Mauro Belo Schneider

Empreendedimentos motorizados são comuns nos mais diversos ramos. O grande diferencial está na experiência que geram

Limusine, motorhome e telemensagem: conheça negócios sobre rodas

Mauro Belo Schneider

Empreendedimentos motorizados são comuns nos mais diversos ramos. O grande diferencial está na experiência que geram

A paixão pela estrada é herança de família na vida da jornalista Gisa Guerra, 36 anos. Seus pais eram caminhoneiros, o que despertou um olhar afetuoso para a rotina sobre rodas. "Eu e meus irmãos fomos criados achando viajar o máximo", diz ela. Agora, decidiu transformar esse sentimento em negócio. Ao lado do pai, criou o projeto Vinhos Por Aí.

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A paixão pela estrada é herança de família na vida da jornalista Gisa Guerra, 36 anos. Seus pais eram caminhoneiros, o que despertou um olhar afetuoso para a rotina sobre rodas. "Eu e meus irmãos fomos criados achando viajar o máximo", diz ela. Agora, decidiu transformar esse sentimento em negócio. Ao lado do pai, criou o projeto Vinhos Por Aí.
Em um motorhome comprado por seu José Aldir Guerra, 73, em 2013, com um investimento que hoje equivaleria a cerca de R$ 460 mil, a dupla leva turistas para a região gaúcha dos vinhos de uma forma totalmente diferente da convencional. Em vez de uma van, em que os passageiros têm de ir olhando para frente, eles oferecem a experiência de passear pela Serra como se as pessoas estivessem na sala de casa. Além disso, querem evitar que alguém seja o motorista da rodada, o que possibilita que todos degustem as bebidas.
No caminho, é servido café da manhã e os cinco turistas que o veículo comporta são levados para Garibaldi e Bento Gonçalves (cidades que concentram a maior parte das vinícolas). Sentados em uma mesa, num clima propício para bater papo, o grupo pode tirar dúvidas sobre os rótulos com Gisa - que, desde 2017, é sommelier. O motorhome é equipado com cama de casal, banheiro e chuveiro.
Os turistas escolhem as vinícolas que desejam visitar ou Gisa sugere os destinos, dependendo do que os interessados buscam. Há locais com degustação, outros com almoço, alguns com roteiros de trator pelas propriedades.
"Durante o meu curso de sommelier, conheci várias vinícolas e vi que havia potencial para fazer algo diferente no enoturismo", justifica. O valor do programa na Serra, com saída de Porto Alegre, é de R$ 1,5 mil - que é rachado entre os passageiros. As atrações oferecidas nas paradas são cobradas à parte pelos empreendimentos visitados.
Gisa concilia o empreendedorismo com a Comunicação. Atualmente, ela trabalha no SBT como repórter freelancer, o que considera desafiador e empolgante. "Temos que gerir a empresa, fazer vendas, discutir os assuntos em família", lista. Para ela, esse clima familiar faz toda a diferença. "Minha mãe prepara os bolos, pica as frutas, tudo com muito carinho. O aconchego torna a vivência especial", entende. Os passeios devem ser reservados através de contato pelo Instagram, e as partidas acontecem do Laçador. "O trabalho no Jornalismo é tenso, aqui é tudo alto astral", aponta Gisa, comparando suas duas paixões.

Jovem transforma limusine em balada ambulante

O administrador Elias Fernandez, 29 anos, estudou bastante sobre gestão de transportes. A partir de uma pós-graduação no assunto, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), e de anos trabalhando com lotações em Porto Alegre, no início de 2019, ele percebeu um furo no mercado: havia apenas uma empresa de aluguel de limusines na cidade. Resolveu, então, comprar um desses veículos de luxo e lançar a Vegas Limousine.
De abril a dezembro do ano passado, fez cerca de 50 eventos. Os mais solicitados são referentes a despedidas de solteiro e festas de 15 anos. Há, ainda, uma demanda para casamentos. A maioria do público procura o serviço entre sexta-feira e sábado.
O valor do aluguel de uma limusine parte de R$ 1,2 mil para uma hora de passeio. Os 12 passageiros são recebidos com duas garrafas de espumante, dois bares, teto com luzes LED, máquina de fumaça, telões e música. "Minha proposta é diferenciada: limusine com um padrão mais festa, balada", resume Elias.
O investimento médio para comprar uma limusine, hoje, fica entre R$ 200 mil e R$ 700 mil, segundo ele. Para a sua primeira unidade, teve de vender o carro e uma moto. Confiante com o mercado, agora o empreendedor adquiriu mais dois veículos. Além do modelo branco, a partir deste mês começarão a circular um rosa e um preto. E isso trará novidades. Haverá videogame (PlayStation 4) e Videokê. Nos pacotes de contratação, é possível personalizar a lateral da limusine e as taças.
De acordo com Elias, o encanto é tanto que há meninas que preferem trocar a celebração de 15 anos pela experiência que rende posts nas redes sociais. "A aniversariante convida suas amigas e a gente circula pela Capital com paradas para fotos. É muito mais em conta que fazer uma festa inteira em um salão", justifica.
 

Família vive do serviço de mensagens ao vivo desde os anos 2000 na Capital

O Rio Grande do Sul viveu, nos anos 2000, o auge das tele mensagens. Começou com os envios de áudio por telefone e avançou para as declarações de amor ao vivo, protagonizadas por locutores com vozes aveludadas que chegavam às casas dos presenteados em carros adaptados. Nesse contexto, surgiu, em Porto Alegre, a Melody, que funciona até hoje e dá sustento a uma família de quatro pessoas.
Daiane Terres Costa, 30 anos, toca o negócio ao lado da mãe, Madalena Terres, do irmão e do pai. Ela conta que toda semana há demanda, principalmente aos sábados. A celebração mais pedida é de aniversários, porém há quem queira usar o sistema de som para fazer zoeira. "Já ligaram perguntando se fazíamos mensagem de ódio. Claro que não, só de amor", diverte-se.
E a Melody não está sozinha no mercado. Daiane soma, pelo menos, cinco outras empresas concorrentes na Capital. Para manter o diferencial, houve adaptações. Se antes os clientes recebiam uma fita como recordação, agora o pacote de R$ 150,00 inclui a leitura do texto, transmissão de fotos, filmagem de uma câmera acoplada no porta-malas e entrega de um DVD com imagens da homenagem editadas na hora. Há a opção, ainda, da gravação em um cartão de memória. Para quem quer deixar a experiência mais intensa, parceiros fornecem buquês de flores e é possível contratar drag queens. Daiane conta que algumas pessoas têm trauma das mensagens ao vivo. Quando recebem, no entanto, mudam de opinião. "É o único momento da festa em que os convidados param para ouvir ou dizer palavras bonitas."
A Melody, conforme Daiane, mudou a vida da família. Dos fundos da casa da avó, na Lomba do Pinheiro, conquistaram a independência em uma residência na Zona Sul e dois carros. O sucesso do serviço, segundo ela, não depende apenas de quem o executa. "É uma troca de energia."
 
Mauro Belo Schneider

Mauro Belo Schneider - editor do GeraçãoE

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