmão, poke de cogumelo, poke de frango, brownie, tailandesa e especial de café da manhã. 
Os ingredientes são selecionados de maneira cuidadosa e harmoniosa pela nutricionista Anne Dalla Costa e pelo chef Daniel Menezes. No kit de massa à carbonara, por exemplo, o cliente recebe espaguete grano duro, ovos caipira, pancetta, pão artesanal, azeite de oliva italiano, mel, além dos queijos grana padano, gorgonzola e dolce gorgonzola. Tudo separado, o que facilita o preparo.
As caixas, atualmente, encontram-se na faixa de R$ 119,00 e R$ 169,00. A empresa também vende molhos especiais e cervejas artesanais. "Acreditamos que o ato de cozinhar é uma das tecnologias mais importantes da humanidade. Por isso, queremos ver as pessoas livres para produzir seu próprio alimento." Para o futuro, a marca projeta investimentos em tecnologia e está desenvolvendo uma plataforma de Inteligência Artificial.
 

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