A ABF Expo reuniu as principais marcas de franquia no mês passado A ABF Expo reuniu as principais marcas de franquia no mês passado Foto: Studio F/Divulgação/JC

Os anos dourados do franchising

Com crescimento constante, franquias se tornam a escolha de muitos

Empreender passa por ter uma boa ideia, conceber o projeto e estruturar o negócio. Um modelo adotado por milhares de pessoas, no entanto, atalha esse processo. As franquias podem ser uma boa opção para quem deseja se lançar no mercado, mas não sabe por onde começar.
Para André Friedheim, presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), a previsibilidade do negócio é um grande diferencial. "Quem escolhe pela franquia já sai na frente porque adquire algo já testado", acredita. Além disso, a taxa de mortalidade das franquias é cinco vezes menor que a dos empreendimentos independentes. O crescimento anual do setor de franquias nos últimos quatro anos foi de 8%, conforme dados da ABF. A entidade projeta que cada franquia fomente o surgimento de, em média, 23 novos empregos neste ano. Os dados justificam o movimento intenso durante a 28ª edição da ABF Franchising Expo, em São Paulo, que aconteceu no fim de junho. Com mais de 400 marcas e 60 mil visitantes, a feira serve de berço para novas marcas. Para André, o encontro entre os franqueadores e os interessados em empreender no formato é imprescindível para o crescimento do setor. "A feira ainda é um agente muito importante para fazer negócio. Por mais que a gente fale muito em mundo digital, é aqui que a gente fecha os acordos", acredita.
No primeiro trimestre de 2019, o crescimento do número de empregos diretos gerados pelo setor de franchising foi de 2,05%. Saúde e Educação são as apostas do presidente da ABF para 2019. "Onde há um gap de entrega de serviços públicos pelo governo existem oportunidades para os empreendedores. Saúde e Educação são necessidades", acredita. O cenário do Rio Grande do Sul é similar ao nacional. O diretor regional da ABF na Região Sul, Antonio Carlos Diel, acredita que a situação econômica do Estado estimula a escolha por franquias. No primeiro trimestre, a expansão em número de redes chegou a 25% e, em faturamento, 12,9% em comparação ao mesmo período do ano anterior. "Empreender de forma independente no Estado é muito arriscado. Por isso o franchising se aplica muito", expõe ele.

Fini deve abrir segunda unidade no Rio Grande do Sul em agosto

Andrea aposta na ampliação do público-alvo como sucesso da marca Andrea aposta na ampliação do público-alvo como sucesso da marca Foto: FINI/DIVULGAÇÃO/JC
O objetivo da Fini, marca de doces e balas, ao abrir lojas físicas era apenas fortalecer o nome do negócio presente há 18 anos no mercado brasileiro. Segundo a gerente de marketing, Andrea Kohler, o modelo de franquia foi uma consequência desse movimento. "O objetivo da Fini com as lojas era ser uma marca reconhecida no Brasil. Por justamente não ser um objetivo da empresa, foi feito um trabalho para entender se o melhor seriam franquias ou lojas próprias. Concluímos que era um modelo interessante para franquear", explica Andrea. O processo de franchising começou em 2012, passando todas as lojas próprias para a gestão de franqueados. A marca, hoje, tem apenas uma unidade própria para treinamento e capacitação de novos franqueados e funcionários em Jundiaí, São Paulo, cidade onde fica a sede administrativa da empresa.
Com mais de 70 lojas pelo Brasil, a Fini tem previsão de abrir em agosto a segunda unidade no Rio Grande do Sul, desta vez em Pelotas. A primeira fica em Gramado, na Serra Gaúcha. De acordo com o Patrick Ramos, gerente de Negócios da Fini, a meta é fechar o ano com 85 franquias. Durante a ABF Expo, feira da Associação Brasileira de Franchising que aconteceu no fim de junho em São Paulo, a marca apresentou o seu novo modelo de quiosque. As mudanças no formato fazem parte do reposicionamento para expandir o público consumidor. "A gente não queria ficar só no universo infantil, e sim falar com o público jovem e adulto. Ou seja, acompanhar o crescimento desse público", justifica Andrea. Para isso, lançaram, em 2015, a linha de balas sem açúcar e com ativos funcionais. "A decisão foi continuar trazendo experiências e sensações para o consumidor com o produto sem açúcar. É indulgência permitida. Você continua com a Fini do seu lado, mas com saudabilidade."
Apesar da turbulência econômica dos últimos anos, os números de unidades da Fini seguiram crescendo. Andrea acredita que isso acontece porque, embora seja um produto que não está na primeira linha de consumo, as pessoas querem continuar vivendo essa experiência. "A gente acredita que, mesmo nos momentos de crise, as pessoas querem se agradar, querem continuar tendo seu momento de prazer. Não somos cortados da lista porque a gente é aquele produto que traz o momento em família. Todo esse reposicionamento fez com que a gente ampliasse os horizontes. Hoje a gente tem um portfólio de mono porção, para a pessoa experimentar o produto, que custa R$ 1,00. A gente tem no varejo uma cartela de produtos para todo mundo", acredita Andrea.
Com um valor de franquia de R$ 130 mil, a Fini oferece mais de 100 produtos exclusivos para as lojas. Além disso, os doces são vendidos a granel para proporcionar uma experiência única de compra, diferente da vivenciada em multimarcas. "É o único lugar que você consegue fazer esse mix de produtos. Você pega um saquinho e consegue consumir uma variedade maior", pondera a gerente de marketing. A marca busca um perfil de franqueado que deseje colocar a mão na massa. "Nosso franqueado mais novo tem 27 anos e o mais velho 66 anos. É importante maturidade emocional mínima, por isso a gente coloca 24 anos como pré-requisito. Ele precisa estar perto do ponto porque a gente acredita naquele velho clichê de que é o olho do dono que engorda o gado. Precisa ter capacidade de gerir o negócio, de lidar com pessoas", explica Patrick.

Empresa lança franquia de parque de diversão em contêiner

A estrutura tem 60 metros quadrados e oferece atividades para crianças A estrutura tem 60 metros quadrados e oferece atividades para crianças Foto: ToyCompany/Divulgação/JC
Colocar um parque de diversões dentro do espaço de um contêiner. Essa foi a ideia da ToyCompany, empresa voltada para o entretenimento infantil. Com uma trajetória de dez anos, a operação nasceu de uma demanda de mercado. Atuando em shoppings, a empresa tem parques fixos, itinerantes e também os parques licenciados de filmes e desenhos animados. "A empresa nasceu de uma necessidade do mercado que era ter um espaço para as crianças enquanto os pais faziam compras. No passar dos anos, fomos desenvolvendo um produto de alta qualidade", explica Mauro Meinerz, diretor fundador da ToyCompany.
Com mais de 30 operações fixas no país, a empresa de Guaramirim, Santa Catarina, lançou durante da feira da Associação Brasileira de Franchising, que aconteceu no fim de junho em São Paulo, o seu primeiro modelo de franquia. Funcionando em um contêiner com 60 metros quadrados, o parque tem cama elástica, piscina de espumas, espaço para jogos, labirinto, basquete kids, cinema e atividades lúdicas. O valor da franquia é de R$ 279 mil e prevê três funcionários na operação. Além do espaço interno, também é possível estender as atividades para a entrada do local. A ideia do negócio, segundo Mauro, surgiu para atender espaços de compras a céu aberto, que não estavam preparados para receber o modelo de parque da ToyCompany. "Idealizamos lançar uma franquia em contêiner para atender áreas open mall, áreas anexas a supermercados, empreendimentos comerciais que não têm espaço interno para essa finalidade", explica.
O contêiner pode ser fixo ou móvel, ficando a critério do franqueado essa escolha. O objetivo é que o parque possa circular por feiras e eventos de sua região. Mauro ressalta que um dos diferenciais da proposta é o fato do contêiner ser climatizado, podendo operar em espaços abertos independente das condições climáticas. "Os empreendimentos como hipermercados, que temos o Oiapoque ao Chuí, não têm espaços pras crianças. O assédio dessas grandes redes nos fez implementar o modelo de franquia. Eles procuravam para eventos na área interna, mas o espaço é tão pequeno que não tem como atender. Agora, a gente consegue atender tanto em locais com sol, como com chuva, porque ele é impermeável e climatizado."
O modelo de negócio foi estruturado com auxílio do Sebrae de Santa Catarina. Mesmo com o recente lançamento, o empreendedor afirma que já está em negociação com quatro possíveis franqueados. O diferencial, para Mauro, é o cuidado com a segurança e qualidade do lazer da criança. "A empresa conta com mais de 150 colaboradores diretos e indiretos, está sempre inovando em suas operações. É a primeira do segmento certificada pelo Sistema de Gestão de Qualidade ISO 9001:2015 e, em 2018, tornou-se a primeira empresa do segmento a receber o selo “Empresa Amiga da Criança”, pela fundação ABRINQ", ressalta.

Marca de doces argentinos busca expansão no Brasil

Diego acredita que acrescentar cafeterias à Havana foi fundamental Diego acredita que acrescentar cafeterias à Havana foi fundamental Foto: HAVANNA/DIVULGAÇÃO/JC
No franchising, a palavra da vez é internacionalização. Franquias dos mais diversos setores buscam maneiras de alçar voos para outros países. No entanto, o Brasil também é visto como um mercado promissor para as empresas de fora.
Há 13 anos por aqui, a Havanna, marca de alfajores da Argentina, vê no País um de seus principais mercados.
Diego Schiano, diretor-geral da operação no Brasil, presente em 19 estados, acredita que a marca caiu no gosto do consumidor. No início, as lojas vendiam somente os produtos da marca, e o modelo de negócio não deslanchou. Foi quando uma cafeteria foi agregada às lojas que veio a expansão.
"Começamos a ir onde o público queria que a Havanna estivesse. Essa foi a grande charada, o grande acerto da marca. E esse mix complementando os nosso presentes, porque não ficou só venda de alfajor e doce de leite. A gente obteve um faturamento maior, e essa foi a estratégia certeira no Brasil", explica.
Com 80 lojas, três delas próprias, Diego ressalta que chegar no Brasil, em meio a um momento pouco favorável da economia, não foi uma tarefa fácil.
Uma das estratégias da marca foi ampliar os formatos, através de parcerias. "A gente aposta no modelo store in store. Ou seja, estamos em livrarias, entrando agora em hospitais, em centros empresariais. Tudo isso está ajudando essa expansão, porque não estamos só focados em shoppings ou em lojas de ruas."
Com quiosque e loja, os dois modelos de franquia da Havanna contam com cafeteria. O valor do primeiro fica em torno de R$ 350 mil, e a loja custa R$ 500 mil. Diego destaca que o público da marca é A e B, mas que a diversidade de produtos amplia a gama de consumidores.
"Nosso público é esse, em sua grande maioria, em razão do posicionamento de preço. Mas a gente atinge todos os perfis, porque temos produtos que se iniciam em R$ 2,50", destaca.
Para 2019, a Havana planeja chegar em 110 lojas, e os focos de expansão estão nas regiões Sul e Sudeste. "Nós abrimos em Canoas e em Porto Alegre. Esse mesmo franqueado já tem mais duas franquias para expandir, então vamos abrir mais duas unidades em Porto Alegre. A ideia é chegar a cinco lojas na capital gaúcha."

Mercado geek é aposta de rede de vestuário

Felipe Rossetti criou a marca de vestuário com o seu irmão Felipe Rossetti criou a marca de vestuário com o seu irmão Foto: PITICAS/DIVULGAÇÃO/JC
Apostar e seguir em um nicho de mercado foi, segundo Felipe Rossetti, o segredo do sucesso da Piticas, marca de vestuário voltado para a cultura pop. O sócio-fundador da empreitada conta que foi a experiência no exterior que fez com que ele e o irmão enxergassem uma oportunidade de mercado. "Fomos morar nos Estados Unidos muito cedo, com 12 anos de idade, e lá essa cultura pop é muito forte. Fiz uma faculdade de empreendedorismo e, quando voltei para o Brasil, em 2009, já sabia que queria abrir algo nesse ramo de cultura pop", conta Felipe.
Em 2010, a dupla abriu a primeira loja em Itu, São Paulo, ainda com camisetas autorais. O grande salto foi quando conquistaram seu primeiro licenciamento. "Começamos o negócio com R$ 5,6 mil, então a gente não conseguia investir em licenciamento. Em 2013, as coisas começaram a engrenar, porque a gente recebeu autorização da Nickelodeon, que foi a primeira que apostou na marca. Na época, tínhamos 30 lojas próprias", explica.
Mesmo começando em um período difícil da economia do País, Felipe acredita que a marca prosperou por dialogar com um público que estava desassistido. "Em 2012 e 2013, o Brasil ainda apresentava um crescimento gigante. Em 2014, quando começou a queda, foi bem quando a gente estava investindo. Mas o consumidor do mercado geek era muito carente e é um consumidor muito fiel. Se sair um filme novo amanhã, ele vai comprar a peça nova", acredita. Em 2015, a Piticas abriu sua fábrica em Guarulhos, São Paulo. Com 11 mil metros quadrados e uma produção diária de 20 mil peças, o espaço emprega 620 pessoas. Os números são motivo de orgulho para Felipe, que justifica a escolha de produzir no Brasil pela agilidade que ganha durante o processo. "Fabricando no Brasil, a gente consegue ter esse dinamismo de reabastecer o País literalmente em dois dias. Sendo que, na China, você tem aquele tempo de três meses. Temos orgulho de ser 100% brasileiro."
O modelo de franquia da marca começou em 2014 e, hoje, tem mais 362 lojas espalhadas pelo Brasil, sendo nove no Rio Grande do Sul. O valor do quiosque é de R$ 160 mil, e da loja, de R$ 200 mil. A marca aposta em franqueados que desejem realmente colocar a mão na massa e operar o negócio. "Prezamos por um franqueado operador, e não investidor. Muita gente acha que franquia é um negócio que você pode entrar e sair, mas eu acredito que é um negócio para a vida toda, não é temporário. A nossa marca necessita que o cara esteja ali no dia a dia."
Segundo Felipe, a Piticas não tem, hoje, um concorrente direto no Brasil. Trabalhando com licenciamento da Warner desde 2014 e da Disney a partir de 2015, o segredo para manter as vendas em alta é estar atento aos lançamentos da indústria.
"Nossa equipe de criação é muito nerd, eles conhecem dos mercados e das licenças como ninguém. Fazemos questão de ter todo mundo com esse perfil para conseguir atingir o coração do cliente. É um nicho mais fechado, mas a gente pega ele por inteiro. As magazines estão entrando nesse mercado, mas é outro perfil", acredita.
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