Luciana abriu a empresa com o marido e um amigo depois de uma temporada na Austrália Luciana abriu a empresa com o marido e um amigo depois de uma temporada na Austrália Foto: /MARCO QUINTANA/JC

'Vender bolos caseiros não é tão simples quanto aparece na ficção'

Lojas que apostam no produto em Porto Alegre buscam características próprias e planejam expansão

Na novela A dona do pedaço, da Rede Globo, Juliana Paes interpreta Maria da Paz, personagem que sai do interior do Espírito Santo, começa a vender bolos e, em 20 anos, constrói um império do segmento. Para Luciana Fejer, uma das "Maria da Paz" de Porto Alegre - ela é chamada assim por alguns clientes -, nem tudo o que se passa na ficção é real. "Ela entra na cozinha sem touca, unhas pintadas, bota o dedo no glacê. Não existe. A gente tem muito controle", cita. Além disso, ter várias lojas em uma mesma cidade não é tão simples. "Devido aos altos impostos, não é algo plausível para o pequeno empresário em pouco tempo", acrescenta.
Luciana abriu a Caramello Bolos Caseiros com o marido Renato Maschke e o amigo do casal, Leandro Gomes. Os três sócios se conheceram ao morar um tempo na Austrália. "Quando voltamos, em 2013, o Renato, que é gaúcho, retornou à empresa familiar dele. Eu e o Leandro nos colocamos novamente em São Paulo, mas, como viemos de uma cidade muito pequena do exterior, a qualidade de vida na capital paulista ficou incompatível", conta.
Surgiu a ideia de se mudarem para o Sul e terem uma loja de bolos como negócio próprio. A estratégia do trio uniu o útil ao agradável, pois ela é formada em Turismo, com ênfase em restaurantes, e Renato havia acabado de concluir uma formação em Padaria e Confeitaria.
A Caramello funciona na rua Anita Garibaldi, nº 2.137, desde novembro de 2014, e a meta inicial foi batida logo no início de 2015. "Viemos com uma proposta totalmente diferente, sem saber se seria aceito. O bolo do gaúcho é a cuca, mas tivemos certeza que estávamos trabalhando firmes", recorda.
Até então, Leandro atendia na loja, e o casal batia os bolos, enquanto os pais de Renato ajudavam com a louça e a organizar a cozinha. Em março, contrataram as duas primeiras colaboradoras - em junho, já eram sete e, atualmente, são 20 funcionários.
Há uma segunda unidade, na rua Miguel Tostes, nº 115, que completou um ano em agosto.
"Crescemos organizados. Tínhamos uma preocupação em não perder o controle, pois, como era uma novidade, sabíamos que podíamos estar só em uma crista da onda", pondera. Há expectativa de expansão, com a abertura de um terceiro espaço no segundo semestre de 2020.
As receitas dos mais de 30 sabores de bolos da marca vêm dos familiares e de amigos dos sócios, exceto o bolo de Natal e o de mel com ganache, de autoria deles. A regra é não utilizar nenhum tipo de corante, aromatizante ou essência.
A de baunilha, inclusive, é substituída por raspas de frutas quando necessário. Com a experiência adquirida no negócio, Luciana afirma que o desperdício de ingredientes é mínimo. "Cada loja tem sua produção para manter a ideia do fresco", complementa. Para os clientes que decidirem buscar um bolo para comemorar ou lanchar de última hora, há opções de bebidas para levar, velas e kits de aniversários, com balões - conjuntos criados por empreendedores locais.
"Sempre temos parceria com o pequeno para dar força. Temos embalagens de pano feitas por uma senhora costureira. Nos ajudando, dá para crescer junto neste País difícil de se empreender", enxerga. 
O horário de funcionamento da matriz é de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h, e a loja do bairro Rio Branco, de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h30min. Ambas abrem aos sábados, das 9h30min às 15h. A Caramello trabalha com tele-entrega agendada.

Irmãs começaram pelas feiras e depois se fixaram

Daniela e Roberta Pessuti  administram a Fome de Bolo Daniela e Roberta Pessuti administram a Fome de Bolo Foto: /MARIANA CARLESSO/JC
As irmãs Daniela e Roberta Pessuti, de 32 e 37 anos, à frente da Fome de Bolo, participaram de feiras por cerca de seis meses antes de abrir o negócio, em 2015. "Fazíamos em casa e vendíamos na rua. Era uma escola de empreendedorismo", lembra Roberta. Ela e a irmã estavam decididas a trabalharem por conta. Quando se mudaram de Ribeirão Preto para Porto Alegre, selecionaram receitas da família e começaram a testar.
A feira, recordam, ajudou também a perceber as preferências dos gaúchos. Assim, uma das mudanças apontadas por elas para o paladar daqui foram os ingredientes do bolo de fubá que a mãe, dona Rosa, fazia com erva-doce, mas que não teve boa aceitação na Capital. No começo, eram 15 sabores; hoje, são mais de 40. "Outros detalhes que tivemos que implantar são mais específicos, como opções veganas, sem farinha e leite", comenta Daniela. Recentemente, lançaram o Bolo da Paz, à base de canela, com menção à Maria da Paz, personagem boleira de Juliana Paes na novela A dona do pedaço. 
No início, elas buscavam um ponto fixo que coubesse no bolso e o encontraram na rua Fernandes Vieira, no bairro Bom Fim. "Tínhamos 15 metros quadrados, divididos entre loja e produção. Depois, uma loja de roupas se mudou e pegamos o espaço para ampliar", explica Roberta. Há, ainda, uma unidade no formato café da Fome de Bolo na avenida Otto Niemayer, na Zona Sul, onde são servidos salgados, doces e os bolos da marca.
A Fome de Bolo ampliou a equipe e, hoje, conta com sete colaboradores. A média de venda no inverno - a melhor época - é de 230 itens por dia, sendo destes, 180 bolos. Os que mais têm saída são os de cenoura com brigadeiro e o de aipim com coco. O cardápio também é recheados com brigadeiros de bolo, bolos pudim, cake pop, cupcake, rocambole, bolo de ponto e bolo de rolo, um prato nordestino. 
Elas encontraram um modo de fidelizar os clientes com três a quatro promoções mensais. O cliente que comprava um bolo, ganhava um imã de geladeira e, ao acumular 10, trocava por um bolo. O sistema, agora, é por pontos, cada R$ 1,00 vale um ponto, e a troca pode ser realizada a partir de 50 deles. A iniciativa, destacam, ajuda a mapear as preferências dos consumidores. 
Ambas as sócias são formadas em áreas distintas - Daniela, em Artes, e Roberta, em Educação Física. Elas afirmam que herdaram a veia empreendedora dos pais, que tiveram comércios.
A intenção das duas é franquear a marca em 2021, por isso um consultor está ajudando na organização. Em 2020, pretendem lançar outra unidade, sem endereço definido, para testar a ideia. "Queremos ser uma franquia redonda, bem certinha, que não abra e, daqui a pouco, já feche", diz Daniela.
A Fome de Bolo da Fernandes, localizada no número 666, abre de segunda-feira a sábado, das 9h às 19h.
 

Maria Bolaria aposta em formatos diferentes

Depois do sucesso da primeira loja, Analisa criou uma unidade pocket Depois do sucesso da primeira loja, Analisa criou uma unidade pocket Foto: /MARCO QUINTANA/JC
Bolos em formato de números, letras, rosas, coração e até brinquedos são o que a proprietária da Maria Bolaria (@mariabolaria), Analisa Simon, credita como diferenciais do empreendimento. "Queremos que não seja um simples bolo, mas também um presente, uma experiência. Ele dá um impacto porque é bonito", explica a empresária. O negócio tem duas unidades, uma pocket, no Largo dos Caixeiros Viajantes, na avenida Goethe, e a matriz, na rua Miguel Tostes, nº 845, que completou quatro anos em julho.
Analisa, que também comanda a sorveteria La Basque, comprou o ponto há dois anos. "Na La Basque, o movimento é maior no verão. O oposto daqui", relata. Ela comenta que consegue conciliar mais de um negócio porque tem um grupo bom e de confiança.
"Se não fosse a equipe, o negócio não estaria em pé", elogia.
A empreendedora aponta uma diferença observada nos gostos dos consumidores da bolaria. Os mais jovens, segundo ela, preferem cobertura, enquanto que os idosos optam, geralmente, pelos mais simples. Os preços partem de R$ 8,00, e o cardápio tem mais de 20 sabores.
"É bem mais barato do que a pessoa fazer em casa. Ela tem que comprar todos os ingredientes, pode ter sobra, além do risco de errar a receita", avalia.
De acordo com Analisa, a produção, toda feita na loja do bairro Rio Branco, é artesanal, com o uso de batedeiras comuns e sem essências artificiais. A equipe é formada por cinco colaboradores. Nessa unidade há, ainda, espaço para os clientes comerem no local e são servidas bebidas como cafés, chás e outros quitutes, como docinhos e tortas.
Já a pocket, que tem um ano de funcionamento, surgiu como ideia de experimentar uma loja de perfil mais compacto. "Penso, em um futuro, expandir a bolaria, não como franquia, com lojas minhas", projeta. "A crise está acanhando um pouco o momento do investimento, mas realmente tenho planos. Caso dê certo, aí sim ir para franquias. Só vou franquear após fazer um teste interno", revela.
A Maria Bolaria trabalha com tele-entrega própria. A loja pocket abre de segunda a sexta-feira, das 13h às 19h, e de sábado a domingo, das 12h às 19h. A da Miguel Tostes abre de segunda-feira a sábado, das 10h às 19h. No inverno, também funciona aos domingos, das 11h às 18h. 
 
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