Isadora Jacoby

Para responder essa questão, conversamos com duas mulheres que, por meio de seus negócios, fomentam redes de apoio

Semana de reflexão sobre empreendedorismo feminino e sobre consciência negra: o que falta?

Isadora Jacoby

Para responder essa questão, conversamos com duas mulheres que, por meio de seus negócios, fomentam redes de apoio

A startup Negras Plurais, comandada por Caroline Moreira, 34 anos, nasceu, em 2018, para fortalecer a rede de mulheres negras empreendedoras. Através de mentorias e palestras, a contadora criou o que ela define como uma aldeia de mulheres com o objetivo de entender as peculiaridades que as negras enfrentam na hora de ingressar no mercado de trabalho ou de abrir o próprio negócio. "As mulheres negras foram as primeiras a empreender no Brasil. Começamos dentro das casas sendo as empregadas, lavadeiras, e já partimos de um lugar de invisibilidade", explica Caroline, ponderando que, esse contexto histórico, reduz a autoestima dessas mulheres na hora de tomarem a dianteira de seus negócios. "Temos que trabalhar a subjetividade de vários perfis que vem, desde a época de escravidão, como o da escassez e o da síndrome da impostora. Sempre falaram que essa mulher não conseguiria. Nosso maior desafio de criar redes é entender que estamos falando de uma mulher específica, que tem problemas na hora de empreender porque ela não tem capital de giro, não tem autoestima", complementa. 

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A startup Negras Plurais, comandada por Caroline Moreira, 34 anos, nasceu, em 2018, para fortalecer a rede de mulheres negras empreendedoras. Através de mentorias e palestras, a contadora criou o que ela define como uma aldeia de mulheres com o objetivo de entender as peculiaridades que as negras enfrentam na hora de ingressar no mercado de trabalho ou de abrir o próprio negócio. "As mulheres negras foram as primeiras a empreender no Brasil. Começamos dentro das casas sendo as empregadas, lavadeiras, e já partimos de um lugar de invisibilidade", explica Caroline, ponderando que, esse contexto histórico, reduz a autoestima dessas mulheres na hora de tomarem a dianteira de seus negócios. "Temos que trabalhar a subjetividade de vários perfis que vem, desde a época de escravidão, como o da escassez e o da síndrome da impostora. Sempre falaram que essa mulher não conseguiria. Nosso maior desafio de criar redes é entender que estamos falando de uma mulher específica, que tem problemas na hora de empreender porque ela não tem capital de giro, não tem autoestima", complementa. 
Para acelerar os negócios comandados por mulheres negras, Caroline oferece duas modalidades de serviço. A primeira é uma mentoria individual que custa em torno de R$ 5 mil e tem duração de 10 encontros. A segunda é feita em grupos, com valor de R$ 980,00, distribuída em oito encontros. "O objetivo é entender o negócio a partir da sua peculiaridade de mulher negra. Levamos também para a área empresarial um olhar mais inclusivo", expõe. Após passar pelo projeto, ela conta que todas as empreendedoras se tornam parte das Negras Plurais e podem usar as redes da iniciativa para divulgarem os seus serviços.  
Com representantes na Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo, ela prospecta para o futuro aumentar a rede das Negras Plurais e, assim, tornar o empreendedorismo mais acessível para essas mulheres. "Imagino só prosperidade, criando uma rede ainda maior, que dê mais visibilidade, oportunidades, que as mulheres ganhem mais dinheiro e que consigam realmente se sentir incluídas no mercado de trabalho ou empreendedor."

Bordadeira fomenta o empreendedorismo feminino através do handmade

Criado em 2016, o projeto Bordado Empoderado ganhou espaço na vida da jornalista Bruna Antunes, 35 anos, quando ela percebeu a potência da rede de mulheres que se criou em torno da técnica manual. O aprendizado, adquirido ainda na infância com a sua avó e sua madrinha, tornou-se a atividade principal da empreendedora que já ensinou o bordado para mais de 3 mil mulheres. "Quando começou esse movimento de mulheres engajarem com o meu trabalho, vi uma oportunidade de uni-las e criar um movimento em cima disso. Fui percebendo que, quanto mais mulheres chegavam até o projeto, mais a gente crescia como grupo e tínhamos mais possibilidades de estabelecer conexões de empreendedorismo", expõe. 
Bruna acredita que a principal dificuldade de ser uma mulher que atua no universo das artes têxteis é ter o seu negócio levado a sério. "Nesse contexto de ser uma mulher que empreende, muitas vezes, somos entendidas como alguém que está fazendo um hobby, um passatempo, e não de fato uma mulher que tem o próprio negócio e se sustenta dele." 
A participação de Bruna, no entanto, não fica restrita à atividade de professora de bordado. Ela criou, por meio do ensino da técnica, uma rede de mulheres que fomenta o empreendedorismo feminino. Após passarem pelas oficinas, as alunas são convidadas a participarem de grupos no WhatsApp e Facebook. "Os grupos são catalizadores para parcerias entre essas mulheres", pontua. 
Com mais marcas trazendo questões feministas em seus produtos, a empreendedora salienta que se aproximar do negócio é um recurso para perceber se a empresa trata do assunto de forma genuína, e não somente mercadológica. "Conhecemos quem são as pessoas que estão produzindo as marcas pequenas. Quando é uma grande marca se apropriando de um discurso, não se vê quem está fazendo, divulgando, atendendo. Então, por meio da aproximação, reconhecendo em cada marca os símbolos de quem é a pessoa por trás, podemos fomentar e fazer com que mais mulheres possam empreender."
As oficinas, que custam de R$ 60,00 a R$ 180,00, ensinam técnicas de bordado livre, aquarela e  bordado em fotografia. Sobre o futuro do Bordado Empoderado, Bruna diz não ter muitas certezas, mas afirma que o projeto a transformou como profissional e destaca, de maneira enfática, a melhor parte de ser uma mulher empreendedora: "ter liberdade".
Isadora Jacoby

Isadora Jacoby - repórter do GeraçãoE

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