Carlos é presidente da ADJogosRS, a associação do setor Carlos é presidente da ADJogosRS, a associação do setor Foto: /LUIZA PRADO/JC

Crescimento do mercado de jogos traz oportunidades

Você sabia que o setor movimenta US$ 137 bilhões no mundo? Mais que o cinema e a música juntos

Diferentemente de vários outros segmentos, o de games cresce, tanto no Brasil quanto no mundo. E as soluções criadas por desenvolvedores de jogos - até mesmo aqui no Rio Grande do Sul - se espalham pelo varejo, área de simulações e treinamentos de Recursos Humanos.
O avanço global da indústria de jogos, entre 2016 e 2017, foi de 13%. No Rio Grande do Sul, esse número chegou a 137% no período, com um faturamento de R$ 20 milhões. Os dados são da Associação dos Desenvolvedores de Jogos Digitais do Estado, a ADJogosRS.
O presidente da entidade, Carlos Idiart, diz, inclusive, que jogos movimentam US$ 137 bilhões no mundo. "É mais que as indústrias do cinema e da música somadas. Só perdemos para o setor bélico", avisa. A quantia chega a US$ 5 bilhões na América Latina e US$1,5 bilhão no Brasil.
Debora Chagas, coordenadora estadual de Startups e Economia Digital do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-RS), acrescenta que a área tem muito a expandir. "E, às vezes, parece desconhecida no Rio Grande do Sul", expõe ela. Carlos tem a mesma preocupação, por isso considera uma vitória quando vê produções locais ganhando destaque nas lojas.
Um jovem de 21 anos, segundo ele, acumula 10 mil horas de exposição a jogos - superior à quantidade que um estudante de Medicina fica imerso no conteúdo do curso, entre 7,2 mil e 9 mil horas. Essas informações demonstram o volume de oportunidades que podem ser exploradas por empreendedores dispostos a apertarem o play nesse mercado.
E há outra boa notícia: as pequenas empresas são as que mais devem abocanhar os próximos investimentos, diz Carlos. "É muito caro produzir em um estúdio grande. Estamos na Era de Ouro dos indies (jogos eletrônicos independentes)."
Os desenvolvedores de jogos podem monetizar seus produtos de duas formas, com propaganda ou entregando games por encomenda a empresas. Uma tendência que vem sendo observada é a popularização dos hipercasuais, ou seja, aqueles desafios simples e que duram pouco, voltados para o mobile, sem storytelling. "São os que, depois de três dias, o usuário desinstala e instala outro", explica Carlos.
Ainda há barreiras a enfrentar para que a indústria criativa deslanche entre os gaúchos. Uma delas é convencer sobre o potencial de retorno financeiro. "O investidor, principalmente o do Rio Grande do Sul, quer investir em algo tangível", afirma Carlos.

Evento abordará o segmento com 15 palestrantes nacionais e internacionais

O Dash Games tem área de testes para que desenvolvedores ouçam o feedback do público O Dash Games tem área de testes para que desenvolvedores ouçam o feedback do público Foto: /Dash Games/Divulgação/JC
Para estimular a indústria de jogos no Rio Grande do Sul, será promovido entre 21 e 23 de setembro, no Shopping Total, o Dash Games, que está na terceira edição. Estão programadas 15 palestras nacionais e internacionais, com 50 empresas envolvidas e a expectativa de um público de 2 mil pessoas.
Um dos principais objetivos do evento, no entanto, é trazer compradores para as empresas gaúchas. Por isso, devem acontecer também rodadas de negócios.
A fim de receber feedbacks do público sobre os jogos assinados por empreendedores do Estado, será montada uma área de play test - para que a galera teste os games. Inscrições e acesso à programação através do site adjogosrs.com.br/dashgames.

De Porto Alegre para o Paris Saint Germain

O estúdio de Guilherme, o Hermit Crab Game Studio, conquistou licença do clube francês O estúdio de Guilherme, o Hermit Crab Game Studio, conquistou licença do clube francês Foto: /Mauro Belo Schneider/Especial/JC
Imagine a quantidade de pessoas interessadas em baixar um jogo do Paris Saint Germain, um dos maiores clubes de futebol da França. Com isso em mente, a startup Hermit Crab Game Studio, de Porto Alegre, está desenvolvendo um game para a marca, chamado de PSG Football Freestyle.
"Adquirimos a licença para trabalhar com o clube, pois acreditamos que a exposição alavancará negócios futuros", diz um dos sócios da empresa, Guilherme Gonçalves, 34 anos.
A ideia do jogo é propor truques com a bola. "Nossa intenção não é o mercado de simulação e nem queremos competir com grandes franquias. Apostamos nos jogos casuais (para começar e parar a qualquer momento e em qualquer lugar, como no ônibus, por exemplo)", detalha ele. A criação já foi premiada no Big Brands, uma seção do Big Festival, que ocorreu em julho deste ano em São Paulo.
Guilherme conta com dois sócios, que vivem exclusivamente da Hermit Crab, criada em 2015. Estão na empreitada Wallace Moraes e Matheus Vivian, esse último morando atualmente na França - o que facilita os processos de expansão para a Europa.
Como a Hermit foca em marcas esportivas, clubes e atletas, eles já desenvolveram um game para o jogador da seleção brasileira de basquete Leandrinho Barbosa. O The Blur Barbosa Vs Aliens chegou a ser indicado ao Indie Prize, atração do Casual Connect, evento de jogos digitas independentes de São Francisco, nos Estados Unidos.
 

Bom saber

Cinco empreendedores do Rio Grande do Sul integraram o time Brazil Games em uma das mais importantes feiras de entretenimento interativo do mundo: Aquiris Games Studio, a Canvas Games, a Epopeia Games, a Loomiarts e a Nano Biztools. A Gamescom ocorreu em agosto em Colônia, na Alemanha.

O RS em números

Conforme dados dos associados da ADJogosRS, o Rio Grande do Sul produziu 81 jogos em 2017.
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