Entrevista com Otélio Drebes, dono das lojas Lebes. Happy Hour exclusivo com equipe do GeraçãoE Otélio Drebes, dono das lojas Lebes, conta a história da rede que tem unidades espalhadas pelo Rio Grande do Sul e Santa Catarina Foto: /MARIANA CARLESSO/JC

Frente a frente com Otelio Drebes

A história de vida do empreendedor que criou a Lebes há 63 anos, rede que hoje soma 160 lojas

No 11º andar de um prédio do bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, no meio da tarde de uma segunda-feira, uma cena chama atenção de quem tem vista para o deck do escritório de Otelio Drebes, fundador da Lebes. Aos 84 anos, ele conta até três e sugere um brinde de espumante à vida.
Vez ou outra, ele promove um happy hour no espaço com convidados especiais. Um vídeo, produzido com um elenco de atores, narra a trajetória dele, que sequer chegou a concluir o Ensino Fundamental. "Eu morava no interior de Estrela e lá só tinha famílias alemãs, trabalhava na roça. Até os 6 anos eu não sabia falar uma palavra em português", diz.
MARIANA CARLESSO/JC
A emoção toma conta ao ver sua vida em terceira pessoa, e não é por menos. Otelio é um dos maiores empresários do Rio Grande do Sul, com um negócio que soma 3 mil funcionários e 160 lojas - hoje comandadas pelos herdeiros. "Chegou um momento em que eu entreguei a presidência para o Otelmo (seu filho), mas eu sei o faturamento da empresa (R$ 1 bilhão ao ano)", garante.
Embora tenha aprendido com o pai alguns artifícios de comerciante, sua personalidade sempre foi caracterizada pela curiosidade. Em uma de suas idas à Capital quando jovem, por exemplo, descobriu os carrinhos de compras - e resolveu levar a ideia para a sua região.
"Tinha dois supermercados, o Real da rua 24 de Outubro e o Zaffari da rua Bordini, onde eu via os clientes carregando as mercadorias em carrinhos. Instalamos o primeiro supermercado do Vale do Taquari, mas os clientes não sabiam que deveriam colocar e tirar os produtos do carrinho", diverte-se.
LEBES/DIVULGAÇÃO/JC
Passado um tempo, percebeu que o ramo da irmã, que vendia roupas, dava mais lucro do que os itens para o dia a dia. Resolveu apostar no segmento. "A gente tem que ser diferente. Porque, se formos iguais, seremos iguais a todos. Fui o primeiro a pendurar roupas em cabide. Arrumei uma corda de sisal, dois cabos de vassoura e o pessoal vinha", recorda.
Nesses 63 anos de existência, a Lebes - que começou com oito sócios e dois funcionários - já vendeu azeite, batata, remédios, bebidas, televisores, roupeiros, fogões, entre várias outras coisas. A constante renovação, aliás, representa muito o perfil de Otelio. "Quem não muda, fica para trás."

Negócios e família: 'não vi meus filhos nascerem'

Otelio com seus herdeiros e parceiros de projetos: Otelmo, que preside a empresa, Arlete e Jaime Henrique Otelio com seus herdeiros e parceiros de projetos: Otelmo, que preside a empresa, Arlete e Jaime Henrique Foto: LEBES/DIVULGAÇÃO/JC
A vida de Otelio não foi fácil, teve muito esforço envolvido. Ele, inclusive, conta que não viu nenhum de seus filhos nascer. "Trabalhava muito, mas eu não me preocupei com isso. Quis suar bastante e dar estudo para que eles não precisassem passar tanto trabalho como eu", comenta. "Acho que nem vocês sabiam disso, não é?", questiona Otelio à sua equipe durante o happy hour.
Um dos sonhos do empreendedor era de que seus filhos trabalhassem na Lebes. Objetivo alcançado: o engajamento familiar já está na terceira geração.
O segredo, segundo ele, foi não levar os problemas para casa. "Se eu fazia um bom negócio, vibrava: 'ganhei dinheiro hoje'. E eles foram se interessando", comemora ao comentar que sempre ouvia dizer que as empresas familiares não evoluíam muito na sucessão.

Novos projetos profissionais após os 80 anos de idade

Agora palestrante, o empreendedor desperta interesse de jovens Agora palestrante, o empreendedor desperta interesse de jovens Foto: /LEBES/DIVULGAÇÃO/JC
Disposto a inovar depois dos 80, Otelio relata que agora se descobriu como palestrante. Suas apresentações circulam o Estado todo e ele calcula que já tenha falado para cerca de 60 mil pessoas. Sem cobrar nada para subir aos palcos, considera essa a forma de retribuir ao público a confiança de tantos anos.
"Eu não tinha problema financeiro, mas não posso ficar parado. Chegou um momento, depois da entrega da presidência, que decidi ser palestrante. Nunca tinha dado palestra", confessa.
São nesses eventos, inclusive, que ele se liberta: canta, distribui rosas (ideia que trouxe de uma viagem ao exterior) e faz competição de olas. Um coach especialista em palestras até tentou moldar Otelio, mas ele não gostou de se sentir preso a padrões. "Sabe qual é o grande problema do ser humano? Ele não acredita em si mesmo. Eu faço as pessoas acreditarem nelas, que são capazes." O empreendedor já deu 114 palestras e revela estar surpreso com o tipo de interesse que desperta. "Pensei que os empresários que iam gostar, mas quem mais gosta são os jovens, pois querem se espelhar em alguém", entende.
Outra paixão atual de Otelio é o projeto que ele desenvolveu em 2018, o Fala, Professor, que está com inscrições abertas para a edição deste ano. Veja em: oteliodrebes.com.br/premiofalaprofessor.

É um bom momento para empreender no Brasil?

“Não falo de política e nem de políticos, mas se deixar o brasileiro trabalhar, tenham certeza de que ele é muito criativo.”

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Comentários ( 2 )
  1. Harald Unterleider (Ari)

    Caro Otelio, Parabens, Tenho orgulho em ser teu Amigo.Que Continues Abençoado. Ari

  2. egon arnold

    Muita admiração pela historia de vida e empreendedorismo. Parabens

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