Rosane Morais criou a Envelope do Corpo Rosane Morais criou a Envelope do Corpo Foto: /LUIZA PRADO/JC

Arte aplicada na moda

Como empreendedores aplicam o gosto pela arte nas roupas e transformam essa paixão em um negócio que embarca na onda do slow fashion

Muito se fala sobre a roupa ser uma forma de expressão para quem a veste. Para quem a produz, então, pode virar uma tela para externar percepções do mundo. Rosane Morais, que, após se aposentar, decidiu se dedicar exclusivamente à carreira de artista plástica, não produz peças comerciais. "É arte", classifica. Desde novembro de 2017, tem um ateliê próprio, com a marca Envelope do Corpo. O estabelecimento fica na Galeria Duque, na rua Duque de Caxias, nº 649, no Centro Histórico de Porto Alegre.
A artista trabalha com o conceito de que o tecido é uma segunda pele. "Somos esqueletos do corpo carnal, assim como os cabides das nossas escolhas, nossas tramas e cores", reflete. Desse modo, como o nome diz, o Envelope do Corpo não usa costura. Apenas com furos para a cabeça, braços e pernas, o tecido é fechado com joaninhas. Rosane se baseia em memórias e como as marcas da pele são as lembranças do corpo.
O conceito surgiu de um trabalho realizado em 2005. Nele, ela construiu um projeto que visava materializar a concepção do texto Cicatrizes Invisíveis, publicado pela psicanalista gaúcha Ana Maria Medeiros da Costa."Trabalhei durante um ano em cima do texto, buscando uma maneira de materializá-lo como arte", lembra. Até que veio um estalo.
"Percebi que todas as cicatrizes que procurava estavam na minha pele", expõe. Com esse primeiro trabalho, foi convidada a expor na Fundação Nacional das Artes, em Brasília. Durante o processo, Rosane não pensava a iniciativa como um negócio. "Até aí não tinha nada a ver com moda", esclarece. Em 2009, foi apresentada à uma loja que trabalhava somente com artistas têxteis.
Lá, galgou espaço para a venda de suas criações, já que chegou um momento em que a vontade de ter o próprio espaço para trabalhar sua arte falou mais alto. Assim que se aposentou do banco em que trabalhava, registrou a marca.
Atualmente, Rosane prefere desvincular suas exposições da ideia de desfile de moda. Segundo a artista, as concepções não partem de tendências e de coleções. "É como se eu estivesse pintando um quadro", esclarece. Tudo é assinado tal como uma obra de arte. Até os retalhos que ficam viram acessórios.
LUIZA PRADO/JC
O envolvimento de Rosane com a arte vem de muito tempo. "Minha mãe costurava e, portanto, tenho uma memória muito afetiva com isso", emociona-se. Hoje, assim como outros empreendedores, vê no desenvolvimento de vestuário exclusivo a satisfação plena como artista e, consequentemente, na vida profissional.

Aposentada enaltece trabalhos de artistas gaúchos em camisetas

Ana Rowe, proprietária da marca Ana Rowe Vista Arte Ana Rowe, proprietária da marca Ana Rowe Vista Arte Foto: /CLAITON DORNELLES /JC
Aos 67 anos, a aposentada Ana Rowe criou uma marca de roupas que leva seu nome com o propósito de divulgar os trabalhos produzidos por artistas gaúchos. A empreendedora conta que a ideia surgiu da época em que morava no Rio de Janeiro e vinha anualmente ao Rio Grande do Sul. Na hora de levar lembranças para lá, queria fugir do convencional: cuias, bombachas e chapéus tradicionalistas gaúchos.
Ana mudou-se para Porto Alegre em 2012. No ano seguinte, ingressou no Atelier Livre de Porto Alegre. Esse espaço, localizado na avenida Érico Veríssimo, nº 307, no bairro Menino Deus, funciona como uma escola de artes e promove a produção criativa local. Por ali, teve contato com diversos tipos de arte. E, após participar de uma oficina de moda, se aprofundou em conhecer a sublimação em tecido. "Comecei com umas camisetas bem simples, aplicando as artes produzidas por uma colega", lembra.
A primeira coleção de peças foi lançada em outubro de 2015, na Galeria Duque - sim, a mesma que Rosane Morais (acima) está instalada. "Eram obras só de artistas do Atelier Livre, minha professora e colegas", pontua. Mas não são só produções de terceiros que embelezam as estampas. Ana também se aventura e coloca suas obras nas camisetas. "Até que o pessoal curte bastante", orgulha-se. Aos artistas que concedem o direito de imagem, é feita uma dedicatória na etiqueta da peça. Nela, vai uma minibiografia do autor e uma explicação sobre a composição. "A maior parte dos artistas é muito receptiva à minha proposta de divulgá-los", comemora.
Ana não se considera nem artista nem estilista. "Estou no meio termo, mas acho que para me considerar algo tenho que estudar e me aprofundar mais no assunto", entende.
Ela não faz questão de produzir em grande escala e se identifica com o estilo slow fashion. São produzidas, no máximo, três unidades de cada peça.
"À medida que as pessoas querem, eu produzo mais alguma coisa", expõe. É possível encontrar as produções da Ana Rowe expostas em algumas lojas da Capital, como na da Fundação Iberê Camargo (avenida Padre Cacique, nº 2.000), Livraria Bamboletras (avenida General Lima e Silva, nº 776) e Singullar Presentes, Moda e Cultura (avenida Lima e Silva, 297).

A aposta nas estampas com fotos de lugares de Porto Alegre

O negócio de Simone e André começou em uma lojinha de 20 m² e hoje ocupa espaço no Studio Leo Zamper O negócio de Simone e André começou em uma lojinha de 20 m² e hoje ocupa espaço no Studio Leo Zamper Foto: /MARIANA CARLESSO/JC
Da união de talentos de André Francisco Lisboa e Simone Martins da Silva, ambos de 50 anos, surgiu a Pano Pop. Ela sempre trabalhou com produção de vestuário, ele tinha uma empresa de comunicação visual que, entre outros serviços, estampava peças. Em 2013, decidiram investir esforços e abriram uma loja de camisetas no bairro Bom Fim, na Capital. No início, eram produzidas apenas ilustrações de bandas de rock. A partir da demanda, começaram a trabalhar com temas da cultura pop em geral - filmes, personagens etc. Mais tarde, os lugares de Porto Alegre fotografados por André tomaram conta dos tecidos.
No começo do negócio, a Pano Pop ficava em uma loja de 20 m² na mesma rua. Conforme a procura pelas produções foi aumentando, em 2016, mudaram-se para um espaço tão grande que avaliaram uma parceria para dividir. Assim, hoje, compartilham com o salão de beleza Studio Leo Zamper. "Nossa marca conversa muito com o público dele", deduz Simone. "Era uma lojinha de 20 m² que passou a ser uma de 200 m²", dimensiona André, que agora atende no nº 656 da rua Fernandes Vieira.
Moradores do bairro Bom Fim, o casal garante que a maior parte da clientela é da vizinhança. "O Bom Fim tem muito forte essa coisa de bairro, parece interior", compara André. Porém, nem só disso vive a empresa. Apesar dessa característica, o ponto - que é próximo à Redenção - recebe um público diverso aos fins de semana. "De segunda a sexta-feira, temos um tipo de público e aos sábados, ele muda", expõe Simone, que revela ser preciso ter duas frentes de produtos para atender a ambos.
Mas o norteador é o mesmo: produzir em pequena escala e ter mais exclusividade. "O legal é porque deixa a marca pequena e exclusiva", avalia Simone. "Não tem nada em escala industrial", garante André. Nunca um produto é igual ao outro, mudanças aparecem no tecido, tamanho, cor ou formato da peça.
Eles atribuem a possibilidade de diferenciação no vestuário à estamparia digital, pois - ao contrário da serigrafia, que exige produção em escala para baratear - ela permite que seja produzida uma estampa por vez.
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Comentários ( 3 )
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