Sabrina Rosa lançou uma linha de cosméticos vegana, a Organker Sabrina Rosa lançou uma linha de cosméticos vegana, a Organker Foto: /LUIZA PRADO/JC

Empresas apostam em produtos naturais

De cosméticos a temperos, há cada vez mais opções de itens orgânicos no mercado gaúcho

Independentemente do ramo, os consumidores estão atentos quanto à procedência dos produtos que usam e se as empresas que os fabricam respeitam o ambiente. Negócios preparados para minimizar essa preocupação se destacam e ganham, além de clientes, fãs. Sabrina Rosa, proprietária da De Sírius Cosméticos, de Alvorada, acabou de lançar uma linha vegana (sem ingredientes de origem animal) para tratamento de cabelo, a Organker, justamente, por acreditar que todo mundo tem de se mobilizar por uma sociedade mais verde.
E a decisão de prestar atenção nos efeitos do negócio para a natureza não é de agora na De Sírius. Sabrina, que é formada em Biologia e começou a produção de cosméticos em casa aos 16 anos, sempre optou por ingredientes naturais.
"Usava óleo de coco e de trigo. Na época, não se falava nisso", diz a empreendedora, que criou um império de xampus, condicionadores e cremes capilares em duas décadas, com exportação para 20 países. Entre eles, Portugal, Emirados Árabes, Egito, Peru, Argentina, Estados Unidos e vários outros. Mais de 60 pessoas trabalham na planta gaúcha para atender, principalmente, salões de beleza espalhados pelo mundo.
Sabrina estuda o mercado e enumera resultados de pesquisas. "Cerca de 63% dos consumidores buscam empresas que se preocupam com o meio ambiente e 4% da população brasileira é vegana. É um número altíssimo", dimensiona ela.
Embora haja interesse, um dos impasses que produtos orgânicos enfrentam, conforme Sabrina, é a falta de eficiência. Muitas vezes, a qualidade não é a mesma dos já consolidados no mercado. A tecnologia, no entanto, vem mudando isso.
"Há quem ache bonita a bandeira de ser verde, mas não goste do resultado dos tratamentos naturais. Com a Organker, conseguimos desenvolver um produto verde com o resultado de um tradicional", garante a bióloga. Sabrina destaca, ainda, que o cuidado com a natureza não está só na fórmula detalhada nas embalagens da De Sírius. Na fábrica, é realizado o tratamento das sobras, os funcionários podem descansar em redes espalhadas pelo jardim e árvores frutíferas emolduram os prédios do Distrito Industrial da cidade da Região Metropolitana.
"Se eu não tivesse essa empresa, seria uma hiponga do meio do mato", diverte-se Sabrina, que toca o negócio ao lado do marido e dos filhos.
LUIZA PRADO/JC

Sabor a mais livre de conservantes e aditivos químicos

Nilmar criou a Temperalle em casa, agora ocupa pavilhão em Canoas Nilmar criou a Temperalle em casa, agora ocupa pavilhão em Canoas Foto: /ROBSON HERMES/ ESPECIAL/JC
Há cinco anos, Nilmar Machado da Rosa, 37 anos, costumava sair cedo da manhã para trabalhar e retornava apenas à noite. "Mesmo assim, meu salário equivalia ao vale refeição da minha esposa, que era bancária", relata. Alguns anos depois, já fora da empresa, viu a oportunidade de ter o próprio negócio. Assim, a Temperalle nasceu na casa do empreendedor, em um espaço de 30 metros quadrados. No começo, ele foi o responsável pelo desenvolvimento do logo, além de produzir, entregar e vender os temperos naturais.
Hoje, está num pavilhão de 1 mil metros quadrados, em Canoas, e conta com 15 colaboradores. O investimento inicial foi de cerca de R$ 250 mil, mas, para alcançar o porte atual, Nilmar estima que seja necessário cerca de R$ 1 milhão. Embora em ascensão, ele destaca que a Temperalle não perdeu a essência de produzir alimentos 100% naturais, livres de conservantes e aditivos químicos.
"Neste ano, junto com a Perfil Design, reposicionamos a marca. A nossa produção é manufaturada por enquanto, mas não será suficiente para o projeto de expansão", comenta, acrescentando que da presença em Porto Alegre e região, logo deva atender todo o Sul do País.
A Temperalle possui linhas de chás, sais, produtos naturais e temperos. A matéria-prima é importada e o empreendedor reitera que o transporte de São Paulo até o Rio Grande do Sul é cauteloso.
"Os produtos naturais requerem cuidados extras. Os ingredientes precisam ficar separados. Aqui na empresa também separamos por salas, para não pegar o aroma ou o sabor um do outro", diz. Outro diferencial que Nilmar pontua é o fato de simplificar as embalagens para melhor atender a clientela. "O meu foco é no cliente final. O dono do mercado, por exemplo, quer o melhor mas não paga por isso. Portanto, preciso fidelizar o meu cliente, que vai pagar. Nas embalagens, escrevo para que fim é cada tempero. O de frango, o de peixe, o de churrasco, isso ajuda na hora da pessoa escolher", explica.
O empresário avalia que o negócio dá certo porque ele é apaixonado pelo segmento. "Na minha juventude, trabalhei anos como garçom, frequentei eventos e cozinhas. É difícil para quem entra no ramo da gastronomia não se apaixonar", registra.
 

Alternativa saudável para o público infantil

Jonas criou, com a irmã, a Dodani depois do nascimento do sobrinho Jonas criou, com a irmã, a Dodani depois do nascimento do sobrinho Foto: /MARCO QUINTANA/JC
Quando o menino Daniel tinha dois anos, em 2014, a mãe dele, Viviani Heitling, percebeu a escassez de ofertas de produtos orgânicos no mercado voltados para crianças. Começou, então, a desenvolver com o irmão Jonas Heitling a marca Dodani Orgânicos, com foco em atender principalmente esse público.
No início, a linha contava com três tipos de biscoitos, duas opções de frutas liofizadas (quando passa por um processo de desidratação) e uvas passas em caixinhas, que poderiam ser facilmente colocadas em lancheiras e levadas a qualquer lugar.
"Somos a primeira marca a destinar-se ao segmento infantil. A nossa maior preocupação era a de que os produtos, além de saudáveis e orgânicos, fossem saborosos. Não adianta oferecer sem sabor para o paladar infantil", relata Jonas. O sobrinho Daniel, então, se tornou inspiração para o negócio, ilustrando as embalagens.
Os sócios, ambos com experiência na área comercial, passaram por um período de dois anos de estruturação até lançarem o empreendimento, em janeiro de 2017. "Fizemos uma pesquisa de mercado em Porto Alegre para medir o potencial da ideia. Em 2015, contratamos uma agência para desenvolver os produtos", pontua Jonas.
"A textura dos alimentos foi pensada para que seja fácil para a mastigação da criança", acrescenta.
Ele destaca que, assim como Viviane, os pais estão cada vez mais preocupados com a alimentação dos pequenos. "Tivemos uma notícia boa recentemente que foi a aprovação da lei das cantinas", comemora o sócio. A Lei estadual nº 15.216 busca promover a alimentação saudável e proíbe a venda de guloseimas como balas, pirulitos, biscoitos recheados, salgadinhos industrializados, refrigerantes e sucos artificiais nas cantinas das escolas. A Dodani, de acordo com Jonas, segue as recomendações do governo e se encaixa na nova legislação.
Apesar da ênfase nos pequenos, a marca passou, há pouco, por uma reformulação para alcançar outros públicos.
"Mudamos para destacar a história do Dani. Até então, não falávamos muito da nossa origem. Com as modificações, vamos abranger intolerantes à lactose, quem tem dieta vegana, etc.", realça o empresário. Por isso, entram oito novos itens com o rótulo da marca, entre eles bolinhos orgânicos e sem glúten (nos sabores maçã com canela e cacau), biscoitos de arroz e snack de cereais.
Jonas analisa que o mercado está favorável para o segmento dos orgânicos e comenta que a marca, que terceiriza a produção, já vende para todo o País. "Agora, estamos conseguindo contato com grandes redes de varejo. O caminho dos produtos orgânicos e saudáveis é sem volta", prevê.

BOM SABER

indústria têxtil vestuário costura
Employees work in the workshop of the Várias empresas estão se adaptando Foto: SYLVAIN THOMAS/AFP/JC
O setor da moda está optando por alternativas que geram menos impacto negativo ao meio ambiente. A Associação Brasileira de Indústria Têxtil (Abit) noticiou em setembro a Lunelli como a primeira empresa do País a aderir a viscose ecológica, feita a partir de fontes sustentáveis de madeira.
No primeiro semestre, a rede varejista Renner lançou o selo Re - Moda Responsável. O Re Jeans, por exemplo, reaproveita as sobras de tecido do processo de corte de novos jeans para a confecção de outras peças.
Já a marca gaúcha 3JNS carrega uma proposta baseada no conceito de economia circular. A consumidora compra a primeira peça e pode, posteriormente, devolvê-la quando não quiser mais. Isso dá um percentual de desconto para ela comprar um novo item. O produto pode passar por três ciclos, depois, será destinado à reciclagem.
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