Na  MiniMim, acessórios e roupas chamam a atenção dos pequenos Na MiniMim, acessórios e roupas chamam a atenção dos pequenos Foto: CLAITON DORNELLES /JC

Universo infantil motiva o empreendedorismo

Conheça três mulheres que abriram seus negócios para atender o público infantil

Qual pai ou mãe já não passou pelo dilema de ter que optar entre comprar para si mesmo ou para um filho? Na dúvida, quase sempre quem sai ganhando é a criança. Essa é apenas uma das vantagens de investir no mercado infantil, que abrange muitos segmentos e acaba atraindo alguns empreendedores de surpresa, assim como aconteceu com Cândice Eckert.
Ao passar pela primeira gravidez, ela decidiu parar de trabalhar com confecção de roupas masculinas e femininas e pausar a carreira para compreender o que de fato queria. Encontrou a resposta quando foi procurar trajes coloridos para a filha, Isadora, hoje com 9 anos.
"Na época, só tinha uma marca que vendia e as peças eram lisas. Eu queria trazer esse lúdico, mais vibrante. A cor preta, por exemplo, é a que tu menos vai encontrar aqui", diz a empresária, enquanto aponta para as araras coloridas da loja MiniMim, no bairro Bom Fim, em Porto Alegre. Além desse espaço, que foi o primeiro ponto físico da marca criada em 2011, há uma segunda loja, em Lajeado, administrada pela irmã da comerciante.
Cândice desenvolveu o conceito da MiniMim durante um ano. "Pesquisei mercadorias e matérias-primas porque era muito diferente do que estava habituada. Comecei focando em bebês, então o material é mais orgânico, assim como tingimento, a flexibilidade, o carinho que faz no corpo da criança", relata. Para ela, o período de pesquisa é imprescindível para quem vai abrir um negócio.
Com o tempo dedicado ao estudo, atingiu o que almejava: ofertar roupas que caiam no gosto dos pequenos, tanto por meio do conforto quanto pela aparência. "A criança tem que gostar de vestir a roupa, ela não tem que fazer birra para colocar. Meu menino (Tiago, de 2 anos) vai com um braço, o outro e já está vestido. Essa é a preocupação que tu tens que ter quando monta o teu produto", aconselha.
A fábrica é perto do ponto de venda e emprega três funcionários, além de contar com um espaço de outlet. Outras cinco costureiras produzem parte da mercadoria de maneira terceirizada. Ao invés de lançar coleções sazonais e concentradas em tendências, a empreendedora faz peças com estilos atemporais, muitas delas a partir da demanda da clientela.
"As vendedoras vão me passando as necessidades e vou incluindo", afirma. A MiniMim dispõe, ainda, de algumas micro coleções, tal como a recente linha de itens desenhados e serigrafados com temática galáctica.
Embora tenha um projeto de franquia, a marca mantém o comércio eletrônico. "Vendo mais fisicamente. Mas tenho muita gente nas redes sociais que é de outros estados", afirma. Ela não descarta, portanto, abrir unidades fora do Rio Grande do Sul. "É só achar o momento ideal e a pessoa certa", avalia. Cândice montou a estrutura para franquear a MiniMim e desejava fazer isso ainda em 2018, mas segurou a proposta por ora para ter noção de como se sairia numa cidade diferente. "Desejava experimentar como meu produto circularia fora daqui e como me comunicaria com uma segunda loja. Tem que haver um preparo para isso, até mesmo on-line e estamos buscando mais a parte do Instagram para essa comunicação", detalha.
Em Lajeado, a empreendedora tem a sorte da sócia ser a irmã, com quem já havia trabalhado no passado e a quem confia plenamente. "Ela tem filhos e está inserida nesse universo infantil. Ela gosta das peças, da aproximação com clientes, tem cara de dona de loja", brinca. Na unidade do Vale do Taquari, aberta no final de 2017, Cândice observou algumas mudanças em relação à da Capital. "O ticket médio da compra é maior lá. Aqui, eles vêm pipocando. O mesmo cliente vem mensalmente. Lá, vai uma vez e pula mais tempo, mas adquire em maior quantidade", registra a designer de moda.
As lojas, além das roupas, têm acessórios e brinquedos de madeira. De acordo com a fundadora da MiniMin, ter um leque de opções ajuda a aumentar a venda. "Esse é um complemento porque tem gente que quer dar de presente uma roupa e não quer chegar sem o brinquedo. Tem a questão da criança gostar, é um plus", classifica.
Apesar de desfrutar do feedback dos filhos na concepção dos produtos, Cândice opina que assim como qualquer empresária, precisa ter tempo para analisar o negócio. "O fato de ser infantil não faz com que eu tenha mais tempo com os meus filhos. Mas é mais simples para uma mãe trabalhar com esse público", constata.

Escola aposta em brinquedos não estruturados

Priscila diz que para trabalhar com crianças é necessário entrar no mundo delas Priscila diz que para trabalhar com crianças é necessário entrar no mundo delas Foto: /LUIZA PRADO/JC

Pedaços de canos, blocos de madeira e canudos de papelão. Basta a criatividade para transformar esses materiais em diversão para as crianças. A Escola de Educação Infantil Cotidiana, inaugurada em maio, aposta no resgate da simplicidade, a partir dos brinquedos não estruturados, para estimular o aprendizado dos pequenos.

O próprio local em que a instituição está instalada, um casarão da década de 1950, no bairro Rio Branco, transparece a premissa. De acordo com a empreendedora Priscila Gava, os pais se sentem acolhidos ali. "Eles comparam a casa com a dos avós, onde passaram a infância", comenta.

Em 2017, depois de trabalhar por duas décadas na sala de aula, a professora decidiu ter o seu próprio negócio, embora tenha pensado nisso logo após ter se concluído a graduação. "Normalmente, quem sai da universidade pensa em alguma coisa assim. Ainda bem que isso não aconteceu naquela época. Eu não tinha a cabeça que tenho hoje", avalia.

No início, Priscila, que tem dois filhos, pensou em montar a escola em um imóvel na Rua Fernandes Vieira, no bairro Bom Fim, até que chegou ao endereço atual, na Francisco Ferrer. "A engenheira não aprovou a primeira opção. Comecei a caminhar pelas ruas próximas e vi essa casa, que me chamou atenção, embora estivesse em uma situação de quase abandono. Consegui o contato do proprietário e propus alugar. Reformei-a toda, desde a hidráulica à parte elétrica", relata. Os reparos duraram cerca de seis meses e a quantia investida foi descontada do valor da locação.

Ela diz que o tempo aplicado valeu a pena. "A criança é sujeito. A infância é um período pequeno, a gente só vai ser criança nele. O resultado da casa não poderia ser de qualquer forma", pontua. Priscila escolheu apenas duas cores para pintar a construção: branco e verde. Para a pedagoga, as crianças que são as responsáveis por colorir o ambiente.

A equipe da Cotidiana é formada por nove pessoas. O grupo é responsável por 20 alunos, com idade entre 4 meses e 5 anos e 11 meses. Mesmo inaugurada em maio, quase na metade do ano letivo, Priscila considera que a meta inicial de número de matrículas já foi alcançada. "As mães que moram perto acompanharam a reforma, sempre vinham aqui saber quando estaria pronto. A escola começou a funcionar no dia 22 e no dia 25 já tinha criança", comemora.

De acordo com ela, trabalhar com esse nicho é se reinventar todo o dia, cotidianamente. "Você se reconecta com a sua criança. Você tem que estar no mundo deles para ver o que eles precisam. Isso é diariamente", observa.

Jornalista lança plataforma focada em crianças

Entrevista com Camila Saccomori, jornalista criadora da plataforma de conteúdo Camila Saccomori criou o Vamos Criar, para falar de maternidade Foto: LUIZA PRADO/JC
A maternidade não é apenas um nicho, segundo a jornalista Camila Saccomori, que lançou em outubro a plataforma Vamos Criar, reunindo conteúdo e serviços sobre a infância. "Conheço muitas mães que estão criando os seus filhos de alguma forma. Por quê não falar sobre isso de maneira mais especializada?", questiona.
Do assunto, ela entende bem. Mãe de Pietra, de 7 anos, Camila viu a vida profissional mudar de rumo quando se descobriu grávida. Na época, trabalhava em um jornal da Capital, onde permaneceu por 20 anos (desligou-se da empresa em junho) e começou a escrever sobre crianças. "Tirava minhas dúvidas sobre a gravidez. Tínhamos blogs e buscávamos a opinião de especialistas, eu não contava apenas a minha experiência", ressalta.
Cada vez mais se aprofundou no assunto e encontrou outras pessoas querendo falar a respeito do tema. "Além do meu canal, quero ajudar as pessoas que têm esta mesma causa. Encontrei muita coisa aqui em Porto Alegre de maternidade, as pessoas estão me referenciando", comemora. Em resumo, com o Vamos Criar, a comunicadora pretende atingir a mãe de primeira viagem e os demais envolvidos na criação.
Camila ressalta a importância de uma "rede de apoio". "É preciso informar além da mãe. Ninguém cria um filho sozinho. Minha mãe como avó, por exemplo, é muito ativa. Eu acabo de ler um livro e ela já me pede ele emprestado", explica.
Uma das tarefas da jornalista é simplificar o tópico dos textos. "É preciso traduzir a tua informação para o público", pontua. Não adianta falar de neurociência de forma técnica, pois muitas pessoas não entenderão, exemplifica.
Para isso, a empreendedora está sempre se mantendo atualizada, estudando e pesquisando. Em junho, participou de um wokshop intensivo na Columbia University, nos Estados Unidos, voltado à Primeira Infância. Foi lá, aliás, que surgiu a ideia de disseminar o aprendizado. "Vi que o que tenho dentro de mim preciso passar adiante", destaca.
O tema do curso, Primeira Infância, que é o período dos 0 aos 6 anos, é visto como fundamental para a formação do ser. "Essas questões dos estímulos do cérebro têm sido faladas nos últimos tempos. É a fase mais rica, se tu aproveitares estarás formando um adulto que vai tornar o futuro melhor."
Camila organiza a rotina para ficar com Pietra de manhã e trabalha à tarde. Precisa, ainda, participar de palestras esporadicamente à noite. Mesmo contando com o auxílio do marido, que é fotógrafo, e de um produtor de vídeos, no Vamos Criar ela faz todo o conteúdo sozinha.
Nessa correria, foge de ser uma "mãe helicóptero" termo usado por quem tem a vida voltada exclusivamente para um filho. "É preciso encontrar um equilíbrio entre a maternidade e o trabalho", avalia. Ela indica o meio termo também para a permissão de uso de eletrônicos para as crianças. "É mais importante averiguar o que eles estão vendo do que por quanto tempo estão vendo", sublinha.
Camila revela um spoiler de um projeto colaborativo do Vamos Criar. Ela está desenvolvendo com um de seus parceiros, o portal Me Two, um livro em português sobre gêmeos. Será um guia sobre este, aí sim, nicho da maternidade. Mas está em fase de pré-produção, de acordo com ela, muito animada com a ideia.
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