Domingos Ferraro e Guilherme Schaurich abriram a Mercearia do Mate Domingos Ferraro e Guilherme Schaurich abriram a Mercearia do Mate Foto: MARCO QUINTANA/JC

Negócios entre amigos se multiplicam em bairro boêmio da Capital

Sócios jovens dão personalidade às ruas da Cidade Baixa com novas empresas

Para quem nasce no Rio Grande do Sul, é difícil imaginar outro tipo de uso para a erva-mate que não seja o preparo do chimarrão. Mas, para os proprietários da Mercearia do Mate, Domingos Ferraro, 36 anos, Guilherme Schaurich e Luciana Breier, ambos de 33, a bebida típica é uma das possibilidades da imensa gama de produtos que podem derivar do insumo. “Estamos aqui para mostrar que o chimarrão é apenas uma das utilizações da Ilex Paraguariensis”, complementa Guilherme.
Para tanto, os sócios frequentaram feiras e congressos temáticos da erva-mate. Desses eventos, eles trouxeram marcas de xampu, pomada, tônico para barba, sabonetes e outros cosméticos. Tem também bebida energética, licores, chimias, além de artigos para consumo de chimarrão, camisetas temáticas, tererê e, claro, vários tipos diferentes da erva para consumo.
“A gente quer quebrar esse paradigma, essa visão monofocal, de que o mate é feito só para chimarrão”, explica Guilherme. Ele evidencia o respeito que sente, junto ao sócios, pela cultura que cerca a bebida tradicional e atribui à ela a ideia que deu origem ao negócio.
Inaugurado no dia 20 de setembro, o negócio está em fase de implementação e avaliação de produtos. “Estamos com uma gama muito grande de opções, mas a nossa intenção é trabalhar com o que for melhor recebido pelo público”, delimita Guilherme. Para muitas das marcas expostas, a Mercearia do Mate está sendo um canal de abertura para o mercado.
Localizada na Rua da República, nº 267, no bairro Cidade Baixa, a empreitada foi implantada junto a uma tabacaria já conhecida das redondezas, na sobreloja do onde havia um depósito. “Aqui estava inutilizado. Tivemos a ideia de implementar um outro negócio, e assim chegamos no ramo do mate”, expõe Domingos, cuja família gerencia a tabacaria.
Entre os planos da empresa, está o de criar um grupo de assinatura de erva mate, no qual os assinantes receberão pacotes do produto, quinzenal ou mensalmente. “A ideia é começar pela Região Metropolitana de Porto Alegre e ir aumentando o raio de atendimento. Até onde a logística no Brasil permitir”, projeta Guilherme. O estabelecimento funciona das 11h às 20h, de segunda-feira a sábado.

Bar de Porto Alegre inova ao misturar luzes neon e arcades

Rafael Born e Gil Czarneski queriam uma proposta noturna mais descontraída Rafael Born e Gil Czarneski queriam uma proposta noturna mais descontraída Foto: CLAITON DORNELLES/JC
O letreiro neon do Red Door, adianta para quem passa à frente do bar o que vai encontrar nos dois andares do estabelecimento. A luz neon, que permeia todo o espaço, coloca os clientes numa vibe futurista. No andar de cima, quatro fliperamas, uma mesa de air hockey e um pebolim, além de dar a sensação de informalidade e proporcionar diversão, transportam para meados da década de 1970 - no hype dos jogos arcade. Os sócios, Rafael Born, 29 anos, e Gil Czarneski, 28, abriram o negócio na rua José do Patrocínio, nº 797, no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre.
Além de chamar a atenção nas redes sociais pelo neon colorido presente em todos os cantos, o Red Door que tem capacidade para receber 120 pessoas, trabalha com drinks, entre clássicos e autorais, que rendem likes por brilharem no escuro. O bar conta, ainda, com cinco torneiras de chopp. E oferece no cardápio hambúrgueres, pizzas e petiscos.
Os rapazes contam que, como frequentadores da noite de Porto Alegre, sentiam falta de um bar que fosse menos formal. “Sentíamos falta de um lugar para ficar mais de pé, para o pessoal conversar de um jeito mais informal, sentia falta de uma iluminação mais baixa para não ficar aquele lugar de ficar engessado em uma mesa”, expõe Gil.
A ideia, então, se concretizou após uma viagem feita por Rafael aos Estados Unidos, onde conheceu bares diferentes dos encontrados por aqui. “Vi lugares com essa vibe, com música alta, iluminação baixa, tinha bar com air hockey. Pensei: ‘Bah! a gente pode juntar tudo isso’”, lembra. E juntaram.
Assim, em junho de 2018, o Red Door foi inaugurado. A concretização do projeto da dupla demandou o investimento de R$ 250 mil. “Geralmente, quando procurávamos lugares, eram imóveis que precisavam de reformas e investimentos muito grandes. Entramos aqui e estava pronto”, rememora Gil que, ainda hoje, considera-se sortudo pela oportunidade. O Red Door funciona de terça-feira a sábado, a partir das 19h.

Colegas de faculdade abrem hamburgueria na Lima e Silva

Vinicius e Felipe fazem de tudo na Tchê Chefs Burger: da administração e produção à limpeza Vinicius e Felipe fazem de tudo na Tchê Chefs Burger: da administração e produção à limpeza Foto: MARCO QUINTANA/JC
Vinicius Marangoni e Felipe Grange, colegas de faculdade, levaram a amizade para o mundo dos negócios. Os dois abriram o Tchê Chefs Burger, em agosto, depois de um ano participando de eventos e festas, de maneira itinerante. Formados em Engenharia Ambiental e desiludidos com as poucas oportunidades no mercado de trabalho, os jovens começaram fazendo hambúrgueres e churrascos para amigos.
"Pensamos em investir em lugar fixo ou food truck. Mas o food truck exige um investimento alto, então optamos pela loja", comenta Vinicius. Eles escolheram um ponto estratégico, na rua Lima e Silva, na Cidade Baixa, depois de procurarem em outros bairros. "Vimos um local na 24 de Outubro, mas já tínhamos passado aqui na frente e visto a loja fechada. Foi um dos poucos lugares que, quando falamos que seria uma hamburgueria, com brasa, as proprietárias aceitaram", explica Vinicius.
De acordo com Felipe, o público é bem versátil e abrange estudantes, idosos e turistas. "É bem movimentado. A circulação à noite é bem maior que em qualquer outra rua", observa. O empreendedor admite que, ao escolher um ponto de venda, os dois precisaram se adaptar com a mudança de rotina. "Antes, como trabalhávamos por evento, era tudo mais esporádico e tínhamos mais tempo para nos programarmos. Agora, é todos os dias", compara Felipe. Além de dividirem a função da cozinha, eles compartilham o administrativo, o atendimento (com a ajuda de ambas as namoradas) e até mesmo a limpeza. "Um é chefe do outro, mas dá certo, nos entendemos muito", brinca.
Os sócios aplicam no Tchê Chefs Burger a sustentabilidade, do aprendizado obtido na universidade. O cardápio é enxuto, com quatro opções fixas e uma móvel, para que não haja desperdício. "A gente não quer jogar pão, carne, qualquer tipo de insumo fora. Nos programamos para produzir 80 hambúrgueres por dia. Se acabar, acabou", pontua Vinicius. Eles planejam implantar uma horta com produção de ingredientes. E será que se rolasse uma vaga na área de Engenharia eles largariam o negócio? "Não", respondem ao mesmo tempo.
Compartilhe
Seja o primeiro a comentar

Publicidade
Mostre seu Negócio