Sobre o Autor
Priscila Cabrera Foto: ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC

Priscila Cabrera

Jornalista da Buda Comunicação

Recuar para pegar impulso

Há quase quatro anos me tornei empreendedora. Cheia de planos e muita força de vontade, fui à luta para conseguir clientes. Em um mês já tinha o número suficiente de clientes para pagar minhas contas e as da empresa. Eu havia lido e me informado sobre os primeiros anos do negócio serem muito difíceis. Mas não contava com um fator que foge do controle de qualquer empreendedor: a crise na economia. No último semestre de 2017, me vi perdendo clientes, com o discurso de que não poderiam continuar com o serviço por estarem cortando "tudo o que dava". A área da comunicação tem dessas: somos os últimos contratados e os primeiros cortados.
Foi um momento bem conturbado para mim, que pensei muitas vezes se deveria seguir em frente ou desistir do negócio. Optei por continuar. Refleti, troquei ideias com empreendedores, com meus colegas de trabalho, com parentes e amigos. O primeiro passo foi cortar custos. Todos os possíveis (exatamente igual meus clientes estavam fazendo). Me desfiz de um escritório, de um espaço que representava o nascimento da minha empresa. Foi dolorido. Me senti fracassada por voltar à fase de home office. Mantive uma pessoa trabalhando comigo e traçamos uma estratégia de prospecção. Não foi nada fácil. Ouvimos muitos "nãos", sempre com o discurso da crise.
Entre tantas características que um empreendedor necessita, uma delas é a criatividade. Na crise, se cria! Essa frase ecoa na minha cabeça desde que abri a empresa. A solução foi lançar serviços mais baratos, mais rápidos e que sanassem uma dor imediata de clientes, ou seja, pequenos serviços por um curto período. Outra estratégia foi procurar clientes no bairro de atuação. No nosso caso, o Menino Deus. Dessa forma, reduzimos custos com deslocamento para reuniões. 
Para as empresas de comunicação, a maior dificuldade é fazer o cliente entender que os serviços contratados não são "gastos" e sim "investimentos". Estratégias bem pensadas e focadas no público correto podem salvar um negócio. A empresa que pensar dessa forma está um passo à frente de sua concorrência. Assim foi comigo também. Tive que colocar em prática na minha própria empresa tudo que sempre executei para meus clientes. Atualmente, estamos com novas contas e em fase de crescimento. A necessidade te faz enxergar oportunidade até onde não tem. Uma vez eu estava comentando com um amigo sobre me sentir regredindo por ter que me desfazer do escritório e abrir mão de algumas pessoas que trabalhavam comigo. Ele me disse a seguinte frase: "É só um passo para trás para pegar impulso". E realmente assim aconteceu. Às vezes, recuar é preciso para crescer novamente.
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