Carolina e Fernanda do Manas, espaço coletivo voltado para empreendedoras no pós-parto Carolina e Fernanda do Manas, espaço coletivo voltado para empreendedoras no pós-parto Foto: /CLAITON DORNELLES /JC

Pessoas que fazem o bem através dos negócios

Fim de ano é época de pensar de que forma a sua empresa impacta a sociedade. Você consegue fazer o bem na rotina de trabalho? As marcas, hoje, podem provocar efeitos positivos em seu entorno com ações simples, como as descritas nas histórias a seguir. Inspire-se e busque sentido em tudo que fizer em 2019.

Um negócio pode ser muito mais que apenas uma fonte de lucro. É assim que Carolina Cozzatti define o Manas Loja e Espaço Coletivo. Para ela, o estabelecimento é um sonho e um local de união de forças. A proposta do Manas é dar mais espaço para o empreendedorismo feminino e possibilitar que as mulheres possam ter autonomia financeira.
"A gente acredita que uma mulher que tem independência financeira não vai ficar em uma casa sofrendo violência, nem em uma situação que ela não quer, em um relacionamento abusivo. Se ela tiver oportunidade de não depender, pelo menos financeiramente, ela pode fazer escolhas", afirma Carolina.
As sócias Carolina e Juliana Nogueira se conheceram em um momento comum da vida: na preparação para o parto. Na época, criaram um grupo de apoio entre as mulheres que frequentavam um curso de gestantes.
Denominado de Puerpério (período pós-parto), o grupo de WhatsApp reunia as 12 mães do curso para trocarem experiências e apoiarem umas às outras. Quando começaram a sair de casa com os filhos, perceberam que os locais não estavam preparados para recebê-las com conforto e com espaços adequados para troca de fraldas e brincadeiras com os pequenos.
Juliana trabalhava no ramo hoteleiro e foi demitida em 2017. Em meio a essa situação, surgiu a ideia de chamar a publicitária Carolina para criarem um lugar que funcionasse como uma rede de apoio para mães.
"A gente é um espaço de acolhimento. Todos são muito bem recebidos aqui porque entendemos que o que importa é o amor", detalha.
O projeto, que começou a ser pensado em novembro de 2017, ganhou vida em março de 2018, no mês das mulheres. O espaço tem uma sala para atendimentos em geral, uma para atendimentos estéticos e um espaço para rodas de conversas e cursos.
O destaque do Manas é a loja colaborativa, que reúne o trabalho de 34 empreendedoras. Cerca de 90% delas são mães, o que, segundo Carolina, é um diferencial, já que os produtos destinados às crianças são testados pelas frequentadoras na hora da confecção. Apesar de muitos produtos infantis, o Manas tem itens para as mulheres também. "Tem muitos lugares parecidos com o nosso, mas voltados somente para a criança. Aqui, a atenção é voltada para a mãe, para a mulher."
As expositoras chegam por meio das redes sociais ou no boca a boca. "Uma mana puxa a outra", brinca Carolina.
Uma curadoria é feita para que não haja concorrência dentro da loja, garantindo que o espaço seja rentável para todas. Junto com as duas sócias, outras mães do grupo original também estão no projeto. Fernanda Cauduro, fonoaudióloga, faz o atendimento do espaço e também comanda o brechó Dona Catarina.
O espaço, que ainda não completou um ano, tem como meta seguir crescendo junto com todas as mulheres que estão ali: sócias, empreendedoras e clientes. "É um pouco pensando em nós, em como foi importante termos umas às outras nesse momento de pós-parto. E acreditamos naquela frase de que para criar uma criança é preciso uma aldeia. Então, a gente precisa de muitas mãos dadas e muito apoio", afirma Carolina.

Arquiteta reforma lugares gratuitamente

Aline, de branco, deu cara nova à casa do Projeto Camaleão, onde Juliana Rizzieri trabalha Aline, de branco, deu cara nova à casa do Projeto Camaleão, onde Juliana Rizzieri trabalha Foto: /CLAITON DORNELLES /JC
Apenas 1% da população tem acesso a um projeto de arquitetura. Após ouvir esse dado em um curso, a arquiteta Aline Fuhrmeister criou o projeto DU99, que realiza mutirões solidários para reformar lugares gratuitamente. O desperdício de materiais durante uma obra é muito grande e isso fez Aline repensar o destino daquilo que sobrava. "A gente reforma um apartamento novo e troca o vaso, a pia, o piso. Acaba indo para o lixo materiais nunca usados", conta Aline.
A arquiteta começou a guardar os materiais que sobravam para usá-los em reformas sociais. "Consigo fazer uma ação social, usar a arquitetura e acabar com o desperdício."
Há três anos à frente do projeto, Aline já reformou sete lugares, como escolas e lar de idosos. A escolha do lugar é sempre baseada no número de pessoas beneficiadas com a reforma: quanto mais pessoas forem atingidas, melhor. A casa do Projeto Camaleão, Organização Não Governamental (ONG)que tem como objetivo reforçar a autoestima dos pacientes com câncer e também a reinserção social das pessoas diagnosticadas com a doença, foi beneficiada. O projeto, que funcionava de forma virtual desde 2014, conquistou seu espaço físico em 2016, mas não estava em boas condições para receber os pacientes. Em dois mutirões, um com 30 e outro com 50 voluntários, o ambiente ganhou forma e hoje abriga salas de terapia, artesanato, maquiagem e customização de lenços, brechó e um café. "Eu queria envolver as pessoas para que doassem seu tempo fazendo aquilo que sabem. Como a reforma é feita em um dia, a chance de ter mais voluntários é maior", explica.
Além das sobras de trabalhos próprios, Aline conta com a doação de materiais de outros arquitetos e com a parceria de diversas lojas. As reformas não são pesadas em função do tempo, mas mudam a vida de quem frequenta o local. "Reformamos uma escola em que os banheiros não tinham portas. É o mínimo de dignidade e, em um dia, é possível devolver isso para as pessoas."
Além do projeto social, Aline também tem o seu escritório comercial. Para ela, a principal transformação que o DU99 trouxe foi a maneira de olhar para os materiais. "Não mudou a vida do meu escritório ter esse projeto, mas mudou a mim como pessoa. Hoje me preocupo mais com o que eu vou usar, de onde vem o produto, para onde vai", aponta.

Administrador emprega pessoas em situação de rua

Diego abre vagas para alunos de curso de jardinagem na Capital Diego abre vagas para alunos de curso de jardinagem na Capital Foto: /LUIZA PRADO/JC
Diego Silva, proprietário da rede de estacionamento EstaFácil, em Porto Alegre, sempre investiu o seu tempo em projetos sociais. Foi dando aulas de Administração que foi apresentado por um aluno à ONG Centro Social Da Rua. O primeiro contato com os projetos da entidade foi com o Banho Solidário, uma espécie de banheiro itinerante que oferece banho para pessoas em situação de rua. Três unidades dos seus estacionamentos sediaram a ação. A Lavanderia da Rua, projeto também itinerante, está estacionada em uma das unidades do EstaFácil e funciona nos mesmos dias do Banho do Solidário. Foi a partir dessa relação que veio o convite para dar aulas sobre Atendimento e Vendas no projeto Sou Jardineiro, também organizado pela ONG. A iniciativa proporciona para pessoas em situação de rua noções básicas de jardinagem e geração de renda na área. Além de dar aulas no curso, Diego abriu as portas da sua rede de estacionamentos para que esses profissionais tivessem sua primeira oportunidade de trabalho. "Sempre queremos provocar um impacto social positivo, mas não somente dando alguma coisa. Criamos oportunidades para que as pessoas se desenvolvam", afirma Diego.
O projeto teve início no segundo semestre de 2018 e, desde então, 12 prestadores de serviço já passaram pela EstaFácil. Diego pondera que nem sempre é uma relação fácil, mas é recompensadora. "Tem que ter paciência e saber que não é um fornecedor como qualquer outro. Tem que dar mais atenção. Mas ver a pessoa emocionada por ter uma nova oportunidade faz valer a pena", conta. Contratar pessoas em situação de rua mudou o relacionamento com o restante da equipe e também com os clientes. Para Diego, a ação fez a equipe valorizar ainda mais a empresa, enxergando também o lado humanizado. "Muito mais que números, uma empresa é feita de pessoas e de sentimentos. Para a nossa equipe, que trabalha com o público, é necessário ter esse sentimento de acolhida por todas as pessoas, até mesmo por aquelas que não têm oportunidades."
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Comentários ( 1 )
  1. Eduardo da Silva Chiarelli

    E aí tchê!...100%? Acompanho a muitos anos o GE, e fico surpreso a cada nova oportunidade. Por ter um projeto chamado KICRÊ a marca do BEM, tenho um olhar voltado a todo tipo de voluntariado e trabalho social, por isso quero parabenizar estes dois projetos maravilhosos que é o MANAS e também o projeto do DIEGO. Na minha opinião isso é fazer NATAL o ano inteiro.E que sirva para o ser humano refletir e pensar em algo para sua cidade. Abraço a todos. CHIARELLI-Lajeado-RS

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