Isadora Jacoby Vitorya Paulo

Muitos locais fecharam as portas nos últimos meses. Mas, em contrapartida, há quem esteja fazendo sua estreia em meio à crise

Os negócios que nasceram na pandemia

Isadora Jacoby Vitorya Paulo

Muitos locais fecharam as portas nos últimos meses. Mas, em contrapartida, há quem esteja fazendo sua estreia em meio à crise

Os planos e estratégias de muitas empreendedoras e empreendedores foram adiados em 2020. Foi o que aconteceu com Marília Santos, 34 anos, e Marcelo Fraga, 40. O casal adquiriu seu primeiro negócio próprio em junho de 2019 e a meta para este ano era de consolidação. Os dois trabalharam por anos no Sashiburi, tradicional restaurante de comida japonesa de Porto Alegre. Nutricionista, Marília coordenava todas as unidades e Marcelo era chef na da Zona Sul. Quando tiveram sua filha, decidiram que era o momento de empreender. "O Marcelo trabalhava até 1h da manhã. Eu saía 23h30min, então era muito complicado ter filho nesse contexto. Quando tivemos a Lívia, resolvemos não voltar. Queríamos muito nosso negócio próprio", conta Marília. Assim, os dois compraram a casa de festas Kids Way, na Zona Norte. 

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Os planos e estratégias de muitas empreendedoras e empreendedores foram adiados em 2020. Foi o que aconteceu com Marília Santos, 34 anos, e Marcelo Fraga, 40. O casal adquiriu seu primeiro negócio próprio em junho de 2019 e a meta para este ano era de consolidação. Os dois trabalharam por anos no Sashiburi, tradicional restaurante de comida japonesa de Porto Alegre. Nutricionista, Marília coordenava todas as unidades e Marcelo era chef na da Zona Sul. Quando tiveram sua filha, decidiram que era o momento de empreender. "O Marcelo trabalhava até 1h da manhã. Eu saía 23h30min, então era muito complicado ter filho nesse contexto. Quando tivemos a Lívia, resolvemos não voltar. Queríamos muito nosso negócio próprio", conta Marília. Assim, os dois compraram a casa de festas Kids Way, na Zona Norte. 
Cerca de oito meses depois da estreia no empreendedorismo, a pandemia da Covid-19 interrompeu as atividades do negócio. "Estávamos em um crescente, em termos de faturamento e números de festas, tanto é que em março tinha sido o melhor período. Só que no final do mês, aconteceu essa parada total", lembra Marília, contando que a situação impactou financeiramente o negócio. "Quando nos venderam a casa de festas, nos falaram de um custo x, e quando vimos era 2x, então nosso capital de giro acabou indo muito rapidamente. Estávamos ainda no processo de começar a lucrar. Aconteceu essa parada e nos vimos mal financeiramente porque não tínhamos de onde tirar. Isso deu um baque na nossa vida financeira. O sustento da nossa família e até o sustento da própria casa de festas vinha da venda de eventos", explica ela. 
Foi aí que os dois decidiram usar a experiência vivida no restaurante japonês para empreender novamente, enquanto a casa de festas está fechada. "Começamos meio despretensiosamente a fazer sushi, pedimos um empréstimo para minha mãe de R$ 300,00 e compramos os insumos. Quando vimos, o boca a boca começou a dar certo", relata a nutricionista. Nasceu, assim, o Hachiban Sushi, delivery tocado exclusivamente pelo casal. "Ele faz a produção, eu tiro os pedidos. É uma coisa bem artesanal mesmo", revela Marília. Para dar conta da produção, os pedidos são recebidos até às 17h pelo contato (51) 98501-2434. As entregas, que são feitas por Marília, começam a partir das 19h. "O pessoal diz para usar motoboy, mas sushi tem uma coisa muito complicada. Quando vai em moto, no baú, ele mexe demais, chega muito revirado. Fazendo de carro, levamos em caixa térmica, fica bem acondicionado e fica perfeito, como o Marcelo acabou de montar", pondera. 
O casal avalia que a gestão da casa de festas somou aos anos de experiência com sushi, resultando em um bom desempenho nessa nova empreitada. Marcelo avalia que, o maior legado, foi a capacidade de se reinventaram rapidamente. "É importante estar aberto às possibilidades, não ficar focado apenas a uma coisa."

Sem shows e eventos, Claus e Vanessa abrem delivery de pizza na Capital

A Pizza da Dupla é a nova empreitada de Claus e Vanessa, duo musical gaúcho com 20 anos de carreira. Claus conta que o momento de isolamento em virtude da Covid-19 apenas antecipou um projeto que já estava nos planos do casal. Ele tinha começado a produzir pizzas em casa, como um hobby, para receber amigos. Quando retornaram para o Brasil, depois de uma temporada de dois anos nos Estados Unidos, ele enxergou no que antes era uma atividade de lazer uma possibilidade de negócio. "Estava com a ideia de, esse ano, botar em prática a operação de delivery de pizza. Isso seria para o segundo semestre, depois que o Gael (Vanessa espera o segundo filho do casal) viesse. Quando começou forte a pandemia, caíram todos os shows da dupla. Tínhamos agenda até o final do ano e, simplesmente, zerou. Me dei conta que eu tinha que antecipar o projeto", conta Claus.
A operação iniciou em março, mesmo sem estar totalmente estruturada, afirma Claus. "Quando foi decretado o isolamento, decidi entrar com a operação mesmo não estando pronta, sem fazer todos os testes que eu gostaria." Para colocar o plano em prática, a dupla contou com a ajuda dos irmãos de Claus, Günter e Romi Fetter, que entraram no negócio. "Meu irmão virou pizzaiolo e minha irmã já tinha um conhecimento da área, trabalhou no início da operação da pizzaria Ciao. Eles montam, preparam e cuidam da cozinha de modo geral", explica Claus, que não fica de fora da rotina do novo negócio da dupla. "Fico na retaguarda, e, quando precisa, meto a mão. Se precisar abrir uma massa, rechear, lavar uma louça, armar as embalagens. Em demandas de entrega grande, em que todos os nossos motoboys estão na rua, eu vou entregar pizza. Enobrecemos o nosso trabalho com a nossa própria mão de obra. Quero sempre passar essa ideia de que estou levando alimento para as pessoas, na casa delas, para elas ficarem em casa, se resguardarem", enfatiza.
Os valores das pizzas vão de R$ 49,90 a R$ 89,90, dependendo do tamanho e do sabor, com promoções de terça a quinta-feira. Os pedidos são feitos através do número de WhatsApp (51 99500-6704) ou pelo site (pizzadadupla.com.br) e são entregues em todas as regiões da Capital. Claus conta que a aceitação do público nos primeiros meses de negócio foi positiva e que os feedbacks ajudaram a dupla a afinar a operação. "A aceitação do público tem sido maravilhosa. Claro que o nome Claus e Vanessa, construído em 20 anos, ajuda muito para criarmos um produto novo. Nada é por acaso. Colocamos o 'by Claus e Vanessa' para alavancarmos o negócio mais rápido."
 

Padaria surge para retomar a cultura de bairro

O desejo de iniciar um negócio surgiu há dois anos para os sócios Giulio Menin, 22, André  Fich, 28, e Vinícius de Borba, 25. O trio, que se conheceu durante a faculdade de Administração de Empresas, estava há oito meses elaborando a Padocaria. No meio do caminho, no entanto, depararam-se com as dificuldades ocasionadas pela pandemia.
As obras do espaço da rua Vicente da Fontoura, nº 2.788, começaram em janeiro. Segundo Giulio, viver o processo de construção de um negócio nesse contexto teve pontos positivos e negativos. "Por um lado, realmente complica muito pela parte do nosso próprio planejamento. Não sabemos se vamos poder receber os clientes dentro da loja, quantas pessoas vamos poder acolher, isso dá uma incerteza bem grande. Na compra de equipamentos, uma série de fornecedores estavam fechados. Porém, acho que as pessoas estão mais acolhedoras, com sentimento de querer ajudar o outro", acredita Giulio, destacando que a estratégia de divulgação da padaria foi essencial para criar essa relação. 
Ainda em novembro de 2019, os sócios colocaram no ar uma conta no Instagram chamada Nasce uma Padaria. Por lá, foram compartilhando todos os bastidores da abertura do negócio: obras, testes de receitas, curiosidades sobre o mercado. A estratégia, afirma Giulio, ajudou. "As pessoas compraram muito a ideia. estamos tendo um enganjento muito alto", relata. Resultou até na relação com fornecedores. "Algumas geladeiras e banquetas adquirimos de uma pessoa que nos encontrou através do nosso processo. Foi bom para nós e para a pessoa, que acabou tendo que fechar seu café nesse momento e estava precisando se capitalizar", complementa Giulio. 
O nome da Padocaria foi revelado somente no fim de maio e escolhido para remeter à simplicidade da operação. "A nossa proposta não é ser uma padaria gourmet, e sim uma padaria de bairro. Com produtos de qualidade, com atendimento sorridente, fazendo o negócio funcionar. Acreditamos muito na colaboração e estamos num setor que é tradicional, então fez todo sentido fazer esse processo de compartilhar com as pessoas", destaca Giulio. 
Com previsão de abertura para 24 de junho, o negócio recebeu investimento de R$ 200 mil, valor que os sócios estimam recuperar em 16 meses. O plano inicial era que a operação comportasse uma equipe de seis pessoas mais a gerência, que será feita pelo sócio Vinícius. Agora, a inauguração deve contar com uma equipe reduzida de três pessoas. Mesmo abrindo em um contexto adverso, os sócios estão otimistas. "Estamos trabalhando pensando todas as estruturas, do quanto é o mínimo que a gente precisa atingir para o negócio se manter vivo e saudável nesse primeiro momento. Temos um sentimento que vamos conseguir superar, que o negócio vai ir bem tanto em take away quanto tele-entrega."
 

Empreendedores unem-se para mapear e divulgar os vinhos produzidos no Brasil

Brasil de Vinhos nasceu com o objetivo de valorizar produção nacional

Conectar apaixonados por vinhos às marcas e rótulos brasileiros. É com essa premissa que nasceu o projeto Brasil de Vinhos (@brasildevinhos), que busca mapear e catalogar vinícolas por todo o País e valorizar a produção nacional. No ar desde abril, o site (brasildevinhos.com.br) foi criado pelos sócios Dulce Grippa, Lucia Porto, Luiz Gustavo Lovato e Roger Perotto, que se uniram em prol da mesma paixão. Conforme destaca Lucia, dados extraoficiais dão conta de que existam mais de 1,5 mil vinícolas no Brasil e, dessas, 800 ficam no Rio Grande do Sul. O site deu a largada inicial mapeando 300 e cadastrando 170 no site.
"O Brasil, sendo um país continental, tem tipos e estilos de vinhos diferentes", explica Lucia, sobre a escolha do nome da iniciativa. A ideia é ser uma plataforma democrática: mesmo com um ou dois rótulos, as vinícolas poderão ter seu espaço, assim como as grandes empresas que fabricam vários produtos e até exportam. "É uma forma de fazer com que eles mesmos se divulguem e que o vinho brasileiro chegue a lugares em que a gente não imagina", explica a jornalista.
O projeto, conforme destaca Lucia, não é um e-commerce, nem destina-se a vender produtos de qualquer espécie. "A gente disponibiliza esse espaço para que todas as vinícolas participem institucionalmente". No site, há um formulário disponível para as empresas que queiram participar. O documento deve ser preenchido e fotos devem ser anexadas, para valorizar ainda mais os produtos. "Todas as fotos que estamos usando foram enviadas pelas vinícolas", conta.
A expectativa é que se mapeie o maior número possível de empresas. "As vinícolas estão nos procurando. Está sendo bem bacana", evidencia Lucia.
 

Isadora Jacoby Vitorya Paulo 

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