Thiago Araujo, empreendedor à frente 
do Bowling Bar Thiago Araujo, empreendedor à frente do Bowling Bar, usa dados para tomar decisões Foto: MARIANA CARLESSO/JC

Sebrae lança plataforma com dados para pequenos negócios no Rio Grande do Sul

Portal é para quem busca informações sobre indicadores econômicos e demográficos

Com tecnologia suficiente para reter e fazer a leitura adequada de montantes de dados, o Big Data hoje é uma das ferramentas de inteligência das grandes empresas. No entanto, as de pequeno porte também precisam recorrer a indicadores na hora de formular seu plano de negócios ou decidir seus próximos passos. Com estrutura menor, ainda assim é importante consultar os aspectos demográficos, de produção e de consumo das regiões.
A partir de 5 de outubro, amanhã, a população gaúcha terá a seu dispor uma ferramenta de busca com cobertura profunda de dados do Rio Grande do Sul para consulta. Dentro do Data Sebrae, que já abrange uma gama de aspectos a nível nacional, o Sebrae-RS lança uma versão específica para o Estado, onde quem empreende poderá encontrar respostas de diversos âmbitos em um só lugar. "O Data Sebrae foi criado nacionalmente em 2015 como uma solução de gestão do conhecimento que tomou corpo para ir para o público externo. Instituições públicas, universidades, investidores e pesquisadores, além, claro, das empresas, podem se valer da ferramenta", explica Andreia Gratsch do Nascimento, gerente de gestão estratégica da entidade.
Empreendedores podem fazer as buscas por perguntas, ter acesso ao perfil dos principais municípios, dissecar o ambiente de negócios com recorte por regiões e por cultivo, indicadores econômicos e ter acesso a informações georreferenciadas. A plataforma é grátis e não requer nenhum tipo de cadastro.
O objetivo do Sebrae-RS é encurtar o caminho que muitos empreendedores acabam desistindo de percorrer, ao ter que recorrer a fontes diversas atrás de informações, muitas vezes desatualizadas ou desencontradas. "Pesquisas de mercado são a base do plano de negócios. É uma ferramenta de tomada de decisão", emenda Andreia.
É o caso da prefeitura de Lajeado, que reestruturou as secretarias de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Agricultura em uma só, a partir do cruzamento de referências como as que estarão disponíveis on-line, fornecidas pelo Sebrae-RS.

Para evitar decisões baseadas em palpites

Kamille Schmidt, técnica de atendimento do Sebrae-RS Kamille Schmidt, técnica de atendimento do Sebrae-RS Foto: /ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC
Kamille Schmidt These trabalha no atendimento às empresas que vão no espaço de negócios do Sebrae-RS pedir consultas, na avenida Salgado Filho, nº 135, no Centro de Porto Alegre. Ela ressalta a importância de pesquisar bem e entender a região onde se pretende abrir um negócio. Qual o perfil da cidade, se é fácil encontrar fornecedores, se há potenciais clientes para o modelo de negócios ou outras empresas fazendo a mesma coisa são perguntas importantes de serem respondidas enquanto a microempresa ainda está no papel, aponta ela.
"Nessa fase, a gente sempre olha o PIB, o potencial de consumo, a faixa salarial, se é uma a região de turistas ou não, uma região-dormitório", prossegue. Na prática, o que os empreendedores fazem é jogar questões como essas no Google atrás de respostas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e prefeituras dos municípios.
Agora, tudo isso está aglutinado dentro do Data Sebrae-RS. "Muitas vezes, eles até nem fazem tão a fundo essa busca porque não sabem onde buscar, porque nem sempre há fontes seguras." Quando o processo empaca, ela conta, os microempreendedores se jogam nos "achismos" e vão aprendendo nos fatos empíricos, perguntam para as pessoas da vizinhança e têm apenas palpites. "A ferramenta vem para conseguir quebrar a barreira de muitos empreendedores não pesquisarem por não saberem onde estão os dados."
Dada a expertise da entidade no atendimento aos pequenos empreendedores, um dos diferenciais está na maneira de traduzir o conteúdo e apresentar as informações de forma clara. Mas não é só para o planejamento de empresários de primeira viagem que o serviço se dirige. Fazer comparativos e montar cenários possíveis é útil em momentos de dificuldades e reprogramação de rota em todas as fases de uma organização, esclarece Kamille.
"As informações ajudam a clarear os caminhos, e inclusive reconhecer quando não é o momento de tomar certas decisões", pontua.
 

O que você vai encontrar no Data Sebrae Rio Grande do Sul

>> Total de Empresas: Quantas empresas privadas de uma atividade e porte existem no meu município?
>> Total de empregados:Quantas pessoas são empregadas por uma atividade no meu município?
>> PIB: Qual é o valor de todos os bens e serviços finais produzidos no meu município?
>> PIB por Setor: Qual é o valor de todos os bens e serviços finais produzidos por um setor da economia?
>> Importação: Qual é o valor das importações de um produto para o meu município?
>> Exportação: Qual é o valor das exportações de um produto do meu município?
>> População Estimada: Qual é a estimativa de habitantes que existem hoje no meu município?
>> IDH: Qual é o nível de desenvolvimento humano do meu estado ou município?

Informações para dar (ou não) os próximos passos

Foto de Thiago Araujo, empreendedor a frente do Bowling Bar Foto de Thiago Araujo, empreendedor a frente do Bowling Bar Foto: MARIANA CARLESSO/JC
Em alguns dias, o Bowling Bar, de Thiago Araujo, 32 anos, irá se tornar Bowlerama. O reposicionamento da marca se dá por estudos que ele fez para tornar o boliche do Clube Geraldo Santana, aberto ao público, ainda maior. "Ficou bem claro, no início do ano passado, que a nossa marca não comportava o tamanho do nosso sonho, então era preciso registrar uma nova", conta. Enxergando as potencialidades do negócio, o projeto era abrir franquias.
Para definir seus próximos passos, Thiago pediu ajuda do Sebrae e de consultorias. A estrutura de um boliche demandaria um imóvel de quase 300 metros quadrados. "Se tivesse que construir tudo, a franquia iria passar de R$ 1,3 milhão", explica ele, que considera uma competição desigual frente a outras ofertas de franquias já consolidadas.
Foi hora de segurar os planos e ir mais devagar na expansão do boliche, que existe há cinco anos. "Em um primeiro momento, pesquisei 100% na internet, só dados virtuais. Depois, visitei muitos boliches pelo Brasil. Ainda não fiz a mesma coisa a nível internacional", conta Thiago, sobre o início do levantamento.
A estratégia adotada, então, foi projetar a abertura de filiais para fortalecer a marca, o que ainda está em estudo. "A gente tem um posicionamento de negócio que é voltado para família, propício para fazer amigos e frequentar com os familiares. Não é um ambiente muito balada", afirma Thiago.
Com público formado majoritariamente pelas classes B e C, os dois principais fatores que precisará descobrir são a renda e o nível de escolaridade da região onde a filial virá a ser aberta.
"A gente entendeu e, hoje, tem bastante clareza do mercado de boliche, difícil e exótico no Brasil. A nível mundial, é um tipo de negócio que não vingou também. Não existe nenhuma marca de referência no mundo", explica. Seu desafio é aproximar as pessoas. "Vou ter de mostrar que o negócio funciona em escala e em rede."
Nos processos internos, Thiago também coleta dados através de pesquisas de satisfação, o que impacta nas suas decisões de investimento e engajamento da equipe, formada por seis pessoas.
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